Desencontro

13 07 2009

Desencontro palavras pra descrever
Pois não é como se eu não as tivesse
E sim como se me fugissem

Desencontro o amor, do mesmo modo.
Ali, sempre à espreita, mas nunca comigo

Desencontro os dias da minha vida
Desencontro o tempo todo, as horas e minutos

Desencontro o riso do meu rosto
Se o vejo, é forçado e sem graça

Desencontro minha fome, meu silêncio…
Desencontro tudo que eu tenho, mas me escapa.

Desencontro momentos, também
Sempre um momento cedo ou tarde demais

A vida pra mim é um grande desencontrar
de abraços e olhares perdidos.

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Se, por acaso, encontrarem um monstro andando cabisbaixo pela rua em um dia nublado de chuva, catando músicas anos 80 e 90, e que todos ignoram… Tenha certeza de que sou eu.





Romeo and Juliet

5 07 2009

Dizei-me: Que mal há na estória de Romeu e Julieta? Que faz dela tão triste que comova durante tantas gerações, tantos corações?

Que se amaram e morreram? E isso é infortúnio? Ao menos amaram… Que a morte a todos busca e a nenhum perde de vista.

Se mesmo que por um dia encontra um amor pelo qual que valha a pena morrer, morre por ele.

Antes isso que acabar aos braços de outro ou outra.
Que venha a morte mais cedo à mim, mas que eu encontre o amor! Que eu viva um dia como Romeu, mas que tenha minha Julieta, mesmo que esse dia seja o último dia.

E tais quais as pessoas que morrem ser ter encontrado jamais o amor!
E eis uma história triste e que temo à mim e que, sabemos todos, a muitos aflige, anônimos estes não-amantes que desgraçados são e nem sabem… E sois um pouco felizes ainda se não sabem! Pois sou eu uma dessas almas e sei-me bem disto. Sou portanto mais desgraçado…

Que morra eu depois de encontrar o amor, pois morro feliz.

Que a minha alma encontre a agonia da morte nos braços do amor.

E à Deus, pergunto: Que acontece ao amante que se mata, pela morte do amado?

Se vai para o inferno, irei eu também se encontro o amor e ele me deixa…
E estará o inferno cheio de amantes que não deixam que o sabor da vida lhes estrague o sabor do amor.

Diz-me, Deus, que sois misericordioso e que entre as leis do destino está escrito que se um amante morre, a alma à ele atrelada tem direito de seguir o caminho ao teu lado.

Ou sois muito cruel de fazer com que viva o amante, condenado a viver pela metade, até que a morte olhe em seus olhos e diga: Só vim gelar-te o corpo. Tu, morto já estais.

Oh Deus, eu que nem creio em ti, suplico, não leva sozinha uma alma que ao lado de outra caminha! E se não me escuta, escute-me a morte então! Leva ambos os amantes e poupa dor, sofrimento e esforço…

Por que se é verdadeiro o amor e ele finda, com ele finda a vida.

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Disse eu que sobre o amor não mais escreveria. Mas que outra coisa faz um poeta se não contar mentira?





Desabafo Rápido

29 06 2009

Engraçado.
Uma vez escrevi um post sobre as pessoas que esquecem. Logo depois que vi Eternal Sunshine of the Spotless Mind… Tinha até uma imagem do filme no post.
Certas pessoas são abençoados com o dom de esquecer. E estou me contradizendo, porque no post escrevi que essas pessoas eram falhas. Esquecer era uma falha.
Agora é, definitivamente, uma benção.
Esquecer certas coisas, certas dores, até certas felicidades… Seria bom.
Talvez eu que seja amaldiçoado de lembrar, cada detalhe, cada mínimo detalhe.
De tudo.

As vezes minha mente dói se lembrando dessas coisas. É, parece que sou mesmo meio masoquista…
Bom, também não é como se eu quisesse me lembrar.

Lembrar acontece. Seria mentira dizer que não lembro. Sempre há uma mão do Destino pra trazer a tona velhas lembranças. No caso, uma sensação melhor atual pode te fazer descartar a nostalgia do caso, e não esquecer e sim enfrentar, e isso é força… E eu queria ser capaz de fazer isso.

