Ah, o amor…

9 11 2009

Encontro ao fim de Semana

Rafael Rabelo

Já vai fazer semanas que não te vejo
E meu corpo, assim como a alma e a mente
as dores da longa falta sua sentem
Já não quero comer, pois me falta você
Já não bebo a água pois a sede não morre

Quero teus lábios que me faltam,
Olhos que não comtemplo a um eterno tempo
Sentir o suave cheiro teu como o perfume da noite
Me falta a carícia das suas mãos,
O tom leve da sua voz ao meu ouvido

Só preciso de um momento seu pra continuar a viver
E depois? Bem, depois vou precisar de outro
E outro e outro e outro e outro e outro
Momento seguido de momento até que forme o eterno
E juntos vamos caminhar a vida um do outro

Somente um sábado e um domingo, mas uma vida
Uma poucas horas infinitas de felicidade incontida
Ao teu lado, nada temo, nada anseio
Até que você se despeça de mim de novo
E passe semanas que eu não te veja
E eu não coma, bem beba, coisa alguma de novo

.

.

.

Sinceramente, não conheço nada melhor que o amor.
E não, não sou suspeito pra falar isso. Eu nunca fui feliz com o amor. Nunca nem sequer passei perto disso. Bom talvez tenha passado perto uma vez…
Enfim.
Mas eu sei que o amor é uma coisa maravilhosa e sei o que a falta dele faz aos homens.
E fico extramamente triste quando um amor termina, por qlqr motivo que seja. Quando duas pessoas que se gostaram desistem de continuar se gostando…

Sei que uma coisa pode ser tirada disso: Falhei miseravelmente em deixar de ser romantico.





Esqueceram do sapo

1 11 2009

Rafael Rabelo

Esqueceram o sapo.
Nenhuma princesa foi beija-lo
Princesas nem existem mais.
Mas os sapos ainda estão por aí.
Quem sabe se virarão príncipes?
Quem sabe se terão riqueza e fortuna?
Mas não importa, esqueceram-se deles.

Esqueceram do sapo.
E com ele, esqueceram do amor.
Princesas não há mais
Talvez nunca tivessem existido.
Enganaram a todos os sapos?
Fizeram deles, além de sapos, palhaços?
Ah, nem importa mais, esqueceram, mesmo.

O sapo esquecido
Fica coaxando na lagoa
Que coisa engraçada de se dizer!
Coaxar.
Acho que não existem princesas
Que nunca existiram
Afinal, o que sapos e princesas teriam em comum?
Afinal, por que os sapos?
Que importancia tem os sapos e as princesas…

O sapo se esqueceu
E quem sou eu?
E por que a idéia fixa em princesas inexistentes?
Bom, até os sapos se esqueceram de si mesmos
Isso por que princesas não existem.

.

.

.

Já sentiram desespero? Desespero real e puro?
É a simples e total morte de tudo.
Mas não a sua.
É como se só existisse você imortal num mundo vazio.
Nada vai mudar, não há nada que você possa fazer.
Nada.





O Canto

26 10 2009

Rafael Rabelo

O Canto das Pessoas,
estava no Canto d’Alma.
E sua forma, de alguma forma
Lembrava o Canto das Coisas,

O Canto da parede
Acolhe, nos faz compania.
E o mundo mudo,
insulta, torna a vida sombria.

O Canto de louvor ao Canto,
e seu acolher que encanta.
Engole a Terra em um abraço
E eu o engulo na garganta

O Canto é sempre um amigo
e Haviam outros Cantos
Uns anjos que nos recolhem,
E enchem os ouvidos.

Dentro de nós há um Canto
Que grita, n’alma.
Nele nos ouvimos e sentimos
Vemos nossas sombras projetadas.

O Canto enche os corações
preenche a alma e acompanha
Torna uma dor menos Solitária
enquanto eu, sozinho, a Canto

;) (65)

.

.

.

As vezes, quando eu acho que esgotei os poemas que eu tinha, me surpreendo. Sempre encontro um poema perdido nas minhas coisas. E o pior, fico surpreso com quão bons eles são!
Acho que escrevi melhor antes, do que agora.
Era mais inspirado, eu acho.

