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Legião Urbana

Legião Urbana fez a minha infância e adolescência. Acho que bem mais do que isso… Suponho que a banda me fez ser o ‘ser pensante’ que sou hoje. O meu apelido, afinal, vem de um apelido do Renato Russo em sua primeira tentativa de carreira solo.

Legião Urbana é uma banda bem conhecida no Brasil, então por que fazer um review dela se todos já conhecem? Por que eu quero, e por que 90% das pessoas que eu conheço, conhecem Legião Urbana como eu conheço Música Eletrônica, escuto, gosto, mas não compreendo… Ah sim, e por que dia 27 de março foi aniversário do Renato Russo. Faria 51 anos de vida…

Então, lhes re-apresento: Legião Urbana!

A Legião Urbana surgiu em Brasilia como a maioria das Bandas de Rock Brasileiro da decada de 80, em um contexto pós-punk nos Estados Unidos, o país começava a ser influenciado e a criação de bandas de rockeiros querendo imitar seus grandes ídolos era uma consequencia natural, o que não era natural era um nome, ou um nome e um apelido: Renato Russo.
Eu não vejo a Legião Urbana como exclusividade de seu vocalista, mas convenhamos, ele tinha uma alma artística apuradissima. Vindo de uma tentativa de uma banda punk chamado “Aborto Elétrico” e uma tentativa de carreira solo como “Trovador Solitário” abrindo show de outras bandas maiores, Renato se juntou à outros três jovens pra formar a derradeira banda:

Renato Russo -> Letras e Vocais
Marcelo Bonfá -> Percussão
Dado Villa-Lobos -> Guitarra
Renato Rocha -> Baixista

Porém, em algum momento Renato Rocha deixa a banda, deixando o famoso trio.

Engana-se muito quem acha que esses, e os outros rockeiros brasileiros dessa época (hoje pode ser diferente) seguem o esteriótipo de roqueiro rebelde sem causa. Eles tinham uma causa sim, ah se tinham. Era quase o fim da ditadura militar e a liberdade de expressão começa a engatinhar, e eles? Eles eram jovens, cultos e revoltados. Isso é o rock’n’roll brasileiro.

Querem exemplos? Darei.

Uma análise rápida dos albuns, tanto em seu conteúdo quanto seus easter eggs, já mostra que o nível cultural deles estava em outro patamar: Todos os CDs (com exceção do último) vinha com a expressão em latim “Urbana Legio Omnia Vincit” que em sua traduação significa “Legião Urbana vence tudo”, uma referência direta às legiões romanas, de onde o nome da banda foi retirado.
Renato Russo, que escrevia as letras, era extremamente influenciado por escritores modernistas como Drummond e Fernando Pessoa, por filmes muito cult’s como L’ârg D’or (e possui uma música da banda, com o exato mesmo nome)

Fora isso, cada CD da Banda foi feito para passar um sentimento.

Legião Urbana, o primeiro CD da banda é o mais Punk e Agressivo, com músicas como Geração Coca-Cola, O Reggae e Soldados, criticando tanto o país quanto os país.

Dois, o segundo CD, era completamente diferente, bem lírico e poético, sem deixar de lado o Rock: Andrea Doria, Tempo Perdido, Música Urbana 2.

Que País é Este?, por sua vez, trazia uma calma crítica e mostrou de vez a cara da banda: nós somos rockeiros, criticamos, mas também somos artistas. A banda trazia músicas como Que país é este? Conexão Amazônica e Faroeste Cabloco, grandes obras de arte que eram um retrato e uma denuncia do que acontecia no país.

As Quatro Estações, direcionava as coisas para um lado mais ético e moral, e passa uma sensação de esperança e quase espiritualidade, com cada vez mais Renato Russo levando a banda para letras poéticas. Nesse CD ele transforma em música um trecho de um soneto de Camões: Monte Castelo, uma verdadeira obra de arte.
O album reflete coisas como amor, compaixão, disciplina, com músicas como Há tempos, Quando o sol bater na Janela do teu Quarto e Pais e Filhos

V, o quinto CD da banda, foi… Especial. Por várias razões: Foi quando Renato Russo se descobriu infectado pelo vírus HIV. É um album semi-depressivo, e passa uma sensação de dor. Ele foi feito durante os Anos Collor e, como sempre é um retrato da época pela qual o país passava. Conta com músicas como Vento no Litoral, a Montanha Mágica, e Metal contra as Nuvens.

