Abismo Infinito

13 10 2009

Meu coração bateu rápido demais, depois parou.
É dificil explicar o sentimento.
Ele é, de certo modo, bem familiar…
Acho que um desespero pleno.
Uma morte da alma.
Perdi a vontade de tudo. Até de viver.
Mas não planejo morrer. Até de morrer perdi a vontade.
Se eu pudesse simplesmente parar de respirar…
Talvez, daqui alguns dias, eu morra de fome.
Talvez eu morra atropelado por não me importar.

Nunca vi tão claramente o fim da vida.
É realmente como olhar um abismo infinito.
Nem os Porquês importam mais.

Eu vou deitar e dormir.





Desabafo Rápido

29 06 2009

Engraçado.
Uma vez escrevi um post sobre as pessoas que esquecem. Logo depois que vi Eternal Sunshine of the Spotless Mind… Tinha até uma imagem do filme no post.
Certas pessoas são abençoados com o dom de esquecer. E estou me contradizendo, porque no post escrevi que essas pessoas eram falhas. Esquecer era uma falha.
Agora é, definitivamente, uma benção.
Esquecer certas coisas, certas dores, até certas felicidades… Seria bom.
Talvez eu que seja amaldiçoado de lembrar, cada detalhe, cada mínimo detalhe.
De tudo.

As vezes minha mente dói se lembrando dessas coisas. É, parece que sou mesmo meio masoquista…
Bom, também não é como se eu quisesse me lembrar.

Lembrar acontece. Seria mentira dizer que não lembro. Sempre há uma mão do Destino pra trazer a tona velhas lembranças. No caso, uma sensação melhor atual pode te fazer descartar a nostalgia do caso, e não esquecer e sim enfrentar, e isso é força… E eu queria ser capaz de fazer isso.

Estou sendo melodramático, eu sou capaz.
Todo mundo é capaz. Quando temos suporte, quando somos felizes, quando não temos outras lembranças tristes na mente, só os momentos felizes.

E então temos a oposição da dor contra a felicidade… Mas isso é totalmente fora de contexto, estou falando da memória.

Uma vez li que a fidelidade está na memória, na lembrança.
Ser fiel é lembrar.
Lembro bem da frase de André Comte-Sponville: “Ama-me enquanto desejares, meu amor; mas não nos esqueça.”

Fui fiel à tudo, sobretudo, à lembrança.
Lembrar-se de lembrar.

Mas não vou por esse caminho tortuoso de sofista.

A minha grande, enorme, dúvida é bem simples:

Como podemos lembrar e sermos fiéis à tudo, portanto fiéis à própria verdade e sermos felizes?
Devemos lembrar de sermos verdadeiros e também dos momentos ruins de nossa vida, e se por um acaso a vida tiver sido infeliz então estamos (ou estou) fadado à me lembrar sempre de que sou infeliz (romanticamente falando) e que não posso mentir com relação a isso.
E sinceramente, também, muito dúvido que qualquer relação que eu tenha possa curar as feridas que esses anos de romantismo me trouxeram.

Aos novos, bem novos, que podem ainda escolher qual caminho trilhar, eu digo: não escolha o caminho do amor. Será feliz somente se tiver sorte…

A sorte de encontrar alguém que te ame e que você ame, e que a relação dure tempo o suficiente para que pequenos espinhos que ocorram durante a vida não atrapalhem nem envenenem a relação.
Sorte.

E à todos.
Perdão pelo texto aparentemente sem sentido, mas são os filmes… Eles me fazem sentir vontade de escrever coisas sem sentido.

O filme do dia foi Closer, com aquela atriz maravilhosa que nunca me lembro o nome e aquele ator, Jude Law, e Julia Roberts e o outro cara, muito bom ator também, mas o personagem dele é claro, é terrivelmente desprezivel.

Edit: A atriz é Natalie Portman, o cara é realmente Jude Law e o outro que eu menosprezei (só por causa do personagem) é Clive Owen.





Terapia – HindrazQZ

28 05 2009

Quem mora em São Paulo, Capital, sabe.

Cidade grande é um inferno, sendo claro. É tudo mto estressante. Correria sempre, perigo sempre. É tudo mto tenso e angustiante.

