Esqueceram do sapo

1 11 2009

Rafael Rabelo

Esqueceram o sapo.
Nenhuma princesa foi beija-lo
Princesas nem existem mais.
Mas os sapos ainda estão por aí.
Quem sabe se virarão príncipes?
Quem sabe se terão riqueza e fortuna?
Mas não importa, esqueceram-se deles.

Esqueceram do sapo.
E com ele, esqueceram do amor.
Princesas não há mais
Talvez nunca tivessem existido.
Enganaram a todos os sapos?
Fizeram deles, além de sapos, palhaços?
Ah, nem importa mais, esqueceram, mesmo.

O sapo esquecido
Fica coaxando na lagoa
Que coisa engraçada de se dizer!
Coaxar.
Acho que não existem princesas
Que nunca existiram
Afinal, o que sapos e princesas teriam em comum?
Afinal, por que os sapos?
Que importancia tem os sapos e as princesas…

O sapo se esqueceu
E quem sou eu?
E por que a idéia fixa em princesas inexistentes?
Bom, até os sapos se esqueceram de si mesmos
Isso por que princesas não existem.

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Já sentiram desespero? Desespero real e puro?
É a simples e total morte de tudo.
Mas não a sua.
É como se só existisse você imortal num mundo vazio.
Nada vai mudar, não há nada que você possa fazer.
Nada.





Festa da Vida

5 10 2009

Rafael Rabelo

Vestida de seu vestido de noite
Negro, com estrelas cintilantes.
O rosto sem máscara é o único.
Todos os outros não têm rosto.

Todos valsam e comemoram, riem
Todos se divertem e se enaltecem
Ela está perdida e todos ignoram
E não ajudam, nem perguntam

Teus cabelos não tem cor, nem teus olhos
Teu corpo não tem formato, mas está lá
Tuas pernas não caminham, flutuam
E não há respiração, só a brisa

É uma grande festa e todos dançam
Caminham, desligados e felizes
Todos usam máscaras, todos maquiados
Bem vestidos e alegantados

E você procura e procura, e não há
Olhares! São todos vazios, distantes
Se te olham, te olham de longe
Se te aproxima, não te vêem mais

A música aumenta, todos se sacodem
As mulheres gritam e os homens rugem
Os homens brincam e as mulheres fisgam
Mas a música continua
Ela sempre continua

. . .

Encostado na mesa distante
Há um garoto.
De barba e óculos no rosto
Está bem seguro, é forte.

Está alheio à festa e as pessoas
Espera alguém, paciente
Conversam com ele, e ele ignora
Ele pensa demais e não as vê

Não há feições em sua face
Não há vida em sua vida
Não há sentido em sua direção
Só um certo vazio…

Por vezes, ele caminha sozinho
Com uma rosa na mão e um livro
Na outra
Metade sim, metade não. Em vão.

A noite não tem Lua. O céu não tem anjo
Não há rosas, não mais.
Tudo está seco por que ele secou.
Ele sabe que caminho irá fazer.

Comeu algo, bebeu algo
Visitou os quartos pela nona vez
E com passos lentos, descia a escada
Quando encontrou um olhar

. . .

A moça, já desesperada e sozinha
Viu-se aos prantos e desolada
Essas pessoas que não conhecia!
Essas pessoas que não a conheciam!

O garoto sorriu. Não tinha isso em mente.
Não tinha nada em mente, só cores.
Branco. Negro. Vermelho. Azul. Prata.
Dourado. Ele correu como nunca tinha corrido antes.

A moça olhava pros lados, pra baixo
Girava em meio às pessoas que dançavam
Gritava em meio às pessoas que cantavam
Sua dor era melodia e rimava.

Abriu caminho entre desconhecidos
Tinha um sorriso no rosto, que ardia
O coração pulava e saltava, cambalhotas
Via uma direção, uma vida, uma face

Meio zonza, caiu e não conseguia respirar
Todos ainda dançavam e valsavam
Como se ela simplesmente não tivesse caido!
E seu vestido de noite rasgado…

Parou, ofegante, em meio à dança
E a viu, caida, vestida de negro com a noite.
Hesitou. Teve medo? Ele? Sim.
Ficou feliz por que teve medo.