O mítico CD duplo Música para Acampamentos, um album um pouco tenso e repleto de críticas, com músicas como Índios e A Canção do Senhor da Guerra. Um album que, como o nome mesmo diz, criticava a própria industria da música com um conjunto de músicas de se fazer pensar: Baader – Meinhof Blues, Fábrica, O Teatro dos Vampiros…

O Descobrimento do Brasil, um algum mais alegre e sereno, mais leve. Há quem diga que Renato Russo estava conformado com a Aids quando pensou nesse album, que vem repleto de músicas melodiosas, cheias de nostalgia e resignação como em Giz e Love in afternoon e Só por hoje.

O último CD da banda, como banda A Tempestade: um album extremamente tenso e depressivo. Renato Russo morria e a doença o matou um mês depois do disco ser lançado. Músicas como A Via Lactea e Dezesseis faziam chorar os fãs, pois era obviamente Renato Russo se despedindo.

Houveram outros CD e outros materiais lançados após o fim da Legião, declarado pelos dois integrantes após a morte de Renato Russo. Atenção especial para Acústico MTV e o CD póstumo Uma Outra Estação. Bons CDs, MUITO bons como obras de arte, mas carecem de alma como a dos outros. Do CD póstumo destaque para Clarisse, A tempestade e As flores do mal.
De qualquer forma, extramente importe ressaltar que a banda influenciou não só o que eu escrevo, mas tudo o que eu sei e o que eu sou. Hoje obviamente tenho muito mais referências, mas Legião Urbana continua sendo a maior e sempre vai ser a maior. Eu sou muito fiel ao que eu fui, e ler um “Força Sempre”, um dos bordões da banda, sempre me motiva.

Enfim, espero do fundo do meu coração que você que leu tudo isso entenda…

Escute no Volume Máximo.


Sandman

Lhes apresento Sandman

Sandman é uma obra-prima.
Entenda.
Obra-prima.

“Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.”

Foi publicado de 1988 a 1996 e conta com 75 edições. 75 lindas edições.

Escrita por Neil Gaiman, consagrou o autor como um mestre na arte dos quadrinhões, e é vista como uma das séries mais cults, com tantas referências à outras obras que seria insano citar as diversas obras de shakespeare, de goethe, as várias releituras de vários mitos e histórias.

Porque Sandman é isso. Uma história sobre histórias.

A história de Sonho.

O diferencial é que Sonho, nesse caso, é um personagem. Esse Sonho é um dos sete perpétuos, uma personalização de um aspecto do universo, a capacidade de sonhar coisas boas ou ruins que toda criatura viva possui.
Ele também pode ser conhecido por Sandman ou Morpheus em diversas fábulas no universo da HQ, é o protagonista na maiora das histórias, então tente ver o quadrinho como um emaranhado de histórias que se relacionam de diversas maneiras diferentes, com diversos ângulos e pontos de vista diferentes, pois a HQ parte do príncipio que Sandman e o seu aspecto (o sonho) é a origem de todas as histórias, é o suprassumo da imaginação humana: Portanto contar a história de Morpheus é contar diversas histórias.

Os outros perpetuos, Destino, Morte, Desejo, Destruição, Desespero e Delírio também contam com algumas histórias nas quais protagonizam, assim como os diversos personagens que acompanham O Senhor dos Sonhos em suas aventuras no mundo mortal (ou não), como o corvo reencarnado Mathew ou Lucien, bibliotecario de uma biblioteca de livros que os escritores pensaram em escrever, mas jamais escreveram.

Enfim…

Gaiman não criou um quadrinho, ele REINVENTOU a realidade.

Eu não preciso dizer que sou completamente subjetivo no que se diz a respeito de Sandman, é o quadrinho com que mais me identifico. Mas veja bem, a influência dele no que eu escrevo é mínima, foi irrisória, por que SEMPRE esteve lá.

Acho que não existe personagem com que eu me identificasse mais do Morpheus, o senhor de Sonhar.

Uma figura sombria, de cabelo revoltoso, pálido, magro, extremamente comprometido com seu trabalho e romanticamente frustrado. Poderoso ao mesmo tempo frágil. De temperamente difícil e incompreendido.

Várias cenas nesse HQ são clássicas, como o encontro de Sandman com sua irmã mais velha e super cool Morte, ou a batalha de Sandman contra um demônio, ou ainda quando Sandman ‘resolve’ enfrentar Lúcifer no inferno.

Sandman (que pode ser traduzido como “Homem de Areia”) vem do mito que existe uma criatura que visita as crianças a noite espalhando areia em seus olhos para fazê-las dormir. Esse personagem (Sandman) existe MESMO no folclore inglês, e algumas de suas facetas (como Morpheus, grego) também existem. Aliás, a imensa maioria das criaturas citadas nas HQ existem nos folclores de diversos países, e a genialidade de Sandman não é só criar o personagem e coloca-lo num mundo “concreto” e sim relacionar todos esses mitos de uma maneira que faça sentido de alguma forma insana.
Sem contar que Sandman revolucionou o conceito de Morte. 😀


Pulp Fiction

Pulp Fiction é um filme perfeito.
Por isso vou começar a série de resenhas de filmes por ele.

Sinopse – Pulp Fiction

São apresentadas três histórias de forma não cronológica. Em uma, aparecem Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson), que são dois mafiosos com a missão de fazer uma cobrança a mando do chefe, Marsellus Wallace (Ving Rhames). Em outra história, Vincent deve levar Mia Wallace (Uma Thurman) – mulher de seu chefe – para se divertir enquanto ele viaja. Por último, é contada a história de Butch Coolidge (Bruce Willis), um pugilista que foi comprado por Marsellus para perder uma luta, mas não cumpriu sua parte no acordo e agora precisa fugir do mafioso.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pulp_Fiction

Dirigido por Quentin Tarantino, um dos grandes jovens mestres do cinema contemporâneo e atuais grande estrelas do Cinema como John Travolta, Samuel L. Jackson, Ving Rhames, Uma Thurman, Maria de Medeiros e Bruce Willis, em uma época em que a maioria deles nem era tão conhecida assim. O filme se consagrou como um clássico entre os filmes cults por abordar temas extramente atemporais de maneira bem “verdadeira”, como o uso drogas, a violência e influência do crime organizado, porém de uma maneira nada convencional nos filmes de hoje (nem mesmo da época), de maneira dramática, misturando ação, violência, romance e aventura, com uma pitada de comédia.

E quando eu digo verdadeira, quero dizer bem próxima do real, com personagens que chingam quando se fodem, que buscam vingança, que são egoístas, que podem mudar quando um milagre acontece. O personagem de Samuel L. Jackson, por exemplo, depois de quase morrer em um tiroteio no qual milagrosamente não foi atingido por nenhuma bala, passa a tocar órgão em uma capela do interior, isso fica subeentendido em Kill Bill. Aliás, o filme é cheio de detalhes reaproveitados em outras obras do Diretor, tornando ele muito rico pra quem é fã de seu trabalho.

Há vários boatos de que Tarantino na verdade escreveu os roteiros pensando nesses detalhes.

Como o fato de Uma Thurman ser uma atriz atiradora de facas e em Kill Bill ela ser… Uma atiradora de facas.
Ou de que existem um Vicent Vega em Pulp Fiction, e um Vic Vega em Cães de Aluguel.

Detalhes de intertextualidade que me fizeram ver e rever os filmes do diretor, e que enriquecem as obras como um todo. Torna ver os filmes do diretor uma grande caça à easter eggs!

Tudo isso é explicado no delicioso curta metragem com o Selton Mello e o Seu Jorge, que eu apresento depois do jump.

Várias cenas de pulp fiction foram imortalizadas da maneira que só o cinema sabe fazer.
Como a famosa dança de Travolta com Thurman, e a que segue abaixo:

Curta de Selton Mello e Seu Jorge:


Hellblazer

Pra estrear a parte de resenhas sobre comics, Hellblazer!

O quadrinho conta a história de um britânico de quase 40 anos (no começo do quadrinho, depois ele vai envelhecendo, o que eu acho demais!), loiro, de fala mansa e sedutora, bruxo e conhecedor de todas as artes místicas possíveis.

Senhoras e senhores, apresento-lhes John Constantine!

Não, não o Constantine do filme “Constantine”, aquele filme foi um insulto ao verdadeiro Constantine. Tirando duas ou três cenas particularmente “Hellblazer style”, o filme não seguiu a linha do personagem de maneira alguma.
Claro que se o filme fosse como o quadrinho… Talvez houvesse uma certa crítica em cima…

Por quê, vou te dizer uma coisa sobre esse personagem criado por Alan Moore, não mexa com ele.

O Constantine, o verdadeiro Constantine dos quadrinhos, é temido e respeitado no mundo do sobrenatural como um bandido perigoso, alguém com quem você não iria querer mexer caso encontrasse na rua. Sempre metido em alguma coisa ilegal ou moralmente questionavel desde criança, Constantine nunca teve muito afeto pelas regras de qualquer natureza, nem mesmo as de sua realidade como bruxo, por isso é tão temido, há poucas coisas que sejam ditas proíbidas que o velho John já não tenha feito.

Entendam, ele não é uma má pessoa, de verdade. Ele poderia ajudar alguém que viesse pedir ajuda pra ele e já salvou o mundo incontável vezes, além de estar sempre disposto a fazer o que ele acha que é certo fazer, principalmente pelos seus amigos, como no arco Boas Intenções (que na minha opinião expressa o suprassumo dessa parte da personalidade dele). O grande problema é que nem tudo sai como ele planeja e na maioria das vezes, alguém morre. E ele se sente culpado depois.

Sim, a crise moral interna dele é profunda, em quase todas edições. Quando ele não vê os fantasmas dos amigos que ele matou ou deixou morrer, ou que morreram por causa dele (que são muitos, por sinal) ele se destrói com bebidas e cigarro. Pode se dizer que ele vai fumando e fumando até se destruir…

Porém, no fim das contas, ele não quer se destruir. Em Hábitos Perigosos, você pode reparar nesse conflito dele, nessa questão de “Estou me destruindo mas não quero morrer” e também no dilema da existencia de John, fazer de tudo para sobreviver foda com que foder, e ao mesmo tempo se importar muito com as outras pessoas.

Não vou entrar em detalhes da história, pois muita coisa se relaciona e contar uma coisa pode ser um spoiler depois. Apesar de Alan Moore ter escrito o primeiro arco da história, outros escritores renomados continuaram seu trabalho, ou seja, a arte não é linear nem mesmo a história segue um padrão fixo, apesar dos autores sempre darem um show na hora de entenderem o velho John. O quadrinho também possui diversas referencias ao universo da DC e da Vertigo.

Não é minha HQ favorita apesar de ter me influenciado bastante, mas é a primeira das resenhas porque ainda está em publicação, sendo considerada a comic com mais números públicados interruptamente da história, contando com cerca de 270 números até agora. Ou seja, se você quiser começar a ler, melhor começar AGORA. 😛

PS. não preciso dizer que é indicado para leitores com maturidade, certo?


Fotografias

“A fotografia, antes de tudo é um testemunho. Quando se aponta a
câmara para
algum objeto ou sujeito, constrói-se um significado,
faz-se uma escolha,
seleciona-se um tema e conta-se uma história,
cabe a nós, espectadores,
o imenso desafio de lê-Ias”

-Ivan Lima

Eis algumas fotos que marcaram o mundo.
As fontes são variadas e diversas, por isso não citarei todas. A maioria das fotos daqui nos remetem a tragédias e acontecimentos tristes, mas na minha modesta opinião, essas fotos são as melhores.

Elas nos fazem lembrar daqueles que partiram e nos obriga a nos revoltarmos com a condição do mundo. Fotos belas nos encantam e nos fascinam, mas nos destraem na maioria das vezes.

Conforme eu for encontrando mais fotos, eu atualizo a galeria! 😀

Qualquer sugestão é claramente bem-vinda.


Portinari

“O alvo da minha pintura é o sentimento.
Para mim, a técnica é meramente um meio.
Porém, um meio indispensável.”