O Daniel então me disse que um amigo dele tem uma clinica que faz terapias holisticas, e pensei “nossa, deve ser mto bom fazer essas coisas”.

Acunputura, Shiatsu, Aromaterapia e mais.

Então pensei que deve ser um ótimo negócio ter uma clínica dessa em cidade grande como SP.

Deve ser um oasis em um deserto, se não for mais!

Anyway, resolvi fazer um post comercial aqui, divulgando a HindraQZ pq penso em quantas pessoas de São Paulo PRECISAM mesmo desse tipo de folga em suas vidas.

Então se vc mora em SP – Capital e quer relaxar os músculos e a mente, não existe nada  melhor do que acunputura e shiatsu.





Trovador, O Sofrido Retorno.

28 04 2009

Primeiramente, perdão.

Deixei me blog às moscas por muito tempo, um tempo indevido e desmerecido. Meu blog merece mais. Principalmente pq agora ele é o único jarro aonde despejo o que sangra da minha artéria (não veia) artística cultural.

Perdão à todos os meu leitores rotineiros, excepcionais, curiosos, amigos, esotéricos… Perdão a todos. Apesar de não haver nada que justifique tão longa ausência, vou contar-lhes a história, depois um poema, que postarei logo depois.

Tudo começou quando eu nasci. Filho primogenito de um casal de adolescentes despreparados para o evento, ambos de familias não-muito-abastadas-de-bens-materias, logo, fui criado sem muitos brinquedos caros, embora recebesse um ou outro mimo de natal ou aniversário. Jamais me julguei pobre, pq morei grande parte da minha vida num bairro pobre e sei o que é pobreza material :/
Enfim, este bairro onde cresci, era pobre, periferia da periferia da minha cidade. Alguns KM’s e eu sairia do limite urbano da cidade (hey, isto é sério). Por ser um bairro pobre, tb era mto perigoso, perto de um enorme terreno no qual passava duas estradas de ferro, enfim, perigoso.
Minha mãe tinha medo, eu tinha medo, acho que só meu pai não se importava. Acontece que, por isso, eu saia pouco de casa. Ponto.
Meu pai trabalhava em casa, com produtos eletronicos rudimentares, nada de “ohhh, olha este computador” mas coisas mais simples, de hospital, creio, não me lembro (perguntarei um dia), e como não era lá mto organizado, tais componentes vivam ao chão. Eis o ambiente que cresci. Casa fechada, resistores, peças, motores, solda, para mim: Brinquedos.
Não façam idéia errada, não montava nada, não me deixavam… Mas vivi com aquilo, querendo tocar, querendo ver, sempre fui curioso por natureza, talvez a unica coisa realmente minha em mim.
Acelerando um pouco a história, meus pais se separam e tive uma época rebelde que não compete ao objetivo deste post (¬¬).
Um garoto de pais separados que saia pouco de casa em um ambiente cercado de equipamentos eletrônicos tornar-se-a um nerd, é fato.
Modéstia a parte, eu era inteligente. Preguiçoso, destraido, mas inteligente. Logo, depois de uma reprova para entrar no colégio técnico (leia-se: tabefe!), resolvir tomar uma atitude e prestar de novo a prova e passar. Simples, decidi que ia passar. E passei. Lá encontrei ótimos amigos, ótimos mesmo, que levarei pro resto da vida e estava num lugar onde não era o mais inteligente. Finalmente me senti a vontade. Me acomodei. Chegou o terceiro ano do colégio e as preparações pros vestibulares começaram… E eu, nem tão bem com meus estudos. Resolvi que dessa vez eu iria passar antes de reprovar, mas já era meio tarde…
E eu TINHA que prestar uma faculdade pública por mtos motivos. 1) acho besteira pagar por eduação; 2) sempre adorei coisas gratuitas; 3) minha mãe não tinha dinheiro pra me sustentar num curso que custa 1200R$ mensais, em média.
Entrei num cursinho gratuito (outra prova pra entrar no cursinho). Conheci pessoas maravilhosas, claro. Me preparei pra pior das provas (Vestibular da USP) e fiz um bom projeto de conclusão de curso. Resolvi prestar mais de uma faculdade, aumentar as chances de passar. Me inscrevi pra USP, UEL, UNESP, UNICAMP. Então, podem notar o quanto me preparei pra entrar na Universidade… Acontece que passei SOMENTE na UEL, em Londrina/Paraná. Fiquei até que mal por causa disso, mas soube que ao menos em uma, eu tinha passado… Isso me confortou. Pedi a minha mãe pra eu ir morar lá e ela me apoiou, mesmo sem dinheiro pra me sustentar em outra cidade. “Damos um jeito, Rafa”. Decidi que conseguiria um emprego, mesmo que ruim, pra me sustentar lá enquanto fazia o curso.

