O escultor e a mulher de barro.

16 05 2009
Carole Feuerman - By The Sea Sculptures

Carole Feuerman - By The Sea Sculptures

Rafael Rabelo

Ninguém o amava. Era esse o pensamento dele e o motivo dessa estória.
Ele pensou que se de certa forma, construisse alguém, fizesse alguém, então esse alguém o amaria.
Era isso o que ele fazia, afinal de contas. Ele esculpia.

Então, certo de que ninguém o queria, resolver esculpir uma mulher, pensou na mais bela de todas e a usou de molde, e a foi fazendo: primeiro os olhos. Trabalhou bastante neles. Queria-os perfeitos. Mais perfeitos que o resto. Fez o nariz como queria que ele fosse nela, discreto. Depois fez a boca ao seu grado, suave e doce. Trabalhou o rosto inteiro durante duas semanas, foi dificil, mas fez até o detalhe dos cílios e das covinhas das bochechas.
Começou o corpo que fez, deveras, escultural. Sentiu-se depravado ao faze-lo, quase que não terminou por vergonha, pois, é obvio, o fez nu, mas trabalhou duro se convencendo de que não estava errado, por ora era uma escultura como dentre tantas outras que ele fizera… Não, não era. Era mais perfeita.
Com certeza mais perfeita.

Levou ao todo mais duas semanas para terminar o resto do corpo e deu atenção especialmente para as mãos, as quais imaginava o afagando e lhe dando carinho. Ela seria dele e somente dele. Para sempre.
Quando terminou e o barro secou por inteiro, comprou-lhe roupas. Mas o tom completamente marrom uniforme a deixava estranha naquele vestido dourado, com pequenos detalhes perolados, aqueles espalhados como gotinhas. Sim, a deixava bizarra.
Comprou tinta e juro que levou um mês até que tivesse a segurança de ter escolhido a tinta certa, no tom certo e que tivesse aprendido as melhores técnicas de pintura da modernidade. Só então pintou-a. Preferiu ela branquinha, não por racismo, mas que lhe encatava a descrição da branca-de-neve e a queria assim, branca como a neve que nunca vira. Os cabelos? Pensou em morenos, mas deixou-os castanhos, pois os tinha feito ondulados e sempre achara que cabelos ondulados deviam ser castanhos. Nenhum motivo em especial. A boca deixou vermelhinha, pois já era veludosa. Foi minucioso em sua pintura. Um trabalho digno de um gênio, diriam. Agora, vestida, era quase uma pessoa de verdade. Faltavam-lhe brincos. Comprou-os. Anéis? Logo em seguida. Enfim, qualquer pessoa que passasse sem prestar a atenção devida comprimentaria o manequim de barro. O escultor então dormia deitado em seu colo, contava-lhe as dificuldades de sua vida, segredava-lhe tudo. Foi então que ocorreu algo misterioso.

Um dia quando voltava do mercado, a mulher-de-barro não se encontrava no lugar costumeiro e o escultor se desesperou, revistou toda a sala, correu para a rua procurando o maldito ladrão que levara o único bem de sua vida e quando voltou havia uma mulher sentada em seu sofá. Seus cabelos esvoaçavam com o vento que entrava pela porta aberta. Tinha cabelos castanhos e uma boca sedosa que lhe sorriu. E ele desmaiou. Acordou deitado no sofá, cheio de perguntas, achando que fora um sonho ou que finalmente tinha ficado louco, mas querendo acreditar que não. E não era isso.
A viu ali, olhando pra ele. Ela piscou… Assim, como gente! E ele quase desmaiou de novo. Perguntou e perguntou, mas ela não sabia responder… Dissera que ouvia cada palavra que ele dizia quando vinha lhe segredar as coisas do mundo, mas era imóvel, disse-lhe que sentia saudades quando partia, que ficava feliz quando voltava, mas que não conseguia mover um “músculo” sequer. Antes era feita de barro, agora era mulher. Eis um dos grandes mistérios da vida. O escultor, claro, nunca esteve tão feliz! Nunca cantou tanto, nunca bradou tanto, ele seria feliz para a sempre com aquela mulher. A mulher de seus sonhos! Logo vieram as festas, vieram os bailes, enfim o casamento e ele era um artista famoso por dar vida as suas obras. Sem contar que a mulher de barro despertava a inveja de muitas outras mulheres, sua beleza era inegualável. Seu olhar rivalizava com o sorriso de Monaliza de DaVinci, de tão belo.
Logo, o escultor começou a ser assediado por fãs escandalosas, estudantes de artes, atrizes de cinema, todas queriam uma escultura, posar para que ele as imortaliza-se, todas queriam um pedaço dele, dariam tudo por ele. E sua mulher lhe sorria e dizia que estaria tudo bem.