Eu lembrei desse poema, foi baseado no primeiro livro que eu li a sério.
As Batalhas do Castelo.
Mto bom o livro, me surpreendi MESMO com o final.
Quem quiser, que leia o livro, talvez entenda melhor a poesia…





Pressa pra quê

18 10 2009

Rafael Rabelo

Pressa pra que te quero.
Pressa pra quê?pressa
A pressa acaba com o prazer
A pressa faz você bater

Pressa inimiga da perfeição
Pressa causa pressão
Pressa causa depressão
A pressa mais rapida que você.

A pressa pressiona o botão
A pressa aperta o gatilho
A pressa faz você ficar
no meio dos trilhos

A pressa leva as pessoas embora
E nunca trás ninguém de volta
A pressa, apressa

Pressa de carro, de moto
De nove meses em sete
De oito horas em quatro
De atravessar a rua
De chegar na Lua
De descobrir a origem de tudo
Acabou o mundo.

Pressa pra produzir
Pressa pra exportar
Pressa pra consumir
Pressa pra trabalhar

Pressa, pressa, pressa.

Mas e a verde praça?
E o moço e a moça?
Cadê a pressa deles?
Tem, não.

Pressa, pra quê?

sem-pressa.

.

.

Fazia tempo que eu não colocava post com imagem. E eu gosto tanto ^^
Há quem diga que (Fernando Pessoa, acho) uma imagem estragaria uma poesia. Deixaria ela muito objetiva, sendo que a escrita, quando mais subjetiva, melhor.
Até entendo e até concordo.
Certas poesias devem permitir que quem as leu forme na mente a imagem que quiser, mas se uma imagem ilustrativa já acompanhar o poema, então a imagem mental vai ser mto influenciada e direcionada na mesma direção da imagem ilustrativa… Tirando um gosto adicional que a poesia teria, se a imagem ilustrativa não estivesse lá.
Ah, mas nem todos os poemas são assim. Alguns ficam muito mais belos com uma imagem para chocar/surpreender/fascinar/admirar.





Abismo Infinito

13 10 2009

Meu coração bateu rápido demais, depois parou.
É dificil explicar o sentimento.
Ele é, de certo modo, bem familiar…
Acho que um desespero pleno.
Uma morte da alma.
Perdi a vontade de tudo. Até de viver.
Mas não planejo morrer. Até de morrer perdi a vontade.
Se eu pudesse simplesmente parar de respirar…
Talvez, daqui alguns dias, eu morra de fome.
Talvez eu morra atropelado por não me importar.

Nunca vi tão claramente o fim da vida.
É realmente como olhar um abismo infinito.
Nem os Porquês importam mais.

Eu vou deitar e dormir.





Cavaleiro e Princesa

10 10 2009

Rafael Rabelo

“Levanta-te”, disse a princesa
E eu, seu cavaleiro, ergui-me
“Caminha até ele e derrota-o”
ordenou-me minha senhora
“Avança, luta e vence”

Antes tinha eu morrido
dum golpe de espada terrivel
daquele que era meu inimigo
mas minha senhora ordenara e
Avancei, lutei e venci

“Não morra nunca mais…”
Como desobedecer tais palavras?
minha espada não mata, fulmina
meu escudo não protege, domina
Avanço, luto e venço

Não ignoro aqueles olhos
Tenho-os em mente quando luto
Não vejo armadura, ferro, aço
Vejo olhos azuis perolados
Avancemos, lutemos, vencemos

Tenho no corpo um demônio-fúria
Na alma tenho um deus da luta
mas bate no peito um amor servil
minha senhora, a chamo, assim
Avançamos, lutamos, vencemos

Mesmo que doa, mesmo que morra
Dói o corpo? Dói. Sangra a alma?
Sangra. Há lágrimas nos olhos
Naqueles olhos! lágrimas!
Avançais! Lutais! Venceis!

