Houve no mundo, algum dia
Duas pessoas solitárias, saudosas
De amor jamais correspondido
Sozinhas, enfretavam o frio do mundo
Juntos caminhavam separados
Trilhando caminhos paralelos
Se encontrando somente no infinito.
Sentiam-se incompletos
Na busca de um Graal mais mítico
De verdadeira compania.
Porém, seus quartos eram celas,
Teus livro, masmorras,
E tudo os prendia.
No entanto, o destino,
Apesar de trágico fim à ambos
Ter destinado, comovido,
desfez o seu trato com a morte
E num impulso, uniu-os,
Garoto e garota,
De corações machucados,
Olhos vermelhos molhados
Distantes, se reconheram
Evasivos, se aproximaram
Hesitantes, se beijaram
E num rodopio, se apaixonaram
Se bebiam um no beijo do outro
Sedentos e famintos
Como quem nunca havia comido
Dançavam, sorriam, amavam
Eram eles sendo todo o conjunto
E a falta era o suplicio
A cama de um, sem o outro,
era maior que o mundo:
A ausência doía e machucava,
era o constante ranger de dentes.
Por isso se buscavam sempre
Um toque, um beliscão, um carinho
Mas o coração agora, leve
Aereo, sereno, vibrante
Não mais preso, não mais distante
Não mais amar ou ser amados
E sim, amantes.
.
.
.
E isso é só um prelúdio.