O Canto

26 10 2009

Rafael Rabelo

O Canto das Pessoas,
estava no Canto d’Alma.
E sua forma, de alguma forma
Lembrava o Canto das Coisas,

O Canto da parede
Acolhe, nos faz compania.
E o mundo mudo,
insulta, torna a vida sombria.

O Canto de louvor ao Canto,
e seu acolher que encanta.
Engole a Terra em um abraço
E eu o engulo na garganta

O Canto é sempre um amigo
e Haviam outros Cantos
Uns anjos que nos recolhem,
E enchem os ouvidos.

Dentro de nós há um Canto
Que grita, n’alma.
Nele nos ouvimos e sentimos
Vemos nossas sombras projetadas.

O Canto enche os corações
preenche a alma e acompanha
Torna uma dor menos Solitária
enquanto eu, sozinho, a Canto

;) (65)

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As vezes, quando eu acho que esgotei os poemas que eu tinha, me surpreendo. Sempre encontro um poema perdido nas minhas coisas. E o pior, fico surpreso com quão bons eles são!
Acho que escrevi melhor antes, do que agora.
Era mais inspirado, eu acho.

Eu lembrei desse poema, foi baseado no primeiro livro que eu li a sério.
As Batalhas do Castelo.
Mto bom o livro, me surpreendi MESMO com o final.
Quem quiser, que leia o livro, talvez entenda melhor a poesia…





Pressa pra quê

18 10 2009

Rafael Rabelo

Pressa pra que te quero.
Pressa pra quê?pressa
A pressa acaba com o prazer
A pressa faz você bater

Pressa inimiga da perfeição
Pressa causa pressão
Pressa causa depressão
A pressa mais rapida que você.

A pressa pressiona o botão
A pressa aperta o gatilho
A pressa faz você ficar
no meio dos trilhos

A pressa leva as pessoas embora
E nunca trás ninguém de volta
A pressa, apressa

Pressa de carro, de moto
De nove meses em sete
De oito horas em quatro
De atravessar a rua
De chegar na Lua
De descobrir a origem de tudo
Acabou o mundo.

Pressa pra produzir
Pressa pra exportar
Pressa pra consumir
Pressa pra trabalhar

Pressa, pressa, pressa.

Mas e a verde praça?
E o moço e a moça?
Cadê a pressa deles?
Tem, não.

Pressa, pra quê?

sem-pressa.

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Fazia tempo que eu não colocava post com imagem. E eu gosto tanto ^^
Há quem diga que (Fernando Pessoa, acho) uma imagem estragaria uma poesia. Deixaria ela muito objetiva, sendo que a escrita, quando mais subjetiva, melhor.
Até entendo e até concordo.
Certas poesias devem permitir que quem as leu forme na mente a imagem que quiser, mas se uma imagem ilustrativa já acompanhar o poema, então a imagem mental vai ser mto influenciada e direcionada na mesma direção da imagem ilustrativa… Tirando um gosto adicional que a poesia teria, se a imagem ilustrativa não estivesse lá.
Ah, mas nem todos os poemas são assim. Alguns ficam muito mais belos com uma imagem para chocar/surpreender/fascinar/admirar.





O que te pertence…

26 09 2009

Se você vê, você tem.

Pra que a necessidade das mãos? Pra que a necessidade de ninguém além de você poder possuir o que você vê e quer e deseja?

Ninguém vai possuir algo que você vê.

Está na sua mente, está em você.
Você vê, é seu.
Você pensou, então lhe pertence e a mais ninguém.

E nenhuma outra pessoa irá pensar como você pensou aquilo que quer possuir.

Se você percebe isso, então você percebe o quão solitária é a vida.

E tudo o que você viu, ouviu, pensou, aprendeu, pertence a você e a mais ninguém e isso dói, pois ninguém saberá os sabores que você provou, ou verá as cores que você viu.
Tudo que viu e sentiu é seu e somente seu.

E ai, então, você quer compartilhar pra ser compreendido.