E da sombra do teu estardarte
Luto. Enfrento Deus e o mundo.
Não temo a morte, que não ouso
Morrer sem proteger-te, por isso
Avançarei, lutarei e vencerei…

.

.

.

Caramba… Procurei uma imagem pra postar junto, mas não achei.
Enfim, é um poema meio antigo, mas faz tempo que quero postar e faz tempo que ando postando só Prosa.
Preciso de um pouco de poesia.
Não tenho muito o que falar. Hoje o dia foi uma droga e eu quero ir deitar :/





Festa da Vida

5 10 2009

Rafael Rabelo

Vestida de seu vestido de noite
Negro, com estrelas cintilantes.
O rosto sem máscara é o único.
Todos os outros não têm rosto.

Todos valsam e comemoram, riem
Todos se divertem e se enaltecem
Ela está perdida e todos ignoram
E não ajudam, nem perguntam

Teus cabelos não tem cor, nem teus olhos
Teu corpo não tem formato, mas está lá
Tuas pernas não caminham, flutuam
E não há respiração, só a brisa

É uma grande festa e todos dançam
Caminham, desligados e felizes
Todos usam máscaras, todos maquiados
Bem vestidos e alegantados

E você procura e procura, e não há
Olhares! São todos vazios, distantes
Se te olham, te olham de longe
Se te aproxima, não te vêem mais

A música aumenta, todos se sacodem
As mulheres gritam e os homens rugem
Os homens brincam e as mulheres fisgam
Mas a música continua
Ela sempre continua

. . .

Encostado na mesa distante
Há um garoto.
De barba e óculos no rosto
Está bem seguro, é forte.

Está alheio à festa e as pessoas
Espera alguém, paciente
Conversam com ele, e ele ignora
Ele pensa demais e não as vê

Não há feições em sua face
Não há vida em sua vida
Não há sentido em sua direção
Só um certo vazio…

Por vezes, ele caminha sozinho
Com uma rosa na mão e um livro
Na outra
Metade sim, metade não. Em vão.

A noite não tem Lua. O céu não tem anjo
Não há rosas, não mais.
Tudo está seco por que ele secou.
Ele sabe que caminho irá fazer.

Comeu algo, bebeu algo
Visitou os quartos pela nona vez
E com passos lentos, descia a escada
Quando encontrou um olhar

. . .

A moça, já desesperada e sozinha
Viu-se aos prantos e desolada
Essas pessoas que não conhecia!
Essas pessoas que não a conheciam!

O garoto sorriu. Não tinha isso em mente.
Não tinha nada em mente, só cores.
Branco. Negro. Vermelho. Azul. Prata.
Dourado. Ele correu como nunca tinha corrido antes.

A moça olhava pros lados, pra baixo
Girava em meio às pessoas que dançavam
Gritava em meio às pessoas que cantavam
Sua dor era melodia e rimava.

Abriu caminho entre desconhecidos
Tinha um sorriso no rosto, que ardia
O coração pulava e saltava, cambalhotas
Via uma direção, uma vida, uma face

Meio zonza, caiu e não conseguia respirar
Todos ainda dançavam e valsavam
Como se ela simplesmente não tivesse caido!
E seu vestido de noite rasgado…

Parou, ofegante, em meio à dança
E a viu, caida, vestida de negro com a noite.
Hesitou. Teve medo? Ele? Sim.
Ficou feliz por que teve medo.

Ele segurou a mão dela, que com espanto
Olhou em seu rosto e não viu máscara
Só olhos, sorriso e barba
E óculos, talvez os óculos…

E não dançaram. Caminharam pelos salões
Enquanto a festa prosseguia,
eles viam o céu, de noite e de dia.
Conversavam e liam, choravam e riam

Não dançavam, nem cantavam
Não eram como os outros
Que nem sequer tinham rostos
Não faziam parte da ignorancia

Como não eram vistos, fizeram amor aqui e ali
Recitaram poemas à todo pulmão
Brigaram e reataram em meio ao público
Que nem sequer parou a comemoração

E quando a festa acabou e todos foram embora
Deixando pra trás somente a ruína de um mundo
Eles ficaram ali, conversando ainda, deitados na grama
Esperando ficarem sozinhos juntos pela primeira vez.