Fui pra lá, aluguei um apartamento com um cara que conheci na internet, fiquei três semanas ótimas lá… Até que me ligaram me avisando que eu tinha passado na UNESP pela lista de espera não divulgada, que eu nem sabia que existia.
Comecei a pesar as coisas: Estava dando despesas demais pra minha mãe, que não poderia pagar; O curso da UNESP é equivalente em conceito ao da UEL, porém, mais tradicional; É mais voltado para Engenharia da Computação, o que é ótimo (afinal, trabalha mais com eletronica); A UNESP fica na minha cidade, 20min a pé de casa.
Então, a UNESP venceu e eu voltei pra minha cidade, fazer meu curso de Ciências da Computação, passou-se um mês desde então.

O periodo que deixei de postar no meu blog foi da época que fui pra Londrina, onde não tinha acesso total a internet e agora, um mês depois que comecei as aulas na UNESP, que foi o tempo que levei para copiar matérias e entender conteúdos, conhecer professores, fazer trabalhos etc etc (pra quem interessar, são aprox. 2 meses sem post).

E é isso. Tudo aconteceu para que eu ficasse sem postar esses dois meses… Foi triste, senti falta, mas não havia tempo, nem condições.

Sinto muito de novo. Vou dar continuidade às minhas mudanças, atualizar as páginas… Entendam que será um processo demorado. Mas alguém tem pressa? ^^

O Trovador não tem.





Despedida…

27 02 2009

Bom pessoas, estou saindo da minha cidade daqui uma hora… Pra voltar sabe-se lá deus quando.

Mto mto, ansioso e me perdoem quem não respondi os comentários e os blogs que não visitei. Não tive tempo hábil pra fazer isso e sinceramente, não sei quando vou ter.

Infelizmente não deu pra terminar tudo que eu queria fazer no blog antes de me mudar, mas faz parte…

Achei que não fosse dar tempo mesmo, são mtas coisas.

Bom, pra quem é de Bauru-SP: Au revoir!

E pra quem é de Londrina-PR: Bonjuor! :D

Abraços! A todos!





Simples?

7 01 2009

surreal-2

[infelizmente, desconheço o autor, se souber, email-me]

VII

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.

- Uma Didática da Invenção,
Manoel de Barros in “O Livro das Ignorãças”

.

Bom, como começar?
Acho que seria mais conveniente dizer “Como terminar”, ou ainda “Como triturar” esse começo… Por que não faz SENTIDO começar a explicar isso.
Vou explicar como FOI.
Porque começo, começo mesmo, não sei, não têm.
Nem começo nem explicação, óbvio.

“Era uma tarde comum, como são todas as tardes comuns. Então o Daniel entrou. Conversa vai, conversa vem ele, me disse pra tentar uma ‘desconstrução’ como ensinava o poema Uma Didática da Invenção, que ele havia me passado um dia antes. Sinceramente, não estava pra poemas no dia, estava mais concentrado na minha amada, mas afinal, brotou algo de minha mente, algo louco, porque ele disse: ‘quero criar uma girafa pra cobradora de ônibus em bauru’ e não isso fazia sentido.”

Chamei de Paródia, mas o nome não significa NADA.

.

Paródia

Daniel & Rafael

Caçar as pedras que rolam no ar, esgueirando as borboletas

pra então chegar ao mantes do momento da lótus que cagava melindres de várias cores cacofônicas de vinho dragão

que evapora formando nuvens de variados sons e cegam aqueles que a cheiram, deixando loucos os loucos que sempre foram lúcidos

, os que cospem peixes de verde, mais verdes que o povo do reino da dor. o álcool que flui nas veias pedregosas do seio da mulher terrorista não tem santo

e alimenta bebês mentirosos, que não choram, cantam óperas surreais e fingem que são abóboras ou estrume de cachorro

As esfinges não deixam mais nada como querem, só querem sujar as roupas de Deus com sabão de azul de metileno

Pois os anjos negros como bolas de cristais fazem dançar a Deus e toda sua corja de ratos, dando-lhe chibatadas com finas tiras couro de insetos que já não existem, e nem existiram

para sapatear os céus de cogumelo com surrupiações de estrelas da mais fina areia de ouvido e de balas de preta fulô

E o homem vê o espetaculo dum picadeiro de vidro azul, a platéia é o espetaculo. a morte é a felizarda que sempre perde e sorri sempre e há o silencio, o silencio que nunca cala as cores…

Ah, o que não se cala. Não, só fecha a boca quando vem verão pelo lado molhado da xícara de moinhos asfaltados. O brilho de seu sovaco dissecava as flores de lama

lama limpa, lama lupina, luma-lua, que gira e gira e gira e forma padrões de pores-do-sol entumescidos de cinza e laranjada da fruta seca, que a flor dera.

eu espremi a flor, de tão seca que era, vertia anos e mais anos de pedra-pomes

que se desfaziam antes de chegar ao chão

como se passassem através dos calendários de chocovertigem ameríndia

e virassem ventos do oeste, que sopram calmos em águas rasas, como o sopro das aguas-vivas mortas

e o sopro suave do coração de maria, que mata a todos os frágeis

mas restaura os desgraçadamente fortes

a vaca de teia dupla, a única deusa por aqui, é a verdadeira rainha do funk do patriarca

que só dança hip-hop feito por rockeiros que cultuam deuses de luz

os que preferem beber creme de decepção de antojos. Mas, de todos os maiores males maiores de mais grande e maior grandeza, não tem mal mais mau que a maleza da mala maligna maleita malthus matusalém mallitus

desenterram dentes de destroços dos domos dominados de dotados da dor desvituosa datada de diminutos divisões divididas demais, divinas, doutrinadas do doutor dá dadaísmo

a geleira cada vez mais sorridente, lambe as gotas do disco voador de metil-parabenzeno, feitas unicamente de mentol

A as montanhas de deliciosidade repugnante pulsa com vida não-própria. A loucura está nos olhos de quem a cheiro

e os cigarros lavam a alma envergonhada de tudo que é relíquia de jardim africano.queima, queima, queima o queijo que julga demais

escorre por paredes transversais de feiura tão bela que envergonha os anjos de pudor e vertigem. tola faca cega que não corta, não fura, não brilha, não é mais que um pedaço de pau

um pedaço de carne, uma torre sem coluna. um invólucro de couro que só serve para fazer homem e mulher sofrer

e trazer medo às pedras que caçam borboletas

pedrinhas marteladas aos prantos pela menina de cabelo bonito e cabaça de feltro

e cabelos ruivos de pecado e doçura

o futuro é isso. e ai de quem dizer que meus carros não são infláveis

e que suas botas não são de calor.

.

.

.

ship

[Salvador Dali]





Uma nova face.

22 12 2008

Aliterações Críticas

Rafael Rabelo

Algo ou alguém alarmado,
Bonito e bom, buscando:
coesão e contextos contestados,
dentro das ditaduras destruídas.

Encimado entre escombros
fulgazes, fins da formalidade
geral, ganhada por gana da gente.

habilmente habitada por hereges,
índios indigentes involuntários
jogados juntos, jungidos, aos jazigos
lamentando a lastima literal lacônica,
mantidos minguados, mortos.

Nisso, nausea-o as namoradas e
os outros outorgados objetivos.

Portando, póstumas posições
Quando, querendo querer
rotula os rotos roedores rígidos
sangrando sem saber soturnos seres
trazendo tamanha tragédia a todos.

Ultimando ultimos ultrajes
vingado e vigorosamente vil
Xangô; xucro e xaveco,
Zonzo, ele zanza e zurzindo

E morre, sem poema ou poesia.

.

.

.

Eu já fui romantico.
Digo isso porque já não o sou. O Romantismo é uma piada, uma sátira, não existe. O Romantismo é uma mentira.
Muitas coisas me aconteceram… Muitas mesmo.
Acho que já li/ouvi tudo a meu respeito. Já me chamaram de tudo, mas eu gostava de ser chamado de Romantico, me sentia bem, me sentia único já que não se vê mais romanticos reais andando pelas ruas (só estas paródias que se chamam de emo’s) mas hoje percebo, ao me chamar de romantico me chamavam de idiota, de tolo. Sou um sonhador e o serei até o fim da vida (talvez seja a única coisa realmente minha) mas não mais romantico.
Ninguém respeita o romantismo, ninguém quer um romantico, tanto que as poesias romanticas cantavam dores, cemiterios.
Idealizar não é o caminho. Não critico os ideais, os tenho como motivação, mas os idealizados sempre serão inferiores. Não sonho ninguém mais, não mais. As pessoas não querem ser sonhos, nem coisas maravilhosas, e é aí que o romantismo peca em seu egoísmo… Jamais vi a opinião da donzela de faces brancas pela falta de sol. Talvez não tivesse opinião alguma. Talvez fosse cômodo ser uma Deusa, mas se pensasse assim, seria Deusa ainda?
Seria tão perfeita se tivesse a alma maculada por esse pensamento de “quero ser divina e superior”?
Há quem diga que passo por uma fase realista já algum tempo… Eu pessoalmente acho que ela já passou. Diria que estou num lance simbolista, brincando com as palavras e as expressões. Aprendi muito quando estudava pro vestibular esse ano, muita coisa sobre literatura e gramática (algumas coisas sobre gramática não aprendi) mas uma coisa é certa: Não queimarei mais carne a toa.





