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Sandman

Lhes apresento Sandman

Sandman é uma obra-prima.
Entenda.
Obra-prima.

“Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.”

Foi publicado de 1988 a 1996 e conta com 75 edições. 75 lindas edições.

Escrita por Neil Gaiman, consagrou o autor como um mestre na arte dos quadrinhões, e é vista como uma das séries mais cults, com tantas referências à outras obras que seria insano citar as diversas obras de shakespeare, de goethe, as várias releituras de vários mitos e histórias.

Porque Sandman é isso. Uma história sobre histórias.

A história de Sonho.

O diferencial é que Sonho, nesse caso, é um personagem. Esse Sonho é um dos sete perpétuos, uma personalização de um aspecto do universo, a capacidade de sonhar coisas boas ou ruins que toda criatura viva possui.
Ele também pode ser conhecido por Sandman ou Morpheus em diversas fábulas no universo da HQ, é o protagonista na maiora das histórias, então tente ver o quadrinho como um emaranhado de histórias que se relacionam de diversas maneiras diferentes, com diversos ângulos e pontos de vista diferentes, pois a HQ parte do príncipio que Sandman e o seu aspecto (o sonho) é a origem de todas as histórias, é o suprassumo da imaginação humana: Portanto contar a história de Morpheus é contar diversas histórias.

Os outros perpetuos, Destino, Morte, Desejo, Destruição, Desespero e Delírio também contam com algumas histórias nas quais protagonizam, assim como os diversos personagens que acompanham O Senhor dos Sonhos em suas aventuras no mundo mortal (ou não), como o corvo reencarnado Mathew ou Lucien, bibliotecario de uma biblioteca de livros que os escritores pensaram em escrever, mas jamais escreveram.

Enfim…

Gaiman não criou um quadrinho, ele REINVENTOU a realidade.

Eu não preciso dizer que sou completamente subjetivo no que se diz a respeito de Sandman, é o quadrinho com que mais me identifico. Mas veja bem, a influência dele no que eu escrevo é mínima, foi irrisória, por que SEMPRE esteve lá.

Acho que não existe personagem com que eu me identificasse mais do Morpheus, o senhor de Sonhar.

Uma figura sombria, de cabelo revoltoso, pálido, magro, extremamente comprometido com seu trabalho e romanticamente frustrado. Poderoso ao mesmo tempo frágil. De temperamente difícil e incompreendido.

Várias cenas nesse HQ são clássicas, como o encontro de Sandman com sua irmã mais velha e super cool Morte, ou a batalha de Sandman contra um demônio, ou ainda quando Sandman ‘resolve’ enfrentar Lúcifer no inferno.

Sandman (que pode ser traduzido como “Homem de Areia”) vem do mito que existe uma criatura que visita as crianças a noite espalhando areia em seus olhos para fazê-las dormir. Esse personagem (Sandman) existe MESMO no folclore inglês, e algumas de suas facetas (como Morpheus, grego) também existem. Aliás, a imensa maioria das criaturas citadas nas HQ existem nos folclores de diversos países, e a genialidade de Sandman não é só criar o personagem e coloca-lo num mundo “concreto” e sim relacionar todos esses mitos de uma maneira que faça sentido de alguma forma insana.
Sem contar que Sandman revolucionou o conceito de Morte. 😀


Hellblazer

Pra estrear a parte de resenhas sobre comics, Hellblazer!

O quadrinho conta a história de um britânico de quase 40 anos (no começo do quadrinho, depois ele vai envelhecendo, o que eu acho demais!), loiro, de fala mansa e sedutora, bruxo e conhecedor de todas as artes místicas possíveis.

Senhoras e senhores, apresento-lhes John Constantine!

Não, não o Constantine do filme “Constantine”, aquele filme foi um insulto ao verdadeiro Constantine. Tirando duas ou três cenas particularmente “Hellblazer style”, o filme não seguiu a linha do personagem de maneira alguma.
Claro que se o filme fosse como o quadrinho… Talvez houvesse uma certa crítica em cima…

Por quê, vou te dizer uma coisa sobre esse personagem criado por Alan Moore, não mexa com ele.

O Constantine, o verdadeiro Constantine dos quadrinhos, é temido e respeitado no mundo do sobrenatural como um bandido perigoso, alguém com quem você não iria querer mexer caso encontrasse na rua. Sempre metido em alguma coisa ilegal ou moralmente questionavel desde criança, Constantine nunca teve muito afeto pelas regras de qualquer natureza, nem mesmo as de sua realidade como bruxo, por isso é tão temido, há poucas coisas que sejam ditas proíbidas que o velho John já não tenha feito.

Entendam, ele não é uma má pessoa, de verdade. Ele poderia ajudar alguém que viesse pedir ajuda pra ele e já salvou o mundo incontável vezes, além de estar sempre disposto a fazer o que ele acha que é certo fazer, principalmente pelos seus amigos, como no arco Boas Intenções (que na minha opinião expressa o suprassumo dessa parte da personalidade dele). O grande problema é que nem tudo sai como ele planeja e na maioria das vezes, alguém morre. E ele se sente culpado depois.

Sim, a crise moral interna dele é profunda, em quase todas edições. Quando ele não vê os fantasmas dos amigos que ele matou ou deixou morrer, ou que morreram por causa dele (que são muitos, por sinal) ele se destrói com bebidas e cigarro. Pode se dizer que ele vai fumando e fumando até se destruir…

Porém, no fim das contas, ele não quer se destruir. Em Hábitos Perigosos, você pode reparar nesse conflito dele, nessa questão de “Estou me destruindo mas não quero morrer” e também no dilema da existencia de John, fazer de tudo para sobreviver foda com que foder, e ao mesmo tempo se importar muito com as outras pessoas.

Não vou entrar em detalhes da história, pois muita coisa se relaciona e contar uma coisa pode ser um spoiler depois. Apesar de Alan Moore ter escrito o primeiro arco da história, outros escritores renomados continuaram seu trabalho, ou seja, a arte não é linear nem mesmo a história segue um padrão fixo, apesar dos autores sempre darem um show na hora de entenderem o velho John. O quadrinho também possui diversas referencias ao universo da DC e da Vertigo.

Não é minha HQ favorita apesar de ter me influenciado bastante, mas é a primeira das resenhas porque ainda está em publicação, sendo considerada a comic com mais números públicados interruptamente da história, contando com cerca de 270 números até agora. Ou seja, se você quiser começar a ler, melhor começar AGORA. 😛

PS. não preciso dizer que é indicado para leitores com maturidade, certo?