.

.

.

Bom, pra quem não reparou, o poema varia da visão de uma garota e um garoto. Então, se leu e não entendeu, leia de novo ;)

Esse poema escrevi agora. E bem, creio que vão entender o que ele significa.
Afinal, a vida é uma grande festa.

Alguns fazem parte dela, outros não.





O que te pertence…

26 09 2009

Se você vê, você tem.

Pra que a necessidade das mãos? Pra que a necessidade de ninguém além de você poder possuir o que você vê e quer e deseja?

Ninguém vai possuir algo que você vê.

Está na sua mente, está em você.
Você vê, é seu.
Você pensou, então lhe pertence e a mais ninguém.

E nenhuma outra pessoa irá pensar como você pensou aquilo que quer possuir.

Se você percebe isso, então você percebe o quão solitária é a vida.

E tudo o que você viu, ouviu, pensou, aprendeu, pertence a você e a mais ninguém e isso dói, pois ninguém saberá os sabores que você provou, ou verá as cores que você viu.
Tudo que viu e sentiu é seu e somente seu.

E ai, então, você quer compartilhar pra ser compreendido.

.

.

.

Esses dias eu estava pensando de novo na ilusão do homem de que possui as coisas. O homem não possui coisa alguma. Possui a idéia da coisa.
Primeiro que o que ele vê, na verdade, é uma imagem. É luz. É alguma coisa como uma pintura bem feita pela organização da matéria da coisa. E além de tudo essa imagem é revestida por uma cama a mais de simbolismo inconsciente, pois o ser humano tende a se questionar sobre origens, sobre mistério, sobre coisas que ele não compreende e que nunca vai compreender.
Então ele deseja aquela coisa estranha. Deseja por N motivos, mas deseja.
Precisa sentir aquilo entre as suas mãos, sentir seu cheiro, conhecer cada detalhe da textura, cada pedacinho de cor…
Então ele pega aquilo pra si e diz: É meu!
Como se aquilo não estivesse ali antes dele sequer pensar em existir.
Como se aquilo não fosse estar lá depois dele deixar de existir.
Aquilo que ele acha que possui está apenas em sua mente. É apenas uma ilusão de uma coisa que ele acha que compreende…
Quando se percebe isso, percebe que você não é dono. Não é senhor.
Não é senhor de coisa alguma.





Como eu me vejo

19 09 2009

A Grande Reunião

Rafael Rabelo


Reuniu-se então todo o mundo-eu. Todas as coisas que me formavam dirigiram-se ao Castelo Coração para tomarmos uma posição sobre um certo assunto, sobre uma certa mulher e o retorno dela – ou do sentimento dela. Reunimo-nos todos, pernas, mãos, braços, pêlos, barbas e até as casas foram, o próprio castelo daria a opinião dele, que seria o consenso da opinião dos seus tijolos e das suas vigas. Os cabelos quiseram opinar, também, olhos queriam se fazer ouvir ao passo que os ouvidos queriam mesmo é fazer fofoca com as bocas que, sozinhas, não sabiam o que estava acontecendo. Iam também as pessoas ilustres que tenho em mim, que eram o Rei, a Princesa, O Trovador, a Mente (que nada mais era do que um grande computador) e todo um séqüito de personalidades famosas, como O Sade (Que era sádico, obviamente), tinha um gay, uma lésbica, que não eram assim tão ilustres mas chamavam a atenção, haviam os filhos que nunca tive e que sonhava ter.

Reuniu-se a matéria toda. O meu mundo de sonho parou de girar e de repente era só o castelo, já que alguma coisa deveria existir para que se houvesse um lugar onde se fazer tal reunião. Veio até o Sol e fez questão de sentar-se na mesa principal, motivo: Não era do reino, foi convidado. No Reino não há sol. O Rei não gostava dele. Vieram astros intergalácticos também, a Lua, e a grande maioria das estrelas, outras ficaram no céu de preguiçosas, as nuvens quiseram vir todas, pois o vento viria, e é de conhecimento público que são inseparáveis. Os átomos estavam agitados e vibravam de emoção. Só havia tido outro grande conselho destes e já se faziam uns bons dois anos, que se sabe, quando é no mundo de sonho, viram milênios.