Ele segurou a mão dela, que com espanto
Olhou em seu rosto e não viu máscara
Só olhos, sorriso e barba
E óculos, talvez os óculos…

E não dançaram. Caminharam pelos salões
Enquanto a festa prosseguia,
eles viam o céu, de noite e de dia.
Conversavam e liam, choravam e riam

Não dançavam, nem cantavam
Não eram como os outros
Que nem sequer tinham rostos
Não faziam parte da ignorancia

Como não eram vistos, fizeram amor aqui e ali
Recitaram poemas à todo pulmão
Brigaram e reataram em meio ao público
Que nem sequer parou a comemoração

E quando a festa acabou e todos foram embora
Deixando pra trás somente a ruína de um mundo
Eles ficaram ali, conversando ainda, deitados na grama
Esperando ficarem sozinhos juntos pela primeira vez.

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Bom, pra quem não reparou, o poema varia da visão de uma garota e um garoto. Então, se leu e não entendeu, leia de novo ;)

Esse poema escrevi agora. E bem, creio que vão entender o que ele significa.
Afinal, a vida é uma grande festa.

Alguns fazem parte dela, outros não.





Desencontro

13 07 2009

Desencontro palavras pra descrever
Pois não é como se eu não as tivesse
E sim como se me fugissem

Desencontro o amor, do mesmo modo.
Ali, sempre à espreita, mas nunca comigo

Desencontro os dias da minha vida
Desencontro o tempo todo, as horas e minutos

Desencontro o riso do meu rosto
Se o vejo, é forçado e sem graça

Desencontro minha fome, meu silêncio…
Desencontro tudo que eu tenho, mas me escapa.

Desencontro momentos, também
Sempre um momento cedo ou tarde demais

A vida pra mim é um grande desencontrar
de abraços e olhares perdidos.

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Se, por acaso, encontrarem um monstro andando cabisbaixo pela rua em um dia nublado de chuva, catando músicas anos 80 e 90, e que todos ignoram… Tenha certeza de que sou eu.





Não se conquista o amor

14 06 2009

Não se conquista o amor

Rafael Rabelo

Se te amo, te desprezo
Não posso querer-te bem ou idealizar-te
não posso sonhar a ti ou escrever a ti
Se te amo, não me entrego

Não serei teu. Na verdade, nem te notarei
Não comoverão tuas lágrimas ou súplicas
Se te amo, te esqueço

Não é sendo teu que seras minha
Não terei teu coração, entregando o meu
Se te amo, não te desejo

só poderei ter-te se tu se entregas
Não te conquisto, te aceito
Só não te desejando, terei-te

Não se tem jamais o que se sonha ter

Caso contrario, se dou-me, serei eu teu
E não tu minha.

Terei-te tão somente em imagem. Tão somente em sonho
Somente serás digna do meu amor quando se entregar a mim.
Só amarei se me amar.

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Ci, eu entendo mto bem! No caso, só trocar os generos.
Só quero ver quando os romanticos virarem os vilões… Só quero ver.





A Poesia contra o Sexo

7 06 2009

É tão mais importante um corpo bonito que tornar-se-á decrépto e sem vida um dia?
É tão mais importante do que minhas palavras imortais?
É tão preferivel essa vontade irracional, esse desejo absurdo e sem sentido que sentem?
Tão maior que eu, são os pecados?
Por mais melodiosas que sejam as frases elas não vencem o toque do corpo. Por mais lustradas que estejam, um charmoso sedutor faz com que elas sejam esquecidas.
Não importa quantos milhões de versos eu faça, nenhum deles tocará o seio de uma mulher.
Os loucos, os absurdos, estes são melhores que meus poemas.
Seduzem mais, pois são mais misteriosos, pois são livres e distantes como Deus, ou o Diabo.
E não importