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Belo imperfeito

Eu sou naturalmente perfeccionista, daqueles chatos que vivem criticando tudo e todos, inclusive a si mesmos. Devo a minha gastrite a isso, em partes. Quando erro algo, quando falho, quando não consigo, eu me martirizo tanto… A maioria das pessoas nem sabe.
Mas eu estou lá, dando chibatadas em mim mesmo com a minha mente.

Porém, eu sei que é o imperfeito que é belo. Nunca, nem mesmo que eu era a criança isolada sem amigos, eu acreditava que a perfeição fosse a resposta pra algo, sempre soube que ela era a morte.

A beleza das coisas incompletas, a dor que elas causam, a constante lembrança que elas proporcionam, isso não existe nas coisas perfeitas. Elas logo são esquecidas, dadas como prontas, e a mente humana mira sua ambição e sua sede para algo que possa terminar.

Talvez se questionem “pra quê ele é perfeccionista então?” e eu então deixarei claro: Por quê a morte das coisas me atrai.


Perfume

Seu cheiro é tão bom, ela disse
É o perfume, ele respondeu.
Não, mas tem alguma coisa sua nele.

E o mundo dos cheiros nunca mais foi o mesmo pra nenhum dos dois.

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Roubei a frase da minha namorada e coloquei ela numa situação mais poética. Mas o crédito é todo dela. ^^


Amantes

Houve no mundo, algum dia
Duas pessoas solitárias, saudosas
De amor jamais correspondido

Sozinhas, enfretavam o frio do mundo
Juntos caminhavam separados
Trilhando caminhos paralelos
Se encontrando somente no infinito.

Sentiam-se incompletos
Na busca de um Graal mais mítico
De verdadeira compania.
Porém, seus quartos eram celas,
Teus livro, masmorras,
E tudo os prendia.

No entanto, o destino,
Apesar de trágico fim à ambos
Ter destinado, comovido,
desfez o seu trato com a morte
E num impulso, uniu-os,
Garoto e garota,
De corações machucados,
Olhos vermelhos molhados

Distantes, se reconheram
Evasivos, se aproximaram
Hesitantes, se beijaram
E num rodopio, se apaixonaram

Se bebiam um no beijo do outro
Sedentos e famintos
Como quem nunca havia comido
Dançavam, sorriam, amavam
Eram eles sendo todo o conjunto
E a falta era o suplicio

A cama de um, sem o outro,
era maior que o mundo:
A ausência doía e machucava,
era o constante ranger de dentes.
Por isso se buscavam sempre
Um toque, um beliscão, um carinho

Mas o coração agora, leve
Aereo, sereno, vibrante
Não mais preso, não mais distante

Não mais amar ou ser amados
E sim, amantes.

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E isso é só um prelúdio. 🙂


Tempus Fugit

Eu observo o mundo
Que se movimenta:
Rápido, súbito.
Nem se importa
Não me espera.

O tempo foge de mim,
corre, se esconde.
O tempo escorre
das mãos como areia.
em uma ampulheta.

Essa terra, essas pessoas,
tudo estará aqui depois que eu me for: o tempo não cessará.
Teus filhos ainda nascerão
E a vida prosseguirá,
Alheia à mim, alheia à ti
Pois o tempo jamais para.


Morrer

Morremos todo dia, toda hora. Morremos ao sair de um banho, morremos ao aprender uma música nova.
Morremos a cada minuto, a cada instante que percebemos algo novo, que aprendemos, que mudamos. O que éramos, morreu. A morte aguarda cada esquina, cada abrir de porta, não a morte física, mas a morte de uma parte de nós, um pedaço do nosso consciente ou inconsciente, desejável ou não.
Com o passar dos anos, não morremos vagarosamente de velhice, não. Morremos a cada data nova, a cada reencontro ou perda. Morte definitiva e total, o novo rearranjo de coisas que sei agora constitui outra pessoa que não eu de cinco minutos atrás. Aquela topada na mesa me matou, aquele aperto de mão também, até mesmo aquele abraço, até mesmo o beijo.
Já não é mais o que era e o que era não existe mais, então morreu.


Acredita

Acredite em mim quando digo que te amo, sem nunca te ver.
Sem nunca te tocar, sem nunca sentir teu cheiro. Acredite, eu imploro.
Meu amor não precisa de imagens, de sabores ou cheiros.
Meu amor não se sustenta em coisas efêmeras ou transições.
Não precisa de espaço, tempo ou matéria.
Ele existe no plano das coisas eternas, das coisas grandiosas: meu amor é a única coisa que me engrandece.
Não dúvide das parcas palavras, das coisas que escrevo de mãos trêmulas.
Meu amor por ti tem a sinceridade das coisas que vencem as distâncias, que surgem apesar das faltas e das ausências.
Por favor, então, não dúvide.
Não desacredite do amor sincero que te entrego, não questione a veracidade de algo tão improvável, pois se te digo, é por que é a verdade.
Porém, não me julgue por tolo. No fim somos escravos das circunstâncias, então não peço que me retribua.
Só que acredite, só peço isso e somente isso.

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Texto romantico!
Isso é raro por aqui, ultimamente. Textos assim, eu digo, exclusivamente romantico.
Não sei por que escrevi… Acho que andei inspirado.

Deve ser verdade, pq tenho centenas de milhares de rascunhos. (/exagero) 😛

Enfim, só pra mostrar, como eu gosto de mostrar as vezes, que eu ainda sou capaz de escrever um texto sobre amor so fucking good. \o/


O Monstro sem nome

Por Rafael Rabelo

Dentro de mim há um monstro,
Maligno e sádico, porém cativo.
Não permito que ele saia, o acorrento
E no escuro ele jaz, paciente…

Em momentos de fúria, ou indignação
O monstro se alimenta, se fortalece.
E sorridente, força a saída de sua prisão,
Mas não consegue, e aguarda…

Agora estou aqui, vendo TV,
Mas a programação é irrelevante
O que se passa na minha mente
É que é interessante.

A jaula e prisão do Monstro
Que vive dentro de mim
Se esvaiu em pó, porque permiti
E agora eu luto contra ele!

Minha gastrite me consome,
minha garganta queima,
meus olhos lacrimejam:
E ele vence.

Meu coração fraco, minha alma
Ferida. E meu espírito abalado.
Um sorriso, uma sensação nova.
Finalmente ser o que eu quiser.

Dentro de todos nós há um monstro,
algo que não queremos ser, que recusamos
Mas que faz parte de nós tanto quanto
Nosso coração, alma, espírito.

Estes monstros não possuem nomes
Não são vampiros, lobsomens ou múmias
Fantasmas, demônios ou mortos-vivos.
Somos nós,
Somente nós mesmos.

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Meio dark, não?
Quem me conhece entende bem esse poema… Mas, poucas pessoas me conhecem, então o que fazer? 😛

Antes eu explicaria, hoje eu deixo o mistério…

Au revoir