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Esses dias eu estava pensando de novo na ilusão do homem de que possui as coisas. O homem não possui coisa alguma. Possui a idéia da coisa.
Primeiro que o que ele vê, na verdade, é uma imagem. É luz. É alguma coisa como uma pintura bem feita pela organização da matéria da coisa. E além de tudo essa imagem é revestida por uma cama a mais de simbolismo inconsciente, pois o ser humano tende a se questionar sobre origens, sobre mistério, sobre coisas que ele não compreende e que nunca vai compreender.
Então ele deseja aquela coisa estranha. Deseja por N motivos, mas deseja.
Precisa sentir aquilo entre as suas mãos, sentir seu cheiro, conhecer cada detalhe da textura, cada pedacinho de cor…
Então ele pega aquilo pra si e diz: É meu!
Como se aquilo não estivesse ali antes dele sequer pensar em existir.
Como se aquilo não fosse estar lá depois dele deixar de existir.
Aquilo que ele acha que possui está apenas em sua mente. É apenas uma ilusão de uma coisa que ele acha que compreende…
Quando se percebe isso, percebe que você não é dono. Não é senhor.
Não é senhor de coisa alguma.





Balanço

9 08 2009

Rafael Rabelo

A rede balança ou o mundo balança? Sou eu que estou me balançando ou estou parado e é o mundo que vai, e volta?
Não sou eu que me movo nunca, é o mundo que se move. Sempre que ando é a Terra que avança sobre a fricção dos meus pés.
Não sou eu que me molho, é a chuva que se atrai a mim.
Penso assim pois não faço parte do mundo, para me balançar nele, sou o observador da vida e não seu conteúdo.
Existo ali como uma pedra, ou árvore e estou vendo o mundo crescer e girar e brincar com todos, que são seus brinquedos.
Estou preso dentro de mim, sozinho, buscando alguma coisa ou alguém para me fazer companhia, mas é em vão, sei.
Jamais irei encontrar outro observador do mundo que já não tenha morrido e deixado talvez um livro.
E se encontrasse, se lhe pudesse tocar o rosto e ver a face daqueles que não sorriem com sinceridade nunca a não ser por ver felicidade no mundo, ou alegria no mundo, mas nunca em si, se pudesse tocar o rosto! Mas não sei se o reconheceria…
Passam-me centenas de rostos por dia diante dos meus olhos e não me reconhecem nunca, passam centenas de rostos e não reconheço nenhum. Por isso me esforço para conhecer bem as pessoas que encontro, quero saber-lhes tudo, absorver cada sentido da vida que há neles e prová-los, para saber se tem o mesmo gosto que reconheço em mim, para saber se é vida ou simulacro de vida.
E não me reconheceriam os outros de mim, se eu não os reconhecesse. Sou somente a idéia que fazem de mim e, portanto, sou pessoa diferente para cada pessoa que me conhece, ou pensa que me conhece.
Mas é só hoje que me reconheço assim. É o balançar da rede. Ele me faz pensar coisas absurdas, como saber quem sou sem amar.

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Mais um texto de uma época distante… Estou acabando com esses textos esquecidos, pra não correr o risco de esquece-los de novo.
Eles ficam comodamente numa pasta no meu computador, todos num arquivo só. Precisam de MUITA revisão.
Bom… Logo logo haverão mais quadros, fotos e muito mais no blog.
Tudo que eu preciso é de um poco de força de vontade…





Desencontro

13 07 2009

Desencontro palavras pra descrever
Pois não é como se eu não as tivesse
E sim como se me fugissem

Desencontro o amor, do mesmo modo.
Ali, sempre à espreita, mas nunca comigo

Desencontro os dias da minha vida
Desencontro o tempo todo, as horas e minutos

Desencontro o riso do meu rosto
Se o vejo, é forçado e sem graça

Desencontro minha fome, meu silêncio…
Desencontro tudo que eu tenho, mas me escapa.

Desencontro momentos, também
Sempre um momento cedo ou tarde demais

A vida pra mim é um grande desencontrar
de abraços e olhares perdidos.