-Candido Portinari

Resumo da Biografia

Candido Portinari nasceu no dia 29 de dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodoswki, no Estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária de desde criança manifestou sua vocação artística. Aos quinze anos de idade foi para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1928 conquista o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Vai para Paris, onde permanece durante todo o ano de 1930. Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, Portinari decide, ao voltar para o Brasil em 1931, retratar nas suas telas o povo brasileiro, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo a ciência antiga da pintura a uma personalidade experimentalista a antiacadêmica moderna. Em 1935 obtém seu primeiro reconhecimento no exterior, a Segunda menção honrosa na exposição internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados Unidos, com uma tela de grandes proporções intitulada CAFÉ, retratando uma cena de colheita típica de sua região de origem.

A inclinação muralista de Portinari revela-se com vigor nos painéis executados no Monumento Rodoviário situado no Eixo Rio de Janeiro – São Paulo (na hoje “Via Dutra”), em 1936, e nos afrescos do novo edifício do Ministério da Educação e Saúde, realizados entre 1936 e 1944. Estes trabalhos, como conjunto e como concepção artística, representam um marco na evolução da arte de Portinari, afirmando a opção pela temática social, que será o fio condutor de toda a sua obra a partir de então. Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participa da elite intelectual brasileira numa época em que se verificava uma notável mudança da atitude estética e na cultura do país: tempos de Arte Moderna e apoio do mecenas Getúlio Vargas que, dentre outras qualidades soube cercar-se da nata da intelectualidade brasileira de seu tempo.

No final da década de trinta consolida-se a projeção de Portinari nos Estados Unidos. Em 1939 executa três grandes painéis para o pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York. Neste mesmo ano o Museu de Arte Moderna de Nova York adquire sua tela O MORRO. Em 1940, participa de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de público, de crítica e mesmo de venda (menor das preocupações do Artista…)

Em dezembro deste ano a Universidade de Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor, PORTINARI, HIS LIFE AND ART, com introdução do artista Rockwell Kent e inúmeras reproduções de suas obras. Em 1941, Portinari executa quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, com temas referentes à história latino-americana. De volta ao Brasil, realiza em 1943 oito painéis conhecidos como SÉRIE BÍBLICA, fortemente influenciada pela visão picassiana de Guernica e sob o impacto da 2ª Guerra Mundial. Em 1944, a convite do arquiteto Oscaar Niemeyer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, destacando-se o mural SÃO FRANCISCO e a VIA SACRA, na Igreja da Pampulha. A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries RETIRANTES e MENINOS DE BRODOSWKI, entre 1944 e 1946, e à militância política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidatando-se a deputado, em 1945, e a senador, 1947. Ainda em 1946, Portinari volta a Paris para realizar sua primeira exposição em solo europeu, na Galerie Charpentier. A exposição teve grande repercussão, tendo sido Portinari agraciado, pelo governo francês, com a Légion d!Honneur. Em 1947 expõe no salão Peuser, de Buenos Aires e nos salões da Comissão nacional de Belas Artes, de Montevidéu, recebendo grandes homenagens por parte de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países.

O final da década de quarenta assinala o início da exploração dos temas históricos através da afirmação do muralismo. Em 1948, Portinari exila-se no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel A PRIMEIRA MISSA NO BRASIL, encomendado pelo banco Boavista do Brasil. Em 1949 executa o grande painel TIRADENTES, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho Portinari recebeu, em 1950, a medalha de ouro concedida pelo Juri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia.

Em 1952, atendendo a encomenda do Banco da Bahia, realiza outro painel com temática histórica, A CHEGADA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA À BAHIA e inicia os estudos para os painéis GUERRA E PAZ, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas. Concluídos em 1956, os painéis, medindo cerca de 14×10 m cada – os maiores pintados por Portinari – encontram-se no “hall” de entrada dos delgados de edifício-sede da ONU, em Nova York. Em 1955, recebe a medalha de ouro concedida pelo Internacional Fine-Arts Council de Nova York como o melhor pintor do ano. Em 1956, Portinari viaja a Israel, a convite do governo daquele país, expondo em vários museus e executando desenhos inspirados no contado com recém-criado Estado Israelense e expostos posteriormente em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Neste mesmo ano Portinari recebe o Prêmio Guggenheim do Brasil em 197, a Menção Honrosa no Concurso Internacional de Aquarela do Hallmark Art Award, de Nova York. No final da década de cinqüenta, Portinari realiza diversas exposições internacionais.