Não demorou muito ele tinha mais amantes que Don Juan e vivia uma vida na esbórnia, bebendo e indo em festas com as mais belas mulheres. Vendia suas esculturas a preço de milhões. Depois, um dia, cansado, voltou para a própria casa, tirando ele mesmo os próprios sapatos e as roupas. Se jogou na própria cama e sentiu um prazer naquilo que ele esquecera, mas faltava-lhe algo. Algo que ele não conseguia identificar.
Procurou sua mulher para que esta lhe ajudasse a identificar o que era essa algo que faltava… Não a encontrou. Ficou um pouco exasperado, depois apreensivo e então preocupado.
Chamou a criada, mas a sua mulher já não vista em casa fazia uns dias.

Notou então que o chão estava sujo e amarronzado. Brigou com a empregada, e quase a demitiu, até que ela murmurou baixinho que era descuido dele deixar uma das estatuas na sala, e justo aquela que era tão parecida com a patroa e tão linda, e que era óbvio que ali ela quebraria… Era óbvio que quebraria.

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Para todos aqueles que não dão valor a quem dá sentido à sua vida.





Amor ou Orgulho?

1 02 2009

Foi meu orgulho, não meu amor.

O que eu achava que era ciúmes era asco de ser feito de idiota. Tão puro e somente isso.

Eu fiquei aqui pensado e pensando (coisa que tenho feito muito), caçando motivos para essa dor de amor que a gente sente quando ama e não é amado, quando algo na “fórmula do amor” dá errado… Quando algumas pessoas se entregam da maneira mais linda, doam seus corações quase que de graça, cobrando sorrisos fugazes e um minuto de atenção e nem isso têm.

E sofrem. E sofrem muito.

Primeiro pensei e pensei no porque das pessoas não amarem quem lhes ama. Pensei ser muito incoerente alguém se dar por inteiro a outra pessoa e ser sumariamente ignorado… Pensei isso porque sofri isso. Entreguei-me a uma garota e fui deixado de lado como alguma coisa velha e sem utilidade… Algo entre tantos outros algos dentro de uma caixa.

Mas de repente entendi que se não fosse pelos outros “algos” no mundo, então seria minha vez. Ela não me odiava, só preferia a companhia de outros, então se não fossem pelos outros, seria eu.

Vá lá, era uma coisa óbvia. Aquela coisa de “nem que você fosse a ultima pessoa da Terra” é pura mentira, se fossemos só eu e ela, não haveria escapatória. Duas pessoas sozinhas no mundo ficariam juntas por falta de opção e aprenderiam a gostar disso, porque o ser humano é estranho e aprende a gostar do que não gostava antes, quando não tem outra alternativa.

Mas porque os outros e não a mim? Que tinham eles que eu não teria? Afinal eu praticamente sofro de múltiplas personalidades e podia ser tão bom quanto eles em qualquer coisa que fosse… E mais, seria dela. Eu seria exclusivamente dela. Já eles… Eles a trairiam se aparecesse alguém mais interessante que ela. Eles não eram dela, estavam ao lado dela, mas cantavam outras garotas, olhavam outros rabos de saia assim que ela virava o rosto, e além! Olhavam quando ela estava vendo!

Eis a resposta da minha pergunta: Eles não eram dela.

Fiz uma analogia muito simples: Para qual você daria mais valor? O diamante que será seu, sempre, não importa o que aconteça ou para o diamante que você sempre correrá o risco de perder… Aliás, esse diamante não é propriamente seu, não é de pessoa alguma. Qualquer uma poderá possuí-lo. E então? Qual seria mais valioso e que você teria mais apreço?

Ela não me amava porque eu lhe pertencia como um objeto… E ela sentia a segurança de que jamais me perderia e mesmo que perdesse, havia outros diamantes aos quais ela dava mais atenção.

O motivo dela não me amar, eu entendi. Não se deseja aquilo que se tem… São preferíveis as ilusões aos reais e tangíveis, pois estas, se conquistadas podem ser exibidas como troféus de uma vitória difícil.

Logo, percebi que eu mesmo fazia isso… Desejava-a por que não a possuía. Nem sabia como era tê-la pra mim, como saber se a amava mesmo? Nem a conheço! Não sei do que gosta, de quem gosta, como gosta, do que não gosta… Sei de poucas coisas sobre ela, não sei sua história ou origem. É a minha “Fulana” idealizada sobre a qual deposito toda a responsabilidade de me fazer feliz.

Acabou-se a fórmula do amor. De certa maneira amamos quem podemos perder, ao menos num primeiro instante… Claro, não é tão simples. Tem de haver todo um contexto. O amor só dá certo quando se junta a fome com a vontade de comer…

Sim, isso foi um trocadilho.

Quero dizer que a pessoa nos atrai e nos foge… Se a temos demais, ela nos enche e a fome passa.