Estou sendo melodramático, eu sou capaz.
Todo mundo é capaz. Quando temos suporte, quando somos felizes, quando não temos outras lembranças tristes na mente, só os momentos felizes.

E então temos a oposição da dor contra a felicidade… Mas isso é totalmente fora de contexto, estou falando da memória.

Uma vez li que a fidelidade está na memória, na lembrança.
Ser fiel é lembrar.
Lembro bem da frase de André Comte-Sponville: “Ama-me enquanto desejares, meu amor; mas não nos esqueça.”

Fui fiel à tudo, sobretudo, à lembrança.
Lembrar-se de lembrar.

Mas não vou por esse caminho tortuoso de sofista.

A minha grande, enorme, dúvida é bem simples:

Como podemos lembrar e sermos fiéis à tudo, portanto fiéis à própria verdade e sermos felizes?
Devemos lembrar de sermos verdadeiros e também dos momentos ruins de nossa vida, e se por um acaso a vida tiver sido infeliz então estamos (ou estou) fadado à me lembrar sempre de que sou infeliz (romanticamente falando) e que não posso mentir com relação a isso.
E sinceramente, também, muito dúvido que qualquer relação que eu tenha possa curar as feridas que esses anos de romantismo me trouxeram.

Aos novos, bem novos, que podem ainda escolher qual caminho trilhar, eu digo: não escolha o caminho do amor. Será feliz somente se tiver sorte…

A sorte de encontrar alguém que te ame e que você ame, e que a relação dure tempo o suficiente para que pequenos espinhos que ocorram durante a vida não atrapalhem nem envenenem a relação.
Sorte.

E à todos.
Perdão pelo texto aparentemente sem sentido, mas são os filmes… Eles me fazem sentir vontade de escrever coisas sem sentido.

O filme do dia foi Closer, com aquela atriz maravilhosa que nunca me lembro o nome e aquele ator, Jude Law, e Julia Roberts e o outro cara, muito bom ator também, mas o personagem dele é claro, é terrivelmente desprezivel.

Edit: A atriz é Natalie Portman, o cara é realmente Jude Law e o outro que eu menosprezei (só por causa do personagem) é Clive Owen.





Sobre a ciência e a arte

22 06 2009

Bom, como alguns devem saber (os que não sabem, saberão agora) venho escrevendo com a lerdeza de uma lesma uns textos falando sobre as artes que mais admiro e aprecio e que nem todos consideram artes.

Por enquanto só publiquei dois desses textos, mas tenho mais alguns que carecem de revisão (hehehe, quando baxa o santo, escrevo como um demônio e os erros acontecem com frequencia).

De qualquer forma, vou postar aqui agora o que seria o preludio do livro que eu escreveria juntando todas As Artes dos textos de que falei.

As Artes

Introdução, sobre a ciência e a arte

Cheguei em um ponto da minha vida extremamente importante. Muitissimo importante. Uma questão simples precisava ser respondida e a maioria dos jovens de 16 ou 18 anos sofrem com a dúvida: que vou fazer da vida?

Algo como com que vou trabalhar, como me sustentar, essas coisas. Típica questão básica de “O que eu vou ser quando eu crescer” mas que toma proporções enormes quando entramos na puberdade.

Principalmente pra mim que me vi dividido entre duas estradas que eu julgava e ainda julgo, opostas. A arte e a ciência.

Na minha cabeça as duas são se aceitam, embora uma tenha um pouco da outra em suas essências. Vejam bem, um ciêntista JAMAIS será um artista em seu ramo, na minha modesta opinião. Ciêntistas são práticos (precisam ser) e artistas são melodramáticos. Claro, há um mínimo de arte na ciência e um mínimo de ciência da arte, mas isso só confirma que são opostas e mutuamente exclusivas. Um mínimo e nada mais.

E eu, como sempre na minha vida, me vi dividido entre os dois caminhos que julgo opostos: Ser artista ou ciêntista?

Sempre me julguei pouco prático pra ser um ciêntista, e (por incrivel que pareça) pouco melodramático pra ser um artista.

Para deixar um pouco claro o que considero arte e ciência e o que não é nenhum dos dois, vou falar um pouco sobre minhas definições (que como verão no decorrer do livro, são muitas e bem variadas das definições originais) sobre ciência e arte.