Enfim, haviam chegado todos. O Trovador cumprimentou cada um que veio e levou-se aí alguns anos. Houve um burburinho que logo foi calado pelo Rei. Mas não tardou (tanto) e teve inicio o debate. Quem abriu-o foi o Trovador, dizendo que era de suma importância a decisão de mais aquele conselho e que não era somente uma opinião, era tomar uma frente, uma posição, então o assunto deveria ser levado com seriedade, e por um instante olhou para os palhaços, que fizeram não ver a encarada.

Então começaram as bocas, disseram que os dentes estavam pouco se importando e que os lábios gostavam dos beijos dela, a moça em questão, e a língua também, e era então a favor da volta dela, os cabelos até se arrepiaram quando lhes contaram os ouvidos.

Os pêlos pouco se importavam, uma vez que ela não os arrancava, mas votaram não, pois sabiam que isso, com efeito, os fariam arrepiar-se. As unhas não chegaram a conhecê-la bem, mas agora estavam compridas e curiosas, votaram sim. Disseram as bocas que os ouvidos haviam sido menosprezados por ela antes e por isso votaram não. As mãos e os pés não a queriam, necessariamente, queriam qualquer uma, então votaram sim e os braços os acompanharam, as pernas estavam cansadas e cochilaram. O Rei ordenou que as deixassem dormir. Os olhos disseram que iam votar depois. Começaram as idéias a votar. As palavras votaram sim, adoravam ler-se nos textos daquela menina. A Mente era ferrenhamente contra. Apesar de não ser contra a maioria, era extremamente nociva a presença daquela menina, escutou-se nessa hora um suspiro do Masoquista que havia acabado de chegar. Tinha se matado e tinha ainda a faca ao peito. Uma risada percorreu o grande salão, e logo ela foi mandada presa e é uma pena, não ia poder votar.

Enfim, todo o julgo intelecto de escritores famosos e intelectuais votaram não, eram do partido da Mente, e sabiam do mal que a menina causaria. O Rei falou que ia abster-se do voto por enquanto, queria saber a opinião do povo. Disse que as personas de mim votariam depois e o Trovador quase gemeu alto demais, pois era tudo um grande drama e ele adorava.

A camisa era contra, porque era branca e, portanto, pura, não queria sujar-se e todas as camisas eram brancas, só haviam algumas pretas que estavam ausentes, a Rede de balançar-se não podia falar nada, era branca também mas estava suja, absteu-se de votar.

As calças cruzaram as pernas, porque não tinham braços, sabiam que seriam tiradas antes do sexo, mesmo, mas seriam tiradas também antes do banho, e as vezes antes de dormir, quando me dava de dormir pelado.

As casas fizeram um grande discurso e acompanhou-as um ilustre, que era o próprio Castelo, defendiam que se resistir a vinda daquela garota, haveria guerra e, como de praxe, as casas seriam as mais destruídas, logo, eram a favor da vinda pacifica da garota.

O Exercito se dividiu, eram aqueles mesmo que morreriam por nós e aqueles que tinham medo. As armas tinham sede e votaram não.

Queriam sangue. Já os escudos e armaduras disseram sim, pois estavam cansados e desgastados, mesmos os mais novos. Fora difícil expulsá-la, seria mais difícil ainda mantê-la longe. O Povo todo votou não. Não gostavam de ver o Rei sofrer. Era um bom povo, esse.

E também só chovia e tudo se destruía quando o Rei estava triste. Já os ministros! Esses votaram sim, queriam mudanças, a grande maioria, queriam reformas, republicas e dividir o Reino e o Rei só os atrapalhava, que saísse de seus caminhos tortos.