Só depois, talvez por comodidade, é que ficamos com a pessoa sempre, moramos juntos e tudo mais, uma espécie de sublimação do amor… Mas imagem se Romeu e Julieta tivessem fugido juntos, alguém acha que eles REALMENTE seriam felizes?

Mas isso também não é uma formula… Há ainda aquelas incríveis exceções (e eis o motivo de eu nunca trabalhar na área de humanas, há exceções demais) que ninguém poderia prever ou imaginar…





Dueto da Lua e do Mar

24 01 2009

Luar Submerso

Aline Erba

Mar negro e reluzente,
Ora sólido, ora profundo;
Ora manso, ora arisco.
Não sei, não sei se és pintura ou se és rabisco.

Mar, mar querido,
que há em teus abismos?
Se dor ou contentamento,
Não sei, não sei se há júbilo ou tormento.

Mar longínquo, acaso entende?
O brilho meu, que espelho te faz
A beleza à noite traz
E o amor que deveras sente,
a distância não desfaz.

Mar, mar amigo,
Perdoa esse brilho, que em ti borrão se faz.
Se o dia dissipa a neblina e me afasta do teu cais;
Mesmo em face do encanto noturno, a distância é algo mais;
Mais forte que a luz que me mostras onde estais.

Mar imenso e distinto,
Já não sigo meu instinto, de banhar a toda a Terra.
Em outros mares e outras caravelas, outros navios e outras velas;
é onde meu mistério se revela.

Mar, mar sofrido,
da solidão fiel amigo, e pelas sombras, acolhido.
E o frio silêncio do amor submergido,
Faz calar meu canto em teu pranto contido.

Mar doce e sereno,
Que o sentir tornou veneno.
Perdoa se não trago teu alento.
Tu, que sempre tão atento, não faz jus o sofrimento.
Segue o dia, segue o vento;
Segue a luz, segue o tempo;
E cegue a dor;
cegue o tormento.

Mar, mar divino,
que tanto crê no destino,
crê também no impensável infinito,
que surpresas traga a teu auxilio.
E te alegre o exílio,
da âncora que levantas; princípio do retiro.

Mar negro e reluzente,
Já não te infiltram os raios meus,
e em tua sólida superfície se reflete o adeus.
Um adeus na brisa fria,
na noite que se finda, a te trazer um novo dia.

(12/04/2007)

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Maré Luarenta

Rafael Rabelo

Luar belo e resplandecente,
Ora marcante, ora ausente ;
ora firme, ora suave.
Não sei se és música ou se és poesia.

Lua, lua majestosa
O que há em teu infinito céu?
É certeza, ou é dúvida,
Não sei se é a fé de uma sacerdotisa ou a sagacidade de uma cientista.

Lua distante, por acaso não vê?
Que teu brilho brinca comigo
E a beleza da noite é você quem traz
Vai e inspire o rapaz,
que diversos versos à sua amada faz.

Lua, lua amada,
Perdoa a minha maré, que faz ondas pra te alcançar.
E na terrivel busca por ti, vítimas se fazem por mim;
Talvez se cada gota de mim se elevar aos céus, eu te alcance;
E se eu der tudo de mim e você não me amar, como suspeito que não ama.

Lua misteriosa e linda,
Eu não tenho mais ego, o de ser grande e imponente.
Teu Luar suave, que o mais corajoso dos homens ruboriza
Me diminui, me afaga, como uma criança inocente.

Lua, lua acolhedora,
Companheira da música e da poesia.
Tem em ti um toque de tristeza,
Sei que duvidas, sei que chora escondida.

Lua tocante e poetisa,
Que diz “não poderia te amar”
Mas não diz que de fato não ama.
Tu, que em mim faz nascer o sorrir,
Vem me ver, escuta os sussuros do mar;
Não segue o tempo que sempre erra;
Caminha no horizonte;
Vem comigo ver o sol se pôr…

Lua, lua inspiradora,
Que não abandona seus versos,
Não abandone também seu Mar querido,
e desconfie do tempo, nosso inimigo
Que nos separa e enfrenta o Destino
Que tenta nos unir e vejo ser meu amigo

Luar belo e resplandecente,
acabam os ventos que me elevam,
e em tua superficie etérea posso ver a tristeza.
Um sorriso do mar, “até logo lua querida”,
na espera que se inicia, na dor de um longo dia.

(19/07/2007)

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Para Aline, minha Lua.
Feliz aniversário! Que você seja muito muito muito feliz… E não se esqueça que já fui apaixonado por ti. ^^
“Eu não poderia te amar” foi o seu fora daquela vez.