Primeiro que ciência e arte são essenciais da humanidade. O que não for ciência ou arte, não é essencial, trata-se de um fruto da sociedade como ela é hoje e pode a vir deixar de existir um dia, levando consigo qualquer coisa que não seja arte ou ciência.
Ciência é um fruto de si mesma e para ela é necessário um individuo e não mais. E também em toda sociedade existe ao menos uma ciência. Ciência é um meio de obter conhecimento, portanto, há sempre uma em uma sociedade, porém é possivel que um único homem dedicado produza os artigos, crie os métodos e postulados necessários… Também uma coisa curiosa sobre ciência do meu ponto de vista é que também se encaixam as religões. Nossa, como isso será polêmico… Veja bem, eu considero ciência uma maneira de obter conhecimento: Qualquer maneira de obter conhecimento. Um estudo sobre algo ou uma especulação. A psicologia trabalha em cima de especulações observadas, a física quântica trabalha em cima de especulções sobre neutrinos e particulas sub-atômicas. Esculações provadas, verdade, em sua maioria, mas ainda especulações. Dizer que Deus criou o universo e conseguir uma explicações para cada fenomeno, baseado nessa premissa, não seria uma ciência? Fico meio receoso de dizer isso, não sou nada religioso e nem gosto muito de religão, mas não exergo muito a diferença entre acreditar na física e na religião, qualquer que seja ela. Tudo parte de uma premissa que não pode ser provada, a diferença básica é que uma tenta explicar detalhes enquanto outra aceita o que foi convencionado.
Mas não é esse o tema do livro e sugiro que pensem a respeito e imaginem um homem relioso dizendo que Deus faz a maçã cair e depois imaginem um cientista comum falando que a maçã vai cair por causa da Gravidade.

As artes são o tema do livro e por isso vou falar delas. A arte, diferente da ciência que busca o conhecimento ou busca explicar um fato natural, a arte contenta-se em comunicar-se. A arte surge da necessidade humana de se expressar e se comunicar, não existe sociedade sem arte, pois na arte se encontra algo como expressão dos sentimentos inatos no ser humano.
Para isso, as pessoas criam meios e então temos a palavra chave da arte: Criar. A arte é CRIAtividade, é imaginar e fazer, de certa maneira. Pode-se colocar que a arte é subjetiva, depende do observador, enquanto a ciência é objetiva, um fenômeno é explicado sem pensar no observador. Quando se trata de arte, por mais que o autor se esforce em passar uma certa mensagem, cada pessoa, cada ser, vai entender uma coisa diferente, mesmo que seja somente em seu íntimo.

Podemos colocar da seguinte maneira: A ciência busca uma resposta para os fatos naturais ou não naturais. A arte cria maneiras de exteriorizar os sentimentos humanos.

Tem pouco em comum.  Um procura e descobre enquanto o outro cria, sem se importar como.

Definições poéticas ou objetivas, é assim como defino ciência e arte.

E a dúvida? E a escolha? Decidi que ficaria com a arte mais objetiva, a prosa (isso de acordo com Fernando Pessoa, como Bernardo Soares no Livro do Desassossego, mas que adotei como verdade) e com uma ciência bem criativa, a computação, que além de ampla, também exige imensa critividade… Digamos que eu escrevo códigos computacionais como escrevo poemas e escrevo poemas como escrevo os códigos.

Arte e ciência tem um minimo de um no outro… O equilíbrio entre eles faz parte da minha busca.

Deveria fazer parte da busca de qualquer um.





Não se conquista o amor

14 06 2009

Não se conquista o amor

Rafael Rabelo

Se te amo, te desprezo
Não posso querer-te bem ou idealizar-te
não posso sonhar a ti ou escrever a ti
Se te amo, não me entrego

Não serei teu. Na verdade, nem te notarei
Não comoverão tuas lágrimas ou súplicas
Se te amo, te esqueço

Não é sendo teu que seras minha
Não terei teu coração, entregando o meu
Se te amo, não te desejo

só poderei ter-te se tu se entregas
Não te conquisto, te aceito
Só não te desejando, terei-te

Não se tem jamais o que se sonha ter

Caso contrario, se dou-me, serei eu teu
E não tu minha.

