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Ressurgir do Rei

O céu negro de tempestade deixou escapar um raio de luz, que tocou a grama em um morro perto do castelo.

Um evento efêmero, dirão uns, mas não ali onde quase tudo já havia morrido e onde quase nada mais existia. As pessoas eram pobres e suas coisas eram frágeis, seus lares, sombrios, e seus pastos de grama rala e fraca. O castelo, outrora esplendoroso, não era mais do que um monte de pedras sujas e cobertas de limo mau-cheiroso por centenas de anos e no centro do salão principal, nada mais do que espaço retangular delimitado por esboços de paredes de rocha semi empilhadas, um esqueleto sentado em um trono, não um Rei.

Por isso, a grama silenciosamente agradeceu ao raio de luz que tão arduamente lutou para tocar o chão, e o negrume do céu empalideceu com tal visão. Naquele exato lugar, nasceu uma flor. Não muito grande, não muito bonita, mas ainda assim uma flor.
E uma flor muito vaidosa e corajosa. Cresceu até onde pôde e se esforçou até onde podia, sem poder se mover e utilizando daquele solo pobre e estéril.
Uma menina, passando descuidada por este lugar evitou por pouco a tragédia de pisar em tal flor diminuta, no último instante, reparando-a com curiosidade. Apesar de tudo que significava não chamava muita atenção dado o seu tamanho.
A menina colheu a flor e a cheirou e vendo quão cheirosa era, levou-a consigo para brincar. A corajosa menina foi para o castelo pois os meninos não queriam brincar com ela. Queria trazer a coroa do rei morto para mostrar pra eles que podia, que era corajosa e digna, mas se esqueceu do desafio, completamente, maravilhada com a flor.
Começou a procurar por mais daquela planta estranha – ela era jovem e jamais havia visto uma flor, somente as secas que cresciam em volta de sua vila – e queria mostrar várias para seus pais. Mas antes de continuar procurando deu de frente com o trono real e sentado nele o antigo rei com sua coroa, e com isso se lembrou de seu intento e caminhou vagarosamente em direção à figura esquelética.
Ainda vestia alguns trapos mas quase não havia carne em seus ossos e estava sentado como um verdadeiro rei, pomposo apesar de decrépito. A menina caminhou em direção ao trono e teve muita pena do Rei, que era retratado em vários poemas de sua vila como grandioso e heroico.

Achou correto prestar uma homenagem ao rei colocando sob seu colo a pequena flor. Não estava assustada pois estava em um local aberto, bem iluminado e podia ver sua vila morro a baixo, e além de tudo porque era verdadeiramente corajosa. Fez aquilo por respeito, talvez, e se ajoelhou em frente do Rei e recitou um poema muito conhecido, que se referia ao rei morto. (aqui)
Ao erguer os olhos, ela congelou.
A flor, ao perceber onde estava soube imediatamente o que fazer, e com tremendo esforço cedeu ao rei um pouco da luz que havia lhe dado a vida e o Rei não poderia ignorar tal sacrifício, mesmo morto.
O Grande Rei recolheu a flor, sorriu amavelmente e olhou em volta. Estava inteiro, vivo e limpo, sem um arranhão ou cicatriz. Estava novo. Não poderia dizer que esteve morto, apesar de suas roupas continuarem em trapos dignos de um morto. Ele fitou a flor por um tempo e agradeceu a ela, que, para surpresa da menina, pareceu honrada. Então desceu do trono, abaixou próximo a menina e lhe estendeu a flor, colocando-a em seus cabelos.
A flor lhe acariciou os cabelos sujos e disse em voz alta três vezes: vida longa ao Rei.
Por que o rei estava vivo de novo.
Na última viva da flor, a menina a acompanhou. Vida longa ao Rei. Fez sol de novo no Reino.


Poesia d’Amore Perfetto

Princesa, princesa minha,
Doce amada e desejada.
Teu cabelo, minha barba
Teus olhos de mel lambusada.

Doce sorriso terno e gentil:
Tenra inocência infantil.
Minha pequena, meu tesouro
Meu amor e meu ouro.

Teu cavaleiro aqui jurado
pra lhe salvar de teus amargos medos
E proteger de teus receios.
Roubar teu coracao e enamorá-lo

Os dias com morangos gelados,
As noites com o calor abafado.
Os toques secretos, olhares roubados:
Segredos jamais revelados.

Minha confidente, minha sina
Pequena Princesa amada minha,
De terrível bravura determinada,
Cheia de raiva e furia, se provocada

De triste beleza tocada
Carente, desajeitada,
Deslocada: pelo mundo ignorada
Mas jamais por ele derrotada.

E no calor de teu forte espírito
Me encontro bem aquecido,
Nas noites de frio, desprotegido
Teu toque sincero está comigo.

Caminha comigo pela vida, princesa
Te protejo, e do mal te  resguardo,
Serena donzela para mim perfeita,
Senhora do meu triste coração quebrado,
Por ti conquistado e consertado.

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Claro, pra minha namorada linda que eu amo tanto, Lais Mastelari.
Faz muito tempo que não escrevo algo exclusivamente dedicado, ahco que quer dizer alguma coisa neh?
Ela fez mais do que me trazer do fundo do poço negro e úmido, ela cuidou de mim e me aceitou.
Me aceita.
Eh amor. 
E eu a amo mais do que tudo.