O Naufrago Racional

10 12 2008

Colocou as mãos na face quente.
Sentiu o sal nos olhos e não soube se estava chorando, mas não estava. Nunca chorava. Indepedentemente do que lhe ocorresse, não chorava. Sempre havia uma solução pra tudo, sempre havia uma saída, uma chance. Era um batalhador daqueles incanssáveis. Não choraria. De repente sentiu as pernas e deu um suspiro longo, sentiu a areia e resolveu se levantar, após deliberar sobre o que seria melhor fazer e que isto era ficar de pé e olhar em volta.
Enquanto estava se levantando imaginou: deve ser uma ilha, com uma pequena floresta, talvez uma montanha, de formação vulcânica… E quase caiu para trás, no mar, quando se deparou com o que via.
Era uma ilha pequena, realmente pequena. Minúscula. Quarenta metros quadrados seria muito.
Ele era um naufrágo numa ilha minúscula.
Pensou na sorte de estar vivo e não reclamou, não era homem de reclamar, era prático. Havia um problema, haveria uma solução e foi assim, com esse lema que chegou a ser um dos grandes nomes de WallStreet em tempo record. Aos vinte e dois já era acionista de uma grande empresa. Aos trinta era dono. Deu palestras para grandes empresários. Era prático. Racional. Haveria uma solução. No dia anterior estava em um cruzeiro de negócios, com vários outros empresários quando que por um defeito na maquinaria do transatlantico foi obrigado a subir no bote e ver aproximadamente seis bilhões de doláres em roupas e contratos afundarem lentamente. Depois veio a tempestade. Clássico, ele pensou. Deus não era criativo.
E agora ele era naufrago.
Viu um paletó preto, que não era o dele, boiando junto a sua perna e o pegou. Talvez fosse útil. O vestiu, por costume.
Não havia nada além de areia de praia e um grande coqueiro ao centro da micro-ilha e ele se deu ao direito de rir. Parecia piada. Mas de repente seu rosto se conterceu de espanto (o que era mais que raro) ao ver…
Vejam bem, era um telefone público.
Ele ficou sem reação.
Quem não ficaria? Ele ainda era humano apesar de não saber.
Ele ficou estarrecido, sem saber o que pensar… Procurando pelo horizonte algo que tivesse sobrado das bagagens e que pudesse usar pra fazer um sinal, ou algo que ele pudesse usar pra sobreviver não atentou que bem embaixo do coqueiro ao centro da ilha havia um telefone público.
Indignado, pensou: “Se não é o cúmulo do avanço das telecomunicações…” e tratou logo de ir em direção ao dito. Ora, ele não foi correndo, claro. Além de extremamente racional e lúcido, era paciente. Sabia que poderia estar alucinando. Muita água do mar, talvez? Provavel. Não que fosse impossivel, mas era estranho, pensamento que logo mudou ao ver que o telefone estava extremamente avariado e já era antigo, talvez nem funcionasse. Era óbvio que fora bem depredado. Talvez não fosse uma alucinação, no fins das contas, mas não deixou de tocar a máquina quando se aproximou. Era real. Bem real.
Tirou-o do gancho e ouviu o sinal de que funcionava. Agora ele era capaz de acreditar em tudo. Colocou-o de volta e pôs-se a analizar o aparelho.
Estava todo rabiscado com nomes e faltava alguns botões. O homem que era racional soltou um belo palavrão ao ver que o telefone funcionava a moedas. Moedas. E ele não tinha moedas. Ele nunca andava com moedas. Não as usava nunca! Procurou com certo desespero nos bolsos da calça, mas nada além de talões de cheques inuteis e outros pedaços de papeis verde-sem-valor molhados. O desespero aumentou quando percebeu que faltavam algumas teclas e uma delas era o 9. A outra era o 8.
Ligações a cobrar não adiantariam. Nem 0800.
As pernas fraquejaram e ele se sentou. Fazia tempo que não se sentia fraco.
De repente lhe ocorreu algo… Será?
Ele procurou no paletó preto que vestia. Não era dele, poderia… E bingo, havia um bolso e nele um pequeno circulo metálico que àquela altura, valia mais que ouro. Era uma moeda de não muito valor, mas ele ficou orgulhoso por ser racional, pois havia concluído que o paletó era do moço que entrara no bote com ele e pela rápida conversa de que lembrava, o moço era pobre. Teria moedas.
Sentiu-se angustiado. O que teria acontecido com o rapaz? Mas quando ele desmaiou, o rapaz ainda estava bem, entou se concentrou no telefone.
E dessa vez, ele ficou bravo e bateu com a cabeça já dolorida no telefone público, que soltou um estalo, quase reclamando, indignado como ele.
Não estava com o celular. Havia perdido antes mesmo de subir no bote. Não haviam muitos telefones em sua cabeça agora… Era inútil decorar telefones se haviam agendas, pagers, computadores e secretárias, era assim que ele pensava. Bom, também não é sempre pode se virar um naufrago e precisar de moedas e um número de telefone.
Haviam alguns números que ele teria decorado por tanto usar, só precisava lembrar deles!
Forçou bem a mente, ele sabia que estavam lá, em algum lugar de seu cérebro!
Lembrou-se de quatro, que tinha certeza que estavam corretos.
O de sua casa, do escritório, o de um colega e o de uma ex-namorada, de quem quase fora noivo.
Era importantíssimo pensar bem pra onde ligar, mesmo que levasse dias já que aquela era a única moeda que tinha. Procurou novamente para confirmar e sim, era a única. Essa, portanto, deveria ser bem investida, e sentado na areia da praia vendo um pôr-do-sol que seria bonito se não fosse terrivel pensou: “Esse investimento tem que render.”
Tentou dormir, mas não conseguiu. Estava frio e ele tinha fome e não havia comida. Nada além de sal, água, madeira e areia. Cocos? Não, não tinha. Cogitou contruir uma jangada, mas com um tronco? E como o derrubaria? Não, o jeito era o telefone.