Terei-te tão somente em imagem. Tão somente em sonho
Somente serás digna do meu amor quando se entregar a mim.
Só amarei se me amar.

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Ci, eu entendo mto bem! No caso, só trocar os generos.
Só quero ver quando os romanticos virarem os vilões… Só quero ver.





A Poesia contra o Sexo

7 06 2009

É tão mais importante um corpo bonito que tornar-se-á decrépto e sem vida um dia?
É tão mais importante do que minhas palavras imortais?
É tão preferivel essa vontade irracional, esse desejo absurdo e sem sentido que sentem?
Tão maior que eu, são os pecados?
Por mais melodiosas que sejam as frases elas não vencem o toque do corpo. Por mais lustradas que estejam, um charmoso sedutor faz com que elas sejam esquecidas.
Não importa quantos milhões de versos eu faça, nenhum deles tocará o seio de uma mulher.
Os loucos, os absurdos, estes são melhores que meus poemas.
Seduzem mais, pois são mais misteriosos, pois são livres e distantes como Deus, ou o Diabo.
E não importa que as façam sofrer, é mais belo e faz mais sentido que ajam assim, embora no fundo ainda achem as moças ingênuas que por amá-las, os cafajestes curvar-se-ão, ignorando toda a lógica e sentido, o que eu admito que se acontecesse, se tal amor surgisse diante de mim ignorando toda a lei natural, eu não ousaria ser um empecilho.
Nenhum verso meu chegará aos pés dessa possibilidade de milagre.
A era dos poetas romanticos acabou, estou portanto, fadado ao esquecimento e à dor. E depois, à insensibilidade, que já sinto querer tomar posse de um coração deserto e árido.
O que me conforta é a possibilidade de que se eu me tornar tal fera insensivel, tal monstro, um dia surja diante de mim uma bela que me salve antes que a última pétala de rosa caia ao chão.

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É mais um texto de amor x paixão, mas tá valendo… Sim sim, eu sei que nem todo mundo vai gostar, mas é bom receber um poco de crítica. E esses dias vi a frase: Quem sabe,  sabe. Quem não sabe, não precisa saber.





Viagem ao interior

1 06 2009

Sabem, levei outro fora.

Fora n°… Ah, sei lá, perdi as contas.

E o pior, não fico mais triste com essas coisas… Quero dizer, dói, mas já virou rotina, e isso é pior do que doer. Ter a consciencia de que se está aos poucos parando de sentir dor de amor é quase que como parar de amar.

E agora, tou aqui, ouvindo música celta e com muito medo do sonho que eu vou ter quando eu dormir. Se eu dormir.

Anyway, isso me inspirou e claro, merece um texto. Mas só texto, sem imagens. Tou meio sem animo…

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Viagem ao Interior

Rafael Rabelo

O homem contabilizou tudo
tranformou tudo em numero
fez do lugar um mundo
mas o mundo está nós

Modelos matemáticos e fórmulas
tirando a beleza e fineza das coisas
meras imitações das fábulas
que se pode ver reais

a foto não se compara a paisagem
o video não chega perto da cena
passam só parte da mensagem
que só se passa com a presença

e para aqueles que não acreditam
para os céticos e cegos amigos:
Eu questiono em nome da razão
“Por vezes não se sente cheio ou vazio?”

E esse sentimento, as vezes,
com música, não se expande?
e faz as mãos quererem dançar no ar
criando pequenos movimentos
acompanhando o sentido da música
traçando um caminho
e seu corpo parece querer seguir a música
e esquecer do resto das coisas da vida
e só viver aquele segundo?

e dá vontade de voar ao corpo
e faz tudo parecer mais leve
e algo que parece estar dentro de você
faz você acreditar que tudo tem um sentido
por mais que pareça vazio…

Viaje a esse interior e
pergunte certos porquê’s
que não ousa perguntar
em voz alta

Então, você entenderá o que é a alma.

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Se perguntarem ao poeta
por que ele escreve poesia
o poeta reponderia:
“Escrevo não como quem canta,
não como quem dança,
nem como quem pinta,
muito menos como quem filma.

Escrevo porque se não escrevo
definho.”

O poeta escreve
como quem vive.





Terapia – HindrazQZ

28 05 2009

Quem mora em São Paulo, Capital, sabe.

Cidade grande é um inferno, sendo claro. É tudo mto estressante. Correria sempre, perigo sempre. É tudo mto tenso e angustiante.

O Daniel então me disse que um amigo dele tem uma clinica que faz terapias holisticas, e pensei “nossa, deve ser mto bom fazer essas coisas”.

Acunputura, Shiatsu, Aromaterapia e mais.

Então pensei que deve ser um ótimo negócio ter uma clínica dessa em cidade grande como SP.

Deve ser um oasis em um deserto, se não for mais!

Anyway, resolvi fazer um post comercial aqui, divulgando a HindraQZ pq penso em quantas pessoas de São Paulo PRECISAM mesmo desse tipo de folga em suas vidas.

Então se vc mora em SP – Capital e quer relaxar os músculos e a mente, não existe nada  melhor do que acunputura e shiatsu.





The Truth

23 05 2009

“Olhar para dentro de si é olhar para o mundo como ele é. Olhar diretamente para o mundo é ver fumaça e espelhos.”

Essa é a frase do dia.

Vou explicar, pro post não ficar mto curto.

Primeiro, não tenho nenhum poema que eu queria pôr aqui =X
Segundo, essa é a frase do meu orkut, coloquei faz um tempo e gostei dela.

A grande questão é ver o mundo como ele verdadeiramente é.

“A verdade está lá fora” (X-Files) mas a compreensão dela está em nós. É mais uma crítica à TV e à mídia e vcs dirão: Nossa, que saco, esse é daqueles caras que ficam dizendo que as coisas que passam na TV são mentiras e bla bla bla.

Não.

Tem mentiras, claro, mas o ponto não é esse. É a subjetividade das informações, distorcer os fatos. Sejamos sinceros ver TV hoje em dia é como ver um show.

Mas mesmo se tirarmos a mídia do assunto, mesmo se tratarmos só das outras pessoas. Quantas pessoas não se vendem por aí? Cantando em alto e bom som o quão foda ela é e quais são suas milhões de qualidades.

O que eu quero dizer é que ver a verdade qlqr um pode ver, qlqr um pode achar. Ver as pessoas como elas verdadeiramente são não é dificil, conhecendo-as um pouco. A questão é entender a verdade.

Ter um compromisso para com a verdade é importante pra que sejamos capazes de NOS entendermos melhor.

Enfim… Falei um monte de besteiras, mas se pelo menos UMA pessoa entender de verdade o que eu disse aqui, já ficarei feliz. ^^





O escultor e a mulher de barro.

16 05 2009
Carole Feuerman - By The Sea Sculptures

Carole Feuerman - By The Sea Sculptures

Rafael Rabelo

Ninguém o amava. Era esse o pensamento dele e o motivo dessa estória.
Ele pensou que se de certa forma, construisse alguém, fizesse alguém, então esse alguém o amaria.
Era isso o que ele fazia, afinal de contas. Ele esculpia.

Então, certo de que ninguém o queria, resolver esculpir uma mulher, pensou na mais bela de todas e a usou de molde, e a foi fazendo: primeiro os olhos. Trabalhou bastante neles. Queria-os perfeitos. Mais perfeitos que o resto. Fez o nariz como queria que ele fosse nela, discreto. Depois fez a boca ao seu grado, suave e doce. Trabalhou o rosto inteiro durante duas semanas, foi dificil, mas fez até o detalhe dos cílios e das covinhas das bochechas.
Começou o corpo que fez, deveras, escultural. Sentiu-se depravado ao faze-lo, quase que não terminou por vergonha, pois, é obvio, o fez nu, mas trabalhou duro se convencendo de que não estava errado, por ora era uma escultura como dentre tantas outras que ele fizera… Não, não era. Era mais perfeita.
Com certeza mais perfeita.