Cavaleiro e Princesa

Rafael Rabelo

“Levanta-te”, disse a princesa
E eu, seu cavaleiro, ergui-me
“Caminha até ele e derrota-o”
ordenou-me minha senhora
“Avança, luta e vence”

Antes tinha eu morrido
dum golpe de espada terrivel
daquele que era meu inimigo
mas minha senhora ordenara e
Avancei, lutei e venci

“Não morra nunca mais…”
Como desobedecer tais palavras?
minha espada não mata, fulmina
meu escudo não protege, domina
Avanço, luto e venço

Não ignoro aqueles olhos
Tenho-os em mente quando luto
Não vejo armadura, ferro, aço
Vejo olhos azuis perolados
Avancemos, lutemos, vencemos

Tenho no corpo um demônio-fúria
Na alma tenho um deus da luta
mas bate no peito um amor servil
minha senhora, a chamo, assim
Avançamos, lutamos, vencemos

Mesmo que doa, mesmo que morra
Dói o corpo? Dói. Sangra a alma?
Sangra. Há lágrimas nos olhos
Naqueles olhos! lágrimas!
Avançais! Lutais! Venceis!

E da sombra do teu estardarte
Luto. Enfrento Deus e o mundo.
Não temo a morte, que não ouso
Morrer sem proteger-te, por isso
Avançarei, lutarei e vencerei…

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Caramba… Procurei uma imagem pra postar junto, mas não achei.
Enfim, é um poema meio antigo, mas faz tempo que quero postar e faz tempo que ando postando só Prosa.
Preciso de um pouco de poesia.
Não tenho muito o que falar. Hoje o dia foi uma droga e eu quero ir deitar :/


Mulheres

Andei por aqui e por ali e me deparei com um pensamento que sempre tive, claro, mas nunca o encarei.
Minha fascinação pelo feminino.
Ah! Aposto que algumas mentes pensarão que sou homossexual e eu digo: Não sou.
Se fosse, falaria. Eu não vejo problemas em ser e assumir que é.
Mas não vejo beleza no masculino… Não vejo graça nos homens em geral, eles não me atraem como as mulheres me atraem. Fico fascinado pelo jeito como elas podem mudar o clima do ambiente ambiente apenas com a sua presença. Sua doçura e gentileza são uma luz no mundo negro e chuvoso.
Sempre admirei as mulheres, por muitos motivos. Vide o exemplo da minha mãe, mesmo cheia de problemas não desiste e ainda permanece de pé, não diria inabalável (essa á uma palavra masculina demais pra situação) mas serena. Eu teria me desesperado. Eu me desesperei. “Como ela pode ficar tão calma!?”
Hahaha… Eh…
Sou apaixonado pelas mulheres, e quem me conhece sabe que isso é verdade.
E vi um poema hoje que me deu vontade de escrever um poema sobre isso.
E assim o fiz.

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Mulher

Rafael Rabelo

A mulher caminha, distante
E eu, figura infante
admiro o jeito que caminha
Suave, belo e com rima

Ela sorri e eu delíro
Um sorriso que merece
De todo o mundo, os lírios
Que sorriso será esse!?

Ah, Mulher, não faça isso!
Assim, ajeitando o cabelo
E olhando pro céu, eu morro
E se me esboça um riso…

Se ela suspira, não resisto
É brisa, é perfume, é baton
Na idéia que tenho, persisto
Preciso pinta-la, escreve-la

Se ela ri, se ela chora
Se briga, se me ignora
Ela é bela
porque é ela

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Eu sei que as mocinhas não gostam disso. Moças não gostam de ser idealizadas. E eu nem demonstro isso mais pras mulheres que eu conheço. Mas eu sou assim, na minha alma, romantico e idealizador por natureza.
Mas me expressei mal, claro que gostam de ser elogiadas e divinificadas, mas não ficam com quem faz isso. Não.
Os caras de bombons e rosas na mão ficam sozinhos.
(Por isso nem faço mais essas coisas)


Pra uma Deusa…

deusa2.jpg

Ana Déesse

Rafael Rabelo

Teus olhos castanhos
De um mel escuro e adocicado
Teu rosto fino
com ar de graça fina elevado
Seu cabelo claro castanho dourado e aveludado
todo liso, solto
curva o vento, não é curvado

o corpo magro
nem alto, nem baixo, perfeito
de seios nem tão fartos
misteriosos e talvez sagrados
nem pequenos
de um formato belo demasiado.
E um umbigo escondido
e ventre liso
Outro secreto de novo mantido

com boas coxas
que por sí só mereceriam rosas
usando jeans geralmente
que de um aperto sufocante
deixa de ser casto e passa a ser
sensual, não extravagante

os pés leves
De anjo pisando em nuvens e algodão
suaves e magrinhos
pedindo um carinho, um coração
Acompanham os passarinhos
em um voo vespertino

E o caração dela
um mistério sem fim
Que não sei como bate, por quem bate
mas a meloodia me faz querer cantar
abraçar, beijar, implorar
um abraço, um beijo, um suspiro!
que de tão belos, valeriam o mundo.
.

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Sinto falta de um coração e fome de um amor…
Minha lucidez é que me enlouquecesse! É como se o mundo se virasse de repente pra me dar um susto e eu tivesse um vislumbre de quem eu sou. E não me importasse. Me sinto tão frio e tão sem graça…Há tempos que não escrevo qualquer coisa que preste e é essa minha fraqueza de espirito que me dá uma força que chega a ME vencer! De alguma forma encontrei uma pedra no caminho que me fez tropessar e estou tão confuso que SEI exatamente onde estou…