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Orgulho

Rafael Rabelo

É no orgulho que encontramos abrigo
Um refugio do desprezo gratuito
e substituto desse amor maldito
que faz esquecermos quem nos é amigo.

Nos livra do infortúnio e do perigo
E dá a força do ser que acha perfeito
ser do jeito que é, pois, então bendito
seja quem não tem em si um inimigo

Orgulho como origem do amor-próprio
Ama-te a ti mesmo mais que ao teu próximo
distante, que ele faz contigo o mesmo.

Não pecado, mas calor para o frio
de quem está solitário no seu íntimo
pra lutar por si e não caminhar a esmo.

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Soneto do Orgulho!

rsrsrs
E aí, Daniel? Que achou? Valeu a espera?
rsrsrs

Sem imagens pq não carece… Sonetos são fodas.
Um dia vou escrever um só com rimas ricas. Passar uns anos escrevendo ele…

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Meu Melhor Amigo.

POEMA DAS SETE FACES

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

(Carlos Drummond de Andre em “Alguma Poesia”)

Ao desafio proposto pela Canela.

E deixo claro que é honra ter um poema de Drummond escolhido por mim em seu Blog, minha Doce Canela! E que o poema que escolho é o maior em sentidos, tanto pra mim quanto para Drummond, creio.

Beijos e teadoro (parafraseando a Canela, que parafraseou Manuel Bandeira)

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Drummond é meu Mestre, é meu Pai, meu Mentor, meu Melhor amigo de infância… Lia eu Drummond e nem sabia. Achava lindo e não entendia. Pois agora que entendo (ou julgo entender) já não é mais lindo. É algo sem palavras. É a alma das palavras em cada poema.