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Eu te possuo

Você me pertence de várias maneiras.
É minha em teu sorriso sincero e
no teu choro soluçado de tristeza.
Te possuo em tudo que é sinceramente teu.

Tal como as coisas possuem as pessoas, eu te possuo.
É minha como as ferramentas possuem o artesão
(contestável a utilidade do escultor sem seu cinzel)
Te tenho como os objetos roubados tem seus ladrões
Convidando-os sorrateiramente à levá-los embora.
Te possuo tal qual nossos sentimentos nos possuem
Louco de amor, dominado pelo medo, levado pela felicidade.
Me pertence pois te roubei há tempos atrás
Como os sonhos nos roubam de nós mesmos sempre que sonhamos

Te tenho de todas as maneiras possíveis de te possuir.
Como eu possuo braços, pernas e coração.
Te tenho como tenho sonhos, filosofias, ideais.
É minha como o mundo é meu, como minha casa, como o ar.

Você me pertence como a felicidade me pertence,
Não como direito, nem conquista: simplesmente está lá.
E acima de tudo: Te possuo como você me possui.
Como você tem pés, mãos e coração.

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A pequena flor

A flor é pequena e nova
Vagorosa, não tem pressa
Mas também não se demora
Tem seu tempo, sua hora
Rompe o bulbo e se flora

Lentamente espledorosa
Diminuta, não se apavora
Não há quem apresse a flor
Ainda é miuda agora
Luta, florzinha, luta!

De uma cor a outra, se supera
à pequena flor,  aquerela
Ganhando vida, se embeleza
Teu tamanho é tua  promessa
De serena doçura e ternura
Num mundo enorme de amargura.


Poesia d’Amore Perfetto

Princesa, princesa minha,
Doce amada e desejada.
Teu cabelo, minha barba
Teus olhos de mel lambusada.

Doce sorriso terno e gentil:
Tenra inocência infantil.
Minha pequena, meu tesouro
Meu amor e meu ouro.

Teu cavaleiro aqui jurado
pra lhe salvar de teus amargos medos
E proteger de teus receios.
Roubar teu coracao e enamorá-lo

Os dias com morangos gelados,
As noites com o calor abafado.
Os toques secretos, olhares roubados:
Segredos jamais revelados.

Minha confidente, minha sina
Pequena Princesa amada minha,
De terrível bravura determinada,
Cheia de raiva e furia, se provocada

De triste beleza tocada
Carente, desajeitada,
Deslocada: pelo mundo ignorada
Mas jamais por ele derrotada.

E no calor de teu forte espírito
Me encontro bem aquecido,
Nas noites de frio, desprotegido
Teu toque sincero está comigo.

Caminha comigo pela vida, princesa
Te protejo, e do mal te  resguardo,
Serena donzela para mim perfeita,
Senhora do meu triste coração quebrado,
Por ti conquistado e consertado.

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Claro, pra minha namorada linda que eu amo tanto, Lais Mastelari.
Faz muito tempo que não escrevo algo exclusivamente dedicado, ahco que quer dizer alguma coisa neh?
Ela fez mais do que me trazer do fundo do poço negro e úmido, ela cuidou de mim e me aceitou.
Me aceita.
Eh amor. 
E eu a amo mais do que tudo.


Abandonar

Desmerecedor do sorriso de qualquer pessoa, ele seguiu seu rumo. Não era algo pessoal, as coisas não chegavam a esse nível de intimidade há muito tempo, era simplesmente inevitável. Era óbvio que era assim que as coisas deveriam ser.
Ele abandonava as pessoas, ou ela as abandonaria.
Não que elas fugissem dele, como ele fugia delas, não… Longe disso. Algumas sentiam verdadeira amizade por ele, verdadeiro carinho, mas o abandonavam.
Abandonavam por que carinho e amizade não eram as coisas que ele queria, vejam bem: amigos eles já tinha DEMAIS.
Ele queria algo diferente, novo, e ao suprir somente essa amizade por ele, caiam na mesmice e no comum e o abandonavam.
Claro que a grande maioria simplesmente jamais o procurava de novo. Esses o abandonavam no sentido mais literal.
Para evitar que o abandonassem, em qualquer sentido que fosse, ele ia embora.
Quem visse do jeito que é agora, jamais diria como ele já tinha sido um dia. Praticamente viva dos outros, se alimentando da conexão que se formava quando se conheciam e se nutrindo de cada palavra, sorriso e gesto de carinho. Mas então o abandonavam, o jogavam às traças da continuidade da vida.
Ele queria formar um laço e nele permanecer pra sempre, mas era contra o espirito de sua época, forjado de relações superficiais e sem sentido, cheio de “Olá! tudo bem? Tudo bem comigo também. Novidades? Não tenho nenhuma também.”
Ele partia para evitar que suas relações chegassem ao poço da estagnação, que do seu ponto de vista era quando o abandonavam.
Abandonava para não ser abandonado.
Claro que ele pensava nas pessoas que talvez, somente talvez, não o abandoriam.
Pensava demais nelas, e era elas que faziam ele continuar seguindo seu rumo.
Um dia, em seu sonho, ele encontraria alguém que se recusaria a ser abandonado. Alguém que lutaria por sua presença e por seus laços.
E somente essa pessoa valeria todos os que ele havia deixado pra trás. E valeria mesmo.