Agora a explicação ao público: Aline é uma amiga poetisa de mui grande estima minha, por quem já fui apaixonado e pra quem escrevi a maioria dos poemas com tema “Lua”. Ela por sua vez retribuiu me chamando de Mar nesse poema e eu não pude deixar de responder o poema, como é devido.
Nunca ficamos juntos. Nem vamos ficar. Ela namora firme desd’aquela época.

O Destino é irônico, afinal, o Mar e a Lua nunca ficarão juntos.

Mas de certo, não paramos de nos chamar de Lua e Mar.





A Mulher que amo.

1 10 2008

Nossa.

Tenho tido tantas coisas pra fazer: estudar, programar, aprender a dirigir, ler, projeto, resolver exercícios, comer, coisas daqui de casa por fazer, escrever… Que… Nossa!

Vou fazer, por hora, um “tapa buracos” por enquanto não posto o derradeiro projeto final, que é ESTE TEXTO versado, de autoria da Poetriz, amiga já muito estimada.

O poema que se segue não tem título, mas penso em pôr o que está como título do post: A Mulher que amo.

Mas não é definitivo.

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És minha, porque te fiz
de meus sonhos ou pedaços
de mim, de meu sangue.
Criei-te de meus desejos.

Carne do meu Sonho
Sangue do meu pranto
Te fiz. És minha.

Mais minha que minha filha
Mais minha que minha mãe
Mais minha do que eu mesmo me sou meu.

És minha poesia, palavras,
pintura e partitura
por mim criadas.

És minha arte.
Nada além disto. Meu pedaço de Barro
por mim, em mulher moldado.

Não és perfeita, pois és minha
E não tolero o perfeito
É tão somente imperfeita
pois é minha.

Está na minha mente, na minha alma.
E é, então, minha. Somente minha.
Eternamente minha.





Amar o amor

22 06 2008

O Maior Romantico

Rafael Rabelo

Amar é sacrificar por amar,
um esquecer de si pra pensar no outro
E ver na outra felicidade, ouro.
vislumbrar não sorriso, mas luar.

Mesmo que na garganta um doce amargar,
Por não possuir, não ter louros do amor.
Mesmo doendo até a alma, amor da dor maestro,
Na dor de amor tem razao em felicitar.

Mas se amor é sacrifício de si,
O Romântico que ama mais que tudo
Que tem amor nele, amar por amor.

Maior Romantico é o que mais sacrifica.
Se precisa, mata então o próprio amor,
deixa o ser amado, de amor ao amor.

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A maior prova de amor pra um romantico é justamente não provar amor algum.

“Te sinto longe e distante
mais que os quilometros que nos separam
te vejo ao longe e não me olha
nos meus pensamentos, se despede
está sempre a despedir-se, sem olhar
Não, nunca olha pra trás.
Seguiu reto e não se virou.”





Da dor de Amar

28 11 2007

Dor de amar

A Dor que eu senti

Rafael Rabelo

A Dor que eu senti
não tinha nome.
Tinha endereço
CEP, telefone
E-mail, MSN…
Mas nome mesmo, não tinha

Não era dor de amor
Não era saudade
Ferida não era
Não era amizade perdida

Talvez, confiança traída
Mas não era, também
Ela me traiu, mas eu sabia
dos amores, das paixões dela

Me senti pequeno
Me senti sozinho e frio
Mas era diferente do de costume.
Solidão, não era.

Não sinto fome, não sinto sono
fechar os olhos já não quero
deitar já não consigo
beber agua já não mata minha sede

Tomei mil banhos e não me limparam
por que não era eu que estava sujo
Não…Não era eu…
A sujeira vinha de outra pessoa.

Me sinto insuficiente
fraco e despido em meio a uma rua
onde passam carros, bondes, aviões
e ela está lá, com ela.

Não sou bom o suficiente
não consigo fazer a felicidade
em outra pessoa, NESSA pessoa
ela precisa de outra.

Não dormi bem, pois os olhos
fechados produziam escuridão
a escuridão daquele quarto
Onde pude ve-las, ve-las

Cada vez que eu pisco
já não suporto o escuro
Já não tenho sonhos
Já não tenho pernas ou braços

Minha casa virou meu mundo
“o que não me mata, me fortalace”
Eu acredito, acredito e repito.
“o que não me mata, me fortalace”

E eu que ateu, rezei
eu que preguiçoso, avancei confiante
que machucado, abracei e cantei
escrevi, digitei, procurei…Por ela

fiquei do lado de fora, com frio
mas fiquei, fiquei preocupado
Engoli orgulho, engoli tristeza
sussurei palavras de amor…

Hoje meu corpo dói
Minha cabeça dói
Meus dedos doem, mas não paro
Meu coração dói, mas não pára

E o espírito se trinca
O estomago está embrulhado
A alma está sangrando
e as poesias já não fazem mais sentido.

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A dor de amor tem lá suas utilidades, afinal é a prova irrefutável da existência deste.