O chão em si votou não. Gostava de ser campo de batalha, as nuvens e a maioria dos astros e coisas naturais votaram que sim pois achavam belo ver o drama se desenrolando. As lágrimas disseram que não queriam mais rolar e descer pelo rosto e todos se comoveram, alguns até mudaram seus votos para não. Os olhos apoiaram-se nas lágrimas e nem necessitou de justificativa. Só um olhar.

Sade disse que estava mais para a volta dela, e os filhos sonhados disseram que não queriam ver nela, uma mãe. Os palhaços que estavam fazendo rir as crianças do povoado disseram que eram contra a tristeza e votaram não e quando o Masoquista exclamou um sim tão sofrido e tão exultante seguido de um breve e chatíssimo discurso sobre sofrer, sofrer e sofrer começou um caos e muita gente quis bater nele e socá-lo, pela sacanagem de querer fazer todos sofrerem. Alguns quiseram mudar os votos, principalmente os astros que estavam começando a se cansarem, tanto que uns, depois dos votos, foram embora. Os lápis, borrachas e livros e os materiais desse tipo votaram que sim, pois isto resultaria em mais escrita.

Votou a Princesa e votou pelo não, implicava em guerra mas em menos sofrimento para o Rei, mesmo ele não tendo certeza de que iria sofrer com o caso. Mas era simples, havia sofrido antes, por ela, sofreria de novo. A Mulher que estava calada votou não, também. Chegou a tão esperada vez do Trovador, que votou Não. O que era raro, pois sempre adorava drama e desprezava a guerra. Fora um não tão simplista que formou-se um burburinho que nem a guarda real conseguiu impedir e calar.

Todos estavam ansiosos e agitados pelo voto do Rei que era agora o último, mas estava calado. O Trovador anunciou que ele esperava alguém especial e veio logo assim, depois do anuncio uma bela mulher ruiva, baixa e infernocelestial, a Anjo, uma doce mulher alta de cabelos lisos dourados, conhecida como Deusa e outra ainda, de cabelos castanhos encaracolados, de um olhar muito confuso e amante, A Rosa. Eram os Amores. Inimigos do Reino. As Amazonas. Houve mais caos e dessa vez a própria guarda real estava entre os indignados e escandalizados. As armas se sacaram, prontas. Mas o Rei mandou-as de volta às suas bainhas. Chegaram as três bem próximas do trono do Rei e mesmo elas não tinham coragem de se aproximar mais. Sussurraram algo que nem mesmo os ouvidos mais atentos ouviram. Nem mesmo as palavras souberam dizer o que elas diziam. O Trovador abriu um sorriso que saiu correndo pelo saguão e o Rei fez abaixar a cabeça, em aprovação. Elas viraram e saíram e fecharam-se as portas que estavam curiosas e incrédulas. O Rei sorriu triste para a Lua, que estava calada, com seus cabelos negros encaracolados, ela não havia votado, mas sabia-se seu voto, justo ela que tinha sido uma das Amazonas agora era amiga do Rei.

O Rei levantou-se e fez seu pronunciamento.

Passou-se mais de uma década até que ele terminasse de falar e explicar porque havia chegado àquela conclusão.

Havia optado por uma decisão até então inédita: A simples omissão daquilo tudo. Era o esquecer dela, ou o sentimento dela, um mandar enforcá-la… Ou antes, nem lembrar-se de enforcá-la.

Ela viria e ele a olharia nos olhos e a cumprimentaria, mas não a amaria. Não iria amá-la nunca mais. Pois a amava ainda.

Não haveria guerra, nem drama. Nada de esganar-se ou engasgar-se com nada. Não era um fim, e sim um esquecer-se do começo.

Esquecê-lo justamente por lembrá-lo demais. Era um perdão, ou antes, um esquecer-se do crime e da criminosa.

.

.

.