Bebedeira de madrugada

Cá estou eu, três horas da manhã, bêbado de sono e semi-sonhos e pesadelos, me sentindo triste de novo.
É, me sinto triste, mas não por que você não está aqui comigo – quero dizer, isso me deixa triste mas não é essa tristeza que estou ruminando – mas pelo simples fato de temer a superação da sua falta. Entenda que eu não faço essas coisas por mal, é assim que eu sou, é assim que o mundo me construiu: nada me fere por muito tempo.
Eu vou assimilando as dores, vou compreendendo suas origens e inconscientemente eliminando as causas, tudo parte de um grande sistema de auto-defesa que daria inveja à um exército. Uma linha de frente, artilharia pesada, distrações, armadilhas, guerrilha, tudo isso acontece na minha mente quando algo me fere, tudo pra buscar soluções e tentar não sentir mais dor.
Estar aqui, bêbado de pensamentos sobre isso é a prova absoluta, e se fosse uma situação diferente eu estaria me convencendo a parar de pensar em você ou a me entregar de vez ao conformismo da ausência. Só não faço isso por que seria triste se eu conseguisse, e como seria triste. Então estou aqui, lutando contra meus próprios sistemas, contra minha própria segurança e tentando não ficar bem com a sua falta, não me acostumar com ela como eu costumo fazer tão bem para superar a ausência daqueles que me abandonaram, e no fim por mais que eu tente não lutar contra mim mesmo, lá estou eu, nos dois cantos do ringue. De um lado eu sou fraco e estou cansado, pesando cinquenta e poucos quilos, do outro eu sou durão, pesando noventa quilos de pura desilusão e força.
Mas… Força?


Perfume

Seu cheiro é tão bom, ela disse
É o perfume, ele respondeu.
Não, mas tem alguma coisa sua nele.

E o mundo dos cheiros nunca mais foi o mesmo pra nenhum dos dois.

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Roubei a frase da minha namorada e coloquei ela numa situação mais poética. Mas o crédito é todo dela. ^^


Amantes

Houve no mundo, algum dia
Duas pessoas solitárias, saudosas
De amor jamais correspondido

Sozinhas, enfretavam o frio do mundo
Juntos caminhavam separados
Trilhando caminhos paralelos
Se encontrando somente no infinito.

Sentiam-se incompletos
Na busca de um Graal mais mítico
De verdadeira compania.
Porém, seus quartos eram celas,
Teus livro, masmorras,
E tudo os prendia.

No entanto, o destino,
Apesar de trágico fim à ambos
Ter destinado, comovido,
desfez o seu trato com a morte
E num impulso, uniu-os,
Garoto e garota,
De corações machucados,
Olhos vermelhos molhados

Distantes, se reconheram
Evasivos, se aproximaram
Hesitantes, se beijaram
E num rodopio, se apaixonaram

Se bebiam um no beijo do outro
Sedentos e famintos
Como quem nunca havia comido
Dançavam, sorriam, amavam
Eram eles sendo todo o conjunto
E a falta era o suplicio

A cama de um, sem o outro,
era maior que o mundo:
A ausência doía e machucava,
era o constante ranger de dentes.
Por isso se buscavam sempre
Um toque, um beliscão, um carinho

Mas o coração agora, leve
Aereo, sereno, vibrante
Não mais preso, não mais distante

Não mais amar ou ser amados
E sim, amantes.

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E isso é só um prelúdio. 🙂