Luar Submerso
Aline Erba
Mar negro e reluzente,
Ora sólido, ora profundo;
Ora manso, ora arisco.
Não sei, não sei se és pintura ou se és rabisco.
Mar, mar querido,
que há em teus abismos?
Se dor ou contentamento,
Não sei, não sei se há júbilo ou tormento.
Mar longínquo, acaso entende?
O brilho meu, que espelho te faz
A beleza à noite traz
E o amor que deveras sente,
a distância não desfaz.
Mar, mar amigo,
Perdoa esse brilho, que em ti borrão se faz.
Se o dia dissipa a neblina e me afasta do teu cais;
Mesmo em face do encanto noturno, a distância é algo mais;
Mais forte que a luz que me mostras onde estais.
Mar imenso e distinto,
Já não sigo meu instinto, de banhar a toda a Terra.
Em outros mares e outras caravelas, outros navios e outras velas;
é onde meu mistério se revela.
Mar, mar sofrido,
da solidão fiel amigo, e pelas sombras, acolhido.
E o frio silêncio do amor submergido,
Faz calar meu canto em teu pranto contido.
Mar doce e sereno,
Que o sentir tornou veneno.
Perdoa se não trago teu alento.
Tu, que sempre tão atento, não faz jus o sofrimento.
Segue o dia, segue o vento;
Segue a luz, segue o tempo;
E cegue a dor;
cegue o tormento.
Mar, mar divino,
que tanto crê no destino,
crê também no impensável infinito,
que surpresas traga a teu auxilio.
E te alegre o exílio,
da âncora que levantas; princípio do retiro.
Mar negro e reluzente,
Já não te infiltram os raios meus,
e em tua sólida superfície se reflete o adeus.
Um adeus na brisa fria,
na noite que se finda, a te trazer um novo dia.
(12/04/2007)
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Maré Luarenta
Rafael Rabelo
Luar belo e resplandecente,
Ora marcante, ora ausente ;
ora firme, ora suave.
Não sei se és música ou se és poesia.
Lua, lua majestosa
O que há em teu infinito céu?
É certeza, ou é dúvida,
Não sei se é a fé de uma sacerdotisa ou a sagacidade de uma cientista.
Lua distante, por acaso não vê?
Que teu brilho brinca comigo
E a beleza da noite é você quem traz
Vai e inspire o rapaz,
que diversos versos à sua amada faz.
Lua, lua amada,
Perdoa a minha maré, que faz ondas pra te alcançar.
E na terrivel busca por ti, vítimas se fazem por mim;
Talvez se cada gota de mim se elevar aos céus, eu te alcance;
E se eu der tudo de mim e você não me amar, como suspeito que não ama.
Lua misteriosa e linda,
Eu não tenho mais ego, o de ser grande e imponente.
Teu Luar suave, que o mais corajoso dos homens ruboriza
Me diminui, me afaga, como uma criança inocente.
Lua, lua acolhedora,
Companheira da música e da poesia.
Tem em ti um toque de tristeza,
Sei que duvidas, sei que chora escondida.
Lua tocante e poetisa,
Que diz “não poderia te amar”
Mas não diz que de fato não ama.
Tu, que em mim faz nascer o sorrir,
Vem me ver, escuta os sussuros do mar;
Não segue o tempo que sempre erra;
Caminha no horizonte;
Vem comigo ver o sol se pôr…
Lua, lua inspiradora,
Que não abandona seus versos,
Não abandone também seu Mar querido,
e desconfie do tempo, nosso inimigo
Que nos separa e enfrenta o Destino
Que tenta nos unir e vejo ser meu amigo
Luar belo e resplandecente,
acabam os ventos que me elevam,
e em tua superficie etérea posso ver a tristeza.
Um sorriso do mar, “até logo lua querida”,
na espera que se inicia, na dor de um longo dia.
(19/07/2007)
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Para Aline, minha Lua.
Feliz aniversário! Que você seja muito muito muito feliz… E não se esqueça que já fui apaixonado por ti. ^^
“Eu não poderia te amar” foi o seu fora daquela vez.
Agora a explicação ao público: Aline é uma amiga poetisa de mui grande estima minha, por quem já fui apaixonado e pra quem escrevi a maioria dos poemas com tema “Lua”. Ela por sua vez retribuiu me chamando de Mar nesse poema e eu não pude deixar de responder o poema, como é devido.
Nunca ficamos juntos. Nem vamos ficar. Ela namora firme desd’aquela época.
O Destino é irônico, afinal, o Mar e a Lua nunca ficarão juntos.
Mas de certo, não paramos de nos chamar de Lua e Mar.