Expõe em Paris e Munique em 1957. É o único artista brasileiro a participar da exposição 50 ANOS DE ARTE MODERNA, no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas, em 1958. Como convidado de honra, expõe 39 obras em sala especial na I Bienal de Artes Plásticas da Cidade do México, em 1958. No mesmo ano ainda, expõe em Buenos Aires. Em 1959 expõe na Galeria Wildenstein de Nova York e, juntamente com outros grandes artistas americanos como Tamayo, Cuevas, Matta, Orozco, Rivera, participa da exposição COLEÇÃO DE ARTE INTERAMERICANA, do Museo de Bellas Artes de Caracas. Candido Portinari morreu no dia 06 de fevereiro de 1962, quando preparava uma grande exposição de cerca de 200 obras a convite da Prefeitura de Milão, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava.

Mais em www.portinari.org.br


Van Gogh

“And my aim in my life is to make pictures and drawings,
as many and as well as I can; then, at the end of my life,
I hope to pass away, looking back with love and tender regret,
and thinking, ‘Oh, the pictures I might have made!'”

-Vincent Van Gogh

Resumo da Biografia

Começou a atuar profissionalmente ainda jovem, por volta dos 15 anos de idade. Trabalhou para um comerciante de arte da cidade de Haia. Com quase vinte anos, foi morar em Londres e depois em Paris, graças ao reconhecimento que teve. Porém, o interesse pelos assuntos religiosos acabou desviando sua atenção e resolveu estudar Teologia, na cidade de Amsterdã.  Mesmo sem terminar o curso, passou a atuar como pastor na Bélgica, por apenas seis meses. Impressionado com a vida e o trabalho dos pobres mineiros da cidade, elaborou vários desenhos à lápis.

Resolveu retornar para a cidade de Haia, em 1880, e passou a dedicar um tempo maior à pintura. Após receber uma significativa influência da Escola de Haia, começou a elaborar uma série de trabalhos, utilizando técnicas de jogos de luzes. Neste período, suas telas retratavam a vida cotidiana dos camponeses e os trabalhadores na zona rural da Holanda.

O ano de 1886, foi de extrema importância em sua carreira. Foi  morar em Paris, com seu irmão. Conheceu, na nova cidade, importantes pintores da época como, por exemplo, Emile Bernard, Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin e Edgar Degas, representantes do impressionismo.  Recebeu uma grande influência destes mestres do impressionismo, como podemos perceber em várias de suas telas.

Dois anos após ter chegado à França, parte para a cidade de Arles, ao sul do país. Uma região rica em paisagens rurais, com um cenário bucólico. Foi neste contexto que pintou várias obras com girassóis.  Em Arles, fez único quadro que conseguiu vender durante toda sua vida : A Vinha Encarnada.

Convidou Gauguin para morar com ele no sul da França. Este foi o único que aceitou sua idéia de fundar um centro artístico naquela região. No início, a relação entre os dois era tranqüila, porém com o tempo, os desentendimentos foram aumentando e, quando Gauguin retornou para Paris, Vincent entrou em depressão.  Em várias ocasiões teve ataques de violência e seu comportamento ficou muito agressivo. Foi neste período que chegou a cortar sua orelha.

Seu estado psicológico chegou a refletir em suas obras. Deixou a técnica do pontilhado e passou a pintar com rápidas e pequenas pinceladas. No ano de 1889, sua doença ficou mais grave e teve que ser internado numa clínica psiquiátrica. Nesta clínica, dentro de um mosteiro, havia um belo jardim que passou a ser sua fonte de inspiração. As pinceladas foram deixadas de lado e as curvas em espiral começaram a aparecer em suas telas

No mês de maio, deixou a clínica e voltou a morar em Paris, próximo de seu irmão e do doutor Paul Gachet, que iria lhe tratar. Este doutor foi retratado num de seus trabalhos: Retrato do Doutor Gachet. Porém a situação depressiva não regrediu. No dia 27 de julho de 1890, atirou em seu próprio peito. Foi levado para um hospital, mas não resistiu, morrendo três dias depois.




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