Levou ao todo mais duas semanas para terminar o resto do corpo e deu atenção especialmente para as mãos, as quais imaginava o afagando e lhe dando carinho. Ela seria dele e somente dele. Para sempre.
Quando terminou e o barro secou por inteiro, comprou-lhe roupas. Mas o tom completamente marrom uniforme a deixava estranha naquele vestido dourado, com pequenos detalhes perolados, aqueles espalhados como gotinhas. Sim, a deixava bizarra.
Comprou tinta e juro que levou um mês até que tivesse a segurança de ter escolhido a tinta certa, no tom certo e que tivesse aprendido as melhores técnicas de pintura da modernidade. Só então pintou-a. Preferiu ela branquinha, não por racismo, mas que lhe encatava a descrição da branca-de-neve e a queria assim, branca como a neve que nunca vira. Os cabelos? Pensou em morenos, mas deixou-os castanhos, pois os tinha feito ondulados e sempre achara que cabelos ondulados deviam ser castanhos. Nenhum motivo em especial. A boca deixou vermelhinha, pois já era veludosa. Foi minucioso em sua pintura. Um trabalho digno de um gênio, diriam. Agora, vestida, era quase uma pessoa de verdade. Faltavam-lhe brincos. Comprou-os. Anéis? Logo em seguida. Enfim, qualquer pessoa que passasse sem prestar a atenção devida comprimentaria o manequim de barro. O escultor então dormia deitado em seu colo, contava-lhe as dificuldades de sua vida, segredava-lhe tudo. Foi então que ocorreu algo misterioso.

Um dia quando voltava do mercado, a mulher-de-barro não se encontrava no lugar costumeiro e o escultor se desesperou, revistou toda a sala, correu para a rua procurando o maldito ladrão que levara o único bem de sua vida e quando voltou havia uma mulher sentada em seu sofá. Seus cabelos esvoaçavam com o vento que entrava pela porta aberta. Tinha cabelos castanhos e uma boca sedosa que lhe sorriu. E ele desmaiou. Acordou deitado no sofá, cheio de perguntas, achando que fora um sonho ou que finalmente tinha ficado louco, mas querendo acreditar que não. E não era isso.
A viu ali, olhando pra ele. Ela piscou… Assim, como gente! E ele quase desmaiou de novo. Perguntou e perguntou, mas ela não sabia responder… Dissera que ouvia cada palavra que ele dizia quando vinha lhe segredar as coisas do mundo, mas era imóvel, disse-lhe que sentia saudades quando partia, que ficava feliz quando voltava, mas que não conseguia mover um “músculo” sequer. Antes era feita de barro, agora era mulher. Eis um dos grandes mistérios da vida. O escultor, claro, nunca esteve tão feliz! Nunca cantou tanto, nunca bradou tanto, ele seria feliz para a sempre com aquela mulher. A mulher de seus sonhos! Logo vieram as festas, vieram os bailes, enfim o casamento e ele era um artista famoso por dar vida as suas obras. Sem contar que a mulher de barro despertava a inveja de muitas outras mulheres, sua beleza era inegualável. Seu olhar rivalizava com o sorriso de Monaliza de DaVinci, de tão belo.
Logo, o escultor começou a ser assediado por fãs escandalosas, estudantes de artes, atrizes de cinema, todas queriam uma escultura, posar para que ele as imortaliza-se, todas queriam um pedaço dele, dariam tudo por ele. E sua mulher lhe sorria e dizia que estaria tudo bem.

Não demorou muito ele tinha mais amantes que Don Juan e vivia uma vida na esbórnia, bebendo e indo em festas com as mais belas mulheres. Vendia suas esculturas a preço de milhões. Depois, um dia, cansado, voltou para a própria casa, tirando ele mesmo os próprios sapatos e as roupas. Se jogou na própria cama e sentiu um prazer naquilo que ele esquecera, mas faltava-lhe algo. Algo que ele não conseguia identificar.
Procurou sua mulher para que esta lhe ajudasse a identificar o que era essa algo que faltava… Não a encontrou. Ficou um pouco exasperado, depois apreensivo e então preocupado.
Chamou a criada, mas a sua mulher já não vista em casa fazia uns dias.

Notou então que o chão estava sujo e amarronzado. Brigou com a empregada, e quase a demitiu, até que ela murmurou baixinho que era descuido dele deixar uma das estatuas na sala, e justo aquela que era tão parecida com a patroa e tão linda, e que era óbvio que ali ela quebraria… Era óbvio que quebraria.

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Para todos aqueles que não dão valor a quem dá sentido à sua vida.