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Se, por acaso, encontrarem um monstro andando cabisbaixo pela rua em um dia nublado de chuva, catando músicas anos 80 e 90, e que todos ignoram… Tenha certeza de que sou eu.





Viagem ao interior

1 06 2009

Sabem, levei outro fora.

Fora n°… Ah, sei lá, perdi as contas.

E o pior, não fico mais triste com essas coisas… Quero dizer, dói, mas já virou rotina, e isso é pior do que doer. Ter a consciencia de que se está aos poucos parando de sentir dor de amor é quase que como parar de amar.

E agora, tou aqui, ouvindo música celta e com muito medo do sonho que eu vou ter quando eu dormir. Se eu dormir.

Anyway, isso me inspirou e claro, merece um texto. Mas só texto, sem imagens. Tou meio sem animo…

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Viagem ao Interior

Rafael Rabelo

O homem contabilizou tudo
tranformou tudo em numero
fez do lugar um mundo
mas o mundo está nós

Modelos matemáticos e fórmulas
tirando a beleza e fineza das coisas
meras imitações das fábulas
que se pode ver reais

a foto não se compara a paisagem
o video não chega perto da cena
passam só parte da mensagem
que só se passa com a presença

e para aqueles que não acreditam
para os céticos e cegos amigos:
Eu questiono em nome da razão
“Por vezes não se sente cheio ou vazio?”

E esse sentimento, as vezes,
com música, não se expande?
e faz as mãos quererem dançar no ar
criando pequenos movimentos
acompanhando o sentido da música
traçando um caminho
e seu corpo parece querer seguir a música
e esquecer do resto das coisas da vida
e só viver aquele segundo?

e dá vontade de voar ao corpo
e faz tudo parecer mais leve
e algo que parece estar dentro de você
faz você acreditar que tudo tem um sentido
por mais que pareça vazio…

Viaje a esse interior e
pergunte certos porquê’s
que não ousa perguntar
em voz alta

Então, você entenderá o que é a alma.

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Se perguntarem ao poeta
por que ele escreve poesia
o poeta reponderia:
“Escrevo não como quem canta,
não como quem dança,
nem como quem pinta,
muito menos como quem filma.

Escrevo porque se não escrevo
definho.”

O poeta escreve
como quem vive.





Pra quem precisa

10 05 2009

Bom, porque hoje é sábado

Pensei em fazer algo regular, postar sempre aos sábados e tudo mais, mas é difícil. Sábado eu saio, as vezes.

Isso é raro, mas acontece.

Mas prometo que vou tentar ser regular, se não no sábado, na sexta ou no domingo. ^^

Tenho escrito pouco, na verdade… O que vcs lêem são de uns meses atrás, agora tenho que estudar mto pra provas de cálculo e geometria análitica, o que deixa minha questão com o equilibrio meio que em aberto.

E o pior? Meu quarto tá uma zona, minha vida tá toda bagunçada e eu me sinto estranhamente calmo. Claro, estressado, mas calmo.

Quando paro, fico sereno. Eu sou um cara mto estranho… ¬¬

Enfim, chega disso e vamos ao Poema. Esse é dos bons… Tentei por ritmo nele, mas acho que foi um FAIL.

Anyway, aí está.

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Pra quem Precisa

Rafael Rabelo

“Que as pessoas tenham
o que precisam ter”

Dor pra quem não sente
Amor pra quem não ama
Verdade pra quem mente
Solução pra quem reclama

Sexo pros impotentes
Felicidade pros infelizes
Sonho pros descrentes
Paz para os cansados Mártires

Que o céu caia pra quem
nunca o viu cair
Que a natureza verdeje pra quem
nunca a viu tinir

Os famintos tenham comida
e aos fartos que ela falte
que os miseráveis ganhem na loteria
e aos ricos dêem um pouco de prejuízo

Que morra bem quem viveu feliz
que viva quem acha que está morto
que consiga aqueles que não acham
que errem os que têm certeza sempre
que descansem os cortadores-de-cana
que cortem cana os grandes empresários
que corram os sedentários
que pensem os burros
que calem os maus políticos
que falem os bons gênios
que o povo da cidade veja a beleza de um campo
que os camponeses vejam a grandiosidade da cidade
que falhem os que se chamam de perfeitos
e que os que se acham imperfeitos tenham momentos
De pura e simples perfeição.