Juro, do fundo do meu coração, que quando escrevi esse texto nem sabia da existencia de Sandman ou de Neil Gaiman. Acreditem se quiserem.
Esse é um dos meus textos antigos.
Da época da minha garotinha ruiva.
Resolvi publicar pq ela voltou de novo, então achei bem contextual. Eu poderia dizer que houve outra Grande Reunião como essa quando ela re-re-re-reapeceu, mas tudo hoje em dia é bem mais inconsciente.
É um texto bom, e poucas pessoas já leram ele.
Algumas pessoas vão se reconhecer em alguns personagens. Essa é a graça de ser meu amigo, huh? Você ganha um lugar em alguma história que eu invento por ai e um nome legal, tipo Lua, Anjo ou coisas do tipo.

9.

Sou tudo o que poderia ser, ou sou então o reflexo da minha história. Se não gosto de ervilhas é pelo seu gosto.

Mas é-o também por não ter história em meu passado que me fizesse gostar. Nenhuma historinha ou conto pra que eu

gostasse de ervilhas.

No final, sou o que me fizeram de mim. Se sou rebelde é por que me forçaram a sê-lo, se sou casto, sou por que assim

me ensinaram, ou assim vi. Tudo tem um certo fundo antigo, tudo tem um aspecto que não foi decidido por nós.

Um filme que vimos, um livro que lemos, uma frase que nos dizem e nos comove, sou algo entre o que me ensinaram e o

o que o mundo me mostrou. Se tomo certas decisões é por que assim me cabe a lembrança de que aquilo é o certo, ou

o melhor a ser feito, pois assim me mostraram os meus parentes, a vida, o Destino, ou seja lá quem.

Mas não me caiu do céu a idéia. Não concebemos formas que não vimos, nem inventamos algo de verdade.

Somos frutos do mundo…





Se amavam demais

12 09 2009

Rafael Rabelo

Não ficaram juntos porque se amavam. Amavam demais um ao outro. Duvido que outras pessoas tenham se amado tanto. Mas jamais ficariam juntos, não aquele casal, não naquela vida.
Era simples, se você prestar bastante atenção, vai entender como era simples. Não foram feitos um para o outro. Ambos tinham defeitos insuportáveis.
Ele era um garoto frio que sumia as vezes. Acostumado a ser abandonado e a viver sozinho, teve um pai que fora iludido muitas vezes por muitas mulheres, então ele se comprometeu a não seguir o mesmo rumo, tornando-se ele mesmo o fim de todos os namoros que tivera.
Amava aquela menina. Não entendia como, nem porque, mas a amava. A amava demais. Mas não ficaria com ela, sabia que iria feri-la. Era só isso que ele sabia fazer: feri-las. Mesmo que no fundo, não admitisse isso.
Ela, por sua vez, não sabia fazer outra coisa se não amar… Amava sempre. Claro que, quase sempre, sufocava quem amava. Sentia-se insegura e frágil. Precisava saber onde ele estava. Precisava saber com quem estava. Precisava conhecer todas as amigas e chingar as que ela via que davam em cima dele.
Era isso o que fazia com todos os namorados. Amava-os tanto que queria absorver cada parte deles, estar com eles a cada instante.
E amava aquele rapaz. Amava como jamais amara na vida qualquer outro garoto. E não ficaria com ele, porque o amava. Sabia que seu amor, sendo imenso, o sufocaria até a morte, ela não era tola.
E se conhecendo bem, não ousavam ficar juntos. Mantinham uma certa amizade cheia de respeito. Tomavam cuidado para não ferir o outro.
E sabiam que não iam mudar.
Ele jamais deixaria de ser frio, por medo, talvez, de que ela o ferisse.
Ela era insegura demais pra acreditar que ele não trairia se ficasse um dia sem se falar por pelo menos uma hora.
Uma situação inevitável.
Talvez, se não se amassem, pudessem ficar juntos. Se não se importassem tanto um com o outro, poderiam até ser felizes. Talvez os defeitos que viam um no outro não os machucassem tanto.
Talvez não doesse tanto e fosse suportável, simplesmente se não amassem demais.

separados.

.

.

Quanto tempo não faço um post com imagem o.o
Enfim, mais um texto em prosa. Crônica? Não… Só texto em prosa. Talvez uma idéia ou filosofia.