Quando amanheceu ele estava com sede, sono, frio e fome, mas tinha uma moeda e já era alguma coisa.
Por ser racional, começou a deliberar todos os prós e contras dos telefones que tinha. O de sua casa não serveria de nada, já que ninguém morava lá, exceto ele. O do escritório também seria de pouca utilidade, ele deveria levar em consideração que as pessoas o chamariam de louco se ele dissesse que está numa ilha deserta… Com um telefone.
Sem contar que havia todo um stress na empresa, muitos queriam que ele não voltasse, não era inteligente pedir ajuda a quem não lhe queria bem.
Seu amigo não lhe acreditaria até que fosse tarde demais, fora que com uma unica moeda em uma ligação que certamente seria considerada internacional, não teria muito tempo pra se explicar. Havia sua ex-namorada e de repente se lembrou de como ela dissera que ele era racional demais e por isso “não daria certo” e que ele precisava aprender a escutar mais o coração.
Ele nunca entendeu isso, simplesmente não fazia sentido.
Ligar pra ela era arriscado, talvez ela tivesse raiva… E isso o deixou triste.
Estava cansado e agora fazia calor, muito calor, já devia ser meio dia quando ele se sentou embaixo do coqueiro e dormiu.
Acordou já a noite, mais feliz por ter dormido.
Passou a noite inteira pensando e tremendo e quando amanheceu estava esgotado, faminto, comendo minhocas e pequenos peixes que conseguia pegar usando o paletó.

Pouco antes de anoitecer já estava morrendo de sede e sentia o gosto do sal na pele que tratava por desidrata-lo mais ainda. E não chovia.

Se desesperançou, não haveria ninguém que acreditasse que era ele mesmo que ligava de uma ilha deserta, principalmente nessa época de trotes e pegadinhas de TV.
Mas ele ainda tinha a moeda e resolveu gastá-la numa ultima chamada que valesse a pena.
colocou-a e digitou o número bem mais sereno do que poderia imaginar que estaria.
O telefone chamou… Chamou… E pouco antes dele desligar entristecido, uma voz feminina disse “Alô?” e ele teve tempo somente de dizer um “Eu te amo…” rouco antes da ligação cair.
Olhou pro por-do-sol que não pareceu mais tão terrivel. E ele entendeu. E chorou.

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Considerações:

Eu já tinha esse texto há um tempo e queria publica-lo, por isso, tratei de revisa-lo, se caso encontrarem algum erro, me digam ^^

Sim, eu sei que é grande :P

E também sei que tem um final triste… Eu tinha até bolado um final feliz, mas não gostei, preferi esse, mas pros curiosos:

“Depois de um instante, quebrando o silencio das ondas, o telefone toca. O naufrago atende num sobressalto misto de desespero e alegria dizendo:
_ Alô eu sou… Quando a voz feminina o interrompe.
_ Eu sei quem você é. Impossivel não reconhecer sua voz, mesmo depois de tanto tempo. Estava com saudades, você sumiu… Que historia é essa de “eu te amo”? E que raios de numero é esse? Onde você está? Você está bem?
Ele sorriu. Olhou pro por-do-sol.
_ Eu estou ótimo! E você? Mas você não vai acreditar onde eu estou…”

Sim, este foi outro post relampago.

Abraços o/





Vida de Vestibulando

6 12 2008

Bom pessoas, vou fazer mais uma prova esse domingo agora, portanto, desejem-me sorte.

Enquanto fico lá (incriveis dois dias em Londrina, PR) leiam esse blog

http://punyparker.blogspot.com/

É ótimo, merece que cada tirinha seja lida!





Selo!

30 11 2008

selo2

Selo! Ganhei outro selo! Assim, com esses mimos, como diz a Thaís do Scene (que foi quem me indicou o selo), eu vou é ficar muito mimado.

Enfim, fiquei muito feliz, muito mesmo, saber que meu pequeno blog e minha pequena e rápida aparição no mundo dos blogs já me trouxe umas amizades tão boas.

Agora, as indicações!

Ao Metamorfose Ambulante, da Yv

Ao Blog da Oriona, de quem sinto imensas saudades

E por ultimo e não menos importe, obvio, Ao Prosa Poética, da Maria Luísa.

Com isso encerro o selo e vem mais uma vez minha retratação por demorar a responder Comentários, a demorar pra visitar blogs de que gosto tanto… Mas acontece que o tempo sumiu, correu de mim e se escondeu e somente hoje fui encontra-lo.
E nesse meio tempo fui sendo seguido constantemente pelas tarefas e mais tarefas que me foram impostas.

Peço desculpas sinceras, mas tão cedo quanto eu possa, juro que mandarei emails a quem me lê e comenta, comentarei em todos os blogs que amo ler.

Agora, vou-me indo, que já tarde (ou cedo) demais…

Beijooos a todos

E obrigado!