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Buscar algo é inútil. Quando queremos e vamos atrás de alguma coisa, vamos atrás de algo que nossa mente faz com que vejamos de um modo irreal.
Não é preciso “querer”, a vontade é uma farsa e é egoísmo sem sentido. Buscar felicidade é não tê-la. Para ser feliz devemos não ir atrás da felicidade, mas simplesmente tê-la. Se quero um objeto, quero uma coisa que só existe em minha mente, idealizado. Isso é parte da filosofia de Fernando Pessoa, no livro do Desassossego.
Porém há algo que podemos buscar e não nos enganar. Algo que jamais teremos e que justamente por nunca conseguirmos alcança-lo, podemos ficar despreocupados.
Uma busca eterna e repleta de significado.
A busca por equilíbrio.
O equilíbrio se repele… A única maneira de tê-lo é buscando-o pra nunca alcançar.
Que desequilibrados aqueles que conseguem alcança-lo!





Post n° 100

1 05 2009

Bom, não espero que ninguém tenha contado… Se tiver alguém tiver, essa pessoa precisa de tratamento pois se trata (Hehe) de um caso claro de obcessão.

Eu mesmo só sei pois tenho um contador de post’s que me mostra: Você tem 99 post’s. Logo, este é o 100°.

Fiquei pensando em um monte de coisas pra pôr aqui, como não cheguei num consenso, vou pôr esse monte de coisa mesmo e quero que se dane o post enorme que vai ficar. Então vai ter de tudo. Poesia, Filosofia, Música, Um quadro bem bonito, revelações bombásticas… Enfim.

Primeiro, a poesia.

Trata-se de um “semi soneto”, mto engraçado que escrevi já faz um tempo…

Pra quem não sabe o que é soneto, adquira o conhecimento e evolua seu espirito cultural clicando aqui. É necessário saber o que é soneto para entender o poema.

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Soneto do Quase

Rafael Rabelo

Quase amei uma vez ou outra, porém não amo
Quase vencendo, muitas vezes cai
Quase sendo forte, fui sempre o fraco
Quase cheguei, mas sempre me perdi

Tentando e tentando, nunca consigo.
Talvez, tolo, tenha eu sido o escravo
De algo, quererendo algo, tentar ser algo.
Se eu vivesse simples, estaria vivo

Tão terrivel a dor de não fazer
por azar, por falta ou sobra, por pouco
pra deixar o que era falho, perfeito!

Querer é não poder. É quase querer.
Tão odienta a falta de capacidade
Que de quase… Quase que eu fiz um soneto!

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Este “soneto” é uma brincadeira entre a contrução e o sentido. Não vou explicar o poema, deixa a cargo dos comentaristas tentarem :P
Mas vejam o link, entendam o que é um soneto e leiam de novo o poema. Isto também é conhecido como “falta do que fazer”, em alguns países.

A “inspiração” ou o insight veio da música de Chico Buarque, A Bela e a Fera, na voz mais-que-perfeita-pra-música de Tim Maia, em O Grande Circo Místico, disco lançado em 1983, numa parceria com Edu Lobo. Muito bom o CD. Recomendo. A música em si, segue abaixo:


Sim, eu sei que ela em SI, não tem mto a ver com o poema… Mas a inspiração veio do ultimo verso da penultima estrofe da música, que é quase igual ao ultimo verso do soneto.

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Ah! Aproveitando o post enorme e desnecessário, pra tornar este post útil pra alguma coisa: Me desculpem os donos de blog’s que eu costumo ler. Voltei a postar, mas não a comentar. Até leio o blog da Canela, da Yv, do Daniel e do Taer, porém, comentários… As vezes eles me faltam. As vezes o que falta é tempo. Enfim. Vocês tem que entender que estou tentando conciliar o lado artistico com o espiritual com o pragmático e prático.

