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Legião Urbana

Legião Urbana fez a minha infância e adolescência. Acho que bem mais do que isso… Suponho que a banda me fez ser o ‘ser pensante’ que sou hoje. O meu apelido, afinal, vem de um apelido do Renato Russo em sua primeira tentativa de carreira solo.

Legião Urbana é uma banda bem conhecida no Brasil, então por que fazer um review dela se todos já conhecem? Por que eu quero, e por que 90% das pessoas que eu conheço, conhecem Legião Urbana como eu conheço Música Eletrônica, escuto, gosto, mas não compreendo… Ah sim, e por que dia 27 de março foi aniversário do Renato Russo. Faria 51 anos de vida…

Então, lhes re-apresento: Legião Urbana!

A Legião Urbana surgiu em Brasilia como a maioria das Bandas de Rock Brasileiro da decada de 80, em um contexto pós-punk nos Estados Unidos, o país começava a ser influenciado e a criação de bandas de rockeiros querendo imitar seus grandes ídolos era uma consequencia natural, o que não era natural era um nome, ou um nome e um apelido: Renato Russo.
Eu não vejo a Legião Urbana como exclusividade de seu vocalista, mas convenhamos, ele tinha uma alma artística apuradissima. Vindo de uma tentativa de uma banda punk chamado “Aborto Elétrico” e uma tentativa de carreira solo como “Trovador Solitário” abrindo show de outras bandas maiores, Renato se juntou à outros três jovens pra formar a derradeira banda:

Renato Russo -> Letras e Vocais
Marcelo Bonfá -> Percussão
Dado Villa-Lobos -> Guitarra
Renato Rocha -> Baixista

Porém, em algum momento Renato Rocha deixa a banda, deixando o famoso trio.

Engana-se muito quem acha que esses, e os outros rockeiros brasileiros dessa época (hoje pode ser diferente) seguem o esteriótipo de roqueiro rebelde sem causa. Eles tinham uma causa sim, ah se tinham. Era quase o fim da ditadura militar e a liberdade de expressão começa a engatinhar, e eles? Eles eram jovens, cultos e revoltados. Isso é o rock’n’roll brasileiro.

Querem exemplos? Darei.

Uma análise rápida dos albuns, tanto em seu conteúdo quanto seus easter eggs, já mostra que o nível cultural deles estava em outro patamar: Todos os CDs (com exceção do último) vinha com a expressão em latim “Urbana Legio Omnia Vincit” que em sua traduação significa “Legião Urbana vence tudo”, uma referência direta às legiões romanas, de onde o nome da banda foi retirado.
Renato Russo, que escrevia as letras, era extremamente influenciado por escritores modernistas como Drummond e Fernando Pessoa, por filmes muito cult’s como L’ârg D’or (e possui uma música da banda, com o exato mesmo nome)

Fora isso, cada CD da Banda foi feito para passar um sentimento.

Legião Urbana, o primeiro CD da banda é o mais Punk e Agressivo, com músicas como Geração Coca-Cola, O Reggae e Soldados, criticando tanto o país quanto os país.

Dois, o segundo CD, era completamente diferente, bem lírico e poético, sem deixar de lado o Rock: Andrea Doria, Tempo Perdido, Música Urbana 2.

Que País é Este?, por sua vez, trazia uma calma crítica e mostrou de vez a cara da banda: nós somos rockeiros, criticamos, mas também somos artistas. A banda trazia músicas como Que país é este? Conexão Amazônica e Faroeste Cabloco, grandes obras de arte que eram um retrato e uma denuncia do que acontecia no país.

As Quatro Estações, direcionava as coisas para um lado mais ético e moral, e passa uma sensação de esperança e quase espiritualidade, com cada vez mais Renato Russo levando a banda para letras poéticas. Nesse CD ele transforma em música um trecho de um soneto de Camões: Monte Castelo, uma verdadeira obra de arte.
O album reflete coisas como amor, compaixão, disciplina, com músicas como Há tempos, Quando o sol bater na Janela do teu Quarto e Pais e Filhos

V, o quinto CD da banda, foi… Especial. Por várias razões: Foi quando Renato Russo se descobriu infectado pelo vírus HIV. É um album semi-depressivo, e passa uma sensação de dor. Ele foi feito durante os Anos Collor e, como sempre é um retrato da época pela qual o país passava. Conta com músicas como Vento no Litoral, a Montanha Mágica, e Metal contra as Nuvens.

O mítico CD duplo Música para Acampamentos, um album um pouco tenso e repleto de críticas, com músicas como Índios e A Canção do Senhor da Guerra. Um album que, como o nome mesmo diz, criticava a própria industria da música com um conjunto de músicas de se fazer pensar: Baader – Meinhof Blues, Fábrica, O Teatro dos Vampiros…

O Descobrimento do Brasil, um algum mais alegre e sereno, mais leve. Há quem diga que Renato Russo estava conformado com a Aids quando pensou nesse album, que vem repleto de músicas melodiosas, cheias de nostalgia e resignação como em Giz e Love in afternoon e Só por hoje.

O último CD da banda, como banda A Tempestade: um album extremamente tenso e depressivo. Renato Russo morria e a doença o matou um mês depois do disco ser lançado. Músicas como A Via Lactea e Dezesseis faziam chorar os fãs, pois era obviamente Renato Russo se despedindo.

Houveram outros CD e outros materiais lançados após o fim da Legião, declarado pelos dois integrantes após a morte de Renato Russo. Atenção especial para Acústico MTV e o CD póstumo Uma Outra Estação. Bons CDs, MUITO bons como obras de arte, mas carecem de alma como a dos outros. Do CD póstumo destaque para Clarisse, A tempestade e As flores do mal.
De qualquer forma, extramente importe ressaltar que a banda influenciou não só o que eu escrevo, mas tudo o que eu sei e o que eu sou. Hoje obviamente tenho muito mais referências, mas Legião Urbana continua sendo a maior e sempre vai ser a maior. Eu sou muito fiel ao que eu fui, e ler um “Força Sempre”, um dos bordões da banda, sempre me motiva.

Enfim, espero do fundo do meu coração que você que leu tudo isso entenda…

Escute no Volume Máximo.

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