Minha eterna busca por equilíbrio.

Mtas pessoas devem se perguntar: Pq um cara que faz exatas, trabalha com computação, fica escrevendo poemas e talz? Se perguntam sim, sei que até alguns amigos meus se perguntam isso. E eu tenho DUAS respostas.

A primeira é que hobbie, tenho MUITOS outros, mesmo. Faço bonsais, embora não tenha nenhum no momento… Gosto de desenhar tb. Fazer origamis. Adoro cuidar de animais de estimação. Teve uma vez que gastei uns 100R$ com porcarias pro meu hamster e eu tinha nem 15 anos ainda. Gastei do meu dinheiro, que tinha ganhado de aniversário. Meu, faço MTAS coisas pq eu gosto, adoro computação e matemática e talz e eu criaria um blog sobre isso, se eu soubesse que seria mais tosco que um blog sobre Literatura e Cultura.
A segunda é mais simples de entender, eu creio. Eu gosto de me sentir equilibrado. Centralizado. Sem ser lógico demais, racional demais, emotivo demais, sentimental demais. Assim trabalhando com Exatas e tendo algo tão Humano como hobbie, me sinto bem.

Ok. Eu já me cansei desse post. Vou colocar o quadro que eu prometi fazer a “grande relação bombastica” e vou embora, juro.

O Outono - Baco e Ariadne, de Eugenè Delacroix

O Outono - Baco e Ariadne, de Eugenè Delacroix

O Quadro é foda pq hoje (ou foi ontem?) é o apice do outono, de acordo com o meu esotérico amigo Daniel (http://magopatologico.wordpress.com).

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E a revelação bombástica é que agora, definitivamente, não sou mais romantico. Não o romanticozinho, água com açucar, mal do século, canções de liberdade e louvores ao amor. Escreverei sobre o amor, sim, claro, mas amar e ser amado pra mim, deixou de ser prioridade.

Como diria Thoreau:

Rather than love, than money, than fame, give me truth.





A Arte de Sonhar (Segundo Fernardo Pessoa e Dummond)

14 02 2009

Primeiro: Eu sei que eu prometi post’s a cada dois dias, mas estava ocupado atualizando umas informações daqui mesmo, que vocês podem ver em “Galerias” e vai haver MUITAS outras atualizações assim que a minha primeira ressaca passar…

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Até lá, contentem-se com isto aqui:

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A Arte de Sonhar (Segundo Fernardo Pessoa e Dummond)

em “As Artes”

Rafael Rabelo

Sou sempre dois ou três nas minhas opiniões, me apoio, me discordo e me ignoro, sou português e brasileiro, sou homem de sonhar e de tentar realizar o sonho, posto que sonho é, por definição, inalcançável, mas não de certo modo, intentável.
Podemos contradizer-nos e alcançar um sonho, sonhando-o ainda. Deixemos de lado o mérito de “Como sonhar”, pensemos no porque sonhar.
-Então, por que sonhas? Digo eu a mim.
-Sonho porque sinto necessidade do sonho, sem ele me sinto vazio e frio. E tu? Porque sonhas?
-Ora, deixa de lado o sofismo, que somos ambos mesma linha do pensamento. (Há aqui uma pausa) Sonho porque quero algo que satisfaça meu orgulho. – Respondo-me.
-Ah tens então um orgulho escondido por detrás do sonho?
-Claro que tem, não sonhamos senão com intuito -ainda que desesperançado- de realizar o sonho, realizar algo grandioso é então, de fato, motivo de orgulho e o orgulho se procura, como sabemos ambos.

Resulta que todos sonhamos por realizar o sonho, e as vezes nem nos importa o que seja, o importante é realizar, mas há quem saiba sonhar e nisso se vence, não se “engana” se enganando, sonha coisas impossiveis o suficiente pra que o sentimento que vem do sonho seja algo absurdo e não se sinta impelido a realiza-lo.

O sonho. Ele, pra mim, é simplesmente desejar algo imaginário. Simples, não? Mas eis o grande mal e o grande poder da humanidade, tentar tornar o imaginário real.
Simplesmente se sonho uma maçã, não haverá no mundo maçã que possa ser igual e se um dia encontro uma queira, já não é mais sonho e tento agora obter outra coisa.

Verdade que o sonho perde seu sentido quando é realizavel, mas nunca o é, verdadeiramente.
Se sonho um amor, ir atrás desse amor só me fará ignora-lo, caso o encontre e se um dia encontro esse amor do jeito que queria, me parece fosco diante do que sonhei ou ainda perde o brilho quando percebo que o tenho agora, realizado.

Na maçã, se sonhei com ela, me satisfaço e esqueço-me enquanto digiro-a. Eis que pra evitar tal frustação, sonhamos coisas impossiveis, como eu disse, ou coisas bem pequenas, do cotidiano, que posso sonhar a vontade e não terei dor ao vê-la partir em sonho, desfocando-se.

Mas que fazer com o sonho, quando se realiza? Desfruta-lo, me dirão uns. Sonhar outros, me dirão outros ainda. Mas se é para desfrutar o sonho, por que simplesmente não desfrutar o sonhar, ao invés de matar o sonhar, trocá-lo por objetivar e gozar do sonho realizado?

E por que Essa-Divindade-Suprema-Que-Desconheço-O-Nome sonhar vários sonhos, se posso gozar infinitamente uns poucos, vendo-lhes a beleza e a poesia e vivendo-os melhor e não realizando-os, talvez, mas simplesmente sonhando.

E isto é digno de Fernando Pessoa, que diz em seu “Livro do Desassossego” que não devemos tentar realizar o sonho, já que isto é algo intimo e subjetivo o suficiente pra ser impossivel de ser realizado.

Porém, Drummond sonhou uma pedra, Sonhou uma Lua-Satélite, sonhou bundas, seios e sexo e toas essa coisas-comuns. Há como realiza-las, com certeza, mas fez disso objetivo? Por acaso planejou o sexo? Ou sonhou com ele depois de consumado?

Drummond foi um poeta sonhador quando sonhava algo tão fugaz que nem se percebia quando o sonho se realizava.

Sonha teus sonhos e faz dos teus objetivos coisas pra serem objetivadas.

Faz daquele exercício um objetivo, faz daquela mudança de jeito um objetivo, faz largar do vicio um objetivo! Mas não objetiva o amor! Nem a profissão (Naturalmente sonhada), nem a mulher, nem a casa ou país. Isto é a arte de sonhar.

Sonha tua esposa quando olhares pra ela ao luzir da lua, sonha teu emprego de Soberano do Mundo, que é impossivel. Teremos então mais Drummond’s e mais Pessoas no mundo, o que o tornará deveras mais agradável e mais comum a Arte de Sonhar.

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Tá ae Daniel, mais uma “Arte”, rsrsrs

Tou deixando elas pra quando não tiver mais NADA pra publicar…

Bom, talvez eu esteja me mudando pra Londrina nessa segunda-feira, então talvez eu não publique nada nessa semana, nem na próxima… Talvez. Não sei ainda, depende de quando instalarem internet lá e tudo mais.

Recomendo aos Leitores Assiduos (tá, exagero, eu sei…), como o Daniel, o Les, a Yv, a Emblemática, a Poetriz, a Taís, a Canela (que eu sei que anda sem tempo, entendo completamente), a Lyani, a M.Luísa Adães e a Oriona (que anda meio sumida, mas eu tb ando então eu entendo) a ler as alterações que eu fizer nas minhas páginas, que prometem ser mto bons e a ler tb uns post’s mais antigos que não tenham lido ainda.

Prometo postar coisas quentes (ui) quando eu voltar!

Abraços!

Au revoir!

“Vou-me embora pra Londrina
Lá sou amigo da Fer
Lá tenho a faculdade que quero
na cidade que escolhelerei.”

- Trecho de um poema infame que não escrevi, parodiando Vou-me embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira





Amor ou Orgulho?

1 02 2009

Foi meu orgulho, não meu amor.

O que eu achava que era ciúmes era asco de ser feito de idiota. Tão puro e somente isso.

Eu fiquei aqui pensado e pensando (coisa que tenho feito muito), caçando motivos para essa dor de amor que a gente sente quando ama e não é amado, quando algo na “fórmula do amor” dá errado… Quando algumas pessoas se entregam da maneira mais linda, doam seus corações quase que de graça, cobrando sorrisos fugazes e um minuto de atenção e nem isso têm.

E sofrem. E sofrem muito.

Primeiro pensei e pensei no porque das pessoas não amarem quem lhes ama. Pensei ser muito incoerente alguém se dar por inteiro a outra pessoa e ser sumariamente ignorado… Pensei isso porque sofri isso. Entreguei-me a uma garota e fui deixado de lado como alguma coisa velha e sem utilidade… Algo entre tantos outros algos dentro de uma caixa.

Mas de repente entendi que se não fosse pelos outros “algos” no mundo, então seria minha vez. Ela não me odiava, só preferia a companhia de outros, então se não fossem pelos outros, seria eu.

Vá lá, era uma coisa óbvia. Aquela coisa de “nem que você fosse a ultima pessoa da Terra” é pura mentira, se fossemos só eu e ela, não haveria escapatória. Duas pessoas sozinhas no mundo ficariam juntas por falta de opção e aprenderiam a gostar disso, porque o ser humano é estranho e aprende a gostar do que não gostava antes, quando não tem outra alternativa.

Mas porque os outros e não a mim? Que tinham eles que eu não teria? Afinal eu praticamente sofro de múltiplas personalidades e podia ser tão bom quanto eles em qualquer coisa que fosse… E mais, seria dela. Eu seria exclusivamente dela. Já eles… Eles a trairiam se aparecesse alguém mais interessante que ela. Eles não eram dela, estavam ao lado dela, mas cantavam outras garotas, olhavam outros rabos de saia assim que ela virava o rosto, e além! Olhavam quando ela estava vendo!

Eis a resposta da minha pergunta: Eles não eram dela.

Fiz uma analogia muito simples: Para qual você daria mais valor? O diamante que será seu, sempre, não importa o que aconteça ou para o diamante que você sempre correrá o risco de perder… Aliás, esse diamante não é propriamente seu, não é de pessoa alguma. Qualquer uma poderá possuí-lo. E então? Qual seria mais valioso e que você teria mais apreço?

Ela não me amava porque eu lhe pertencia como um objeto… E ela sentia a segurança de que jamais me perderia e mesmo que perdesse, havia outros diamantes aos quais ela dava mais atenção.

O motivo dela não me amar, eu entendi. Não se deseja aquilo que se tem… São preferíveis as ilusões aos reais e tangíveis, pois estas, se conquistadas podem ser exibidas como troféus de uma vitória difícil.

Logo, percebi que eu mesmo fazia isso… Desejava-a por que não a possuía. Nem sabia como era tê-la pra mim, como saber se a amava mesmo? Nem a conheço! Não sei do que gosta, de quem gosta, como gosta, do que não gosta… Sei de poucas coisas sobre ela, não sei sua história ou origem. É a minha “Fulana” idealizada sobre a qual deposito toda a responsabilidade de me fazer feliz.

Acabou-se a fórmula do amor. De certa maneira amamos quem podemos perder, ao menos num primeiro instante… Claro, não é tão simples. Tem de haver todo um contexto. O amor só dá certo quando se junta a fome com a vontade de comer…

Sim, isso foi um trocadilho.

Quero dizer que a pessoa nos atrai e nos foge… Se a temos demais, ela nos enche e a fome passa.

Só depois, talvez por comodidade, é que ficamos com a pessoa sempre, moramos juntos e tudo mais, uma espécie de sublimação do amor… Mas imagem se Romeu e Julieta tivessem fugido juntos, alguém acha que eles REALMENTE seriam felizes?

Mas isso também não é uma formula… Há ainda aquelas incríveis exceções (e eis o motivo de eu nunca trabalhar na área de humanas, há exceções demais) que ninguém poderia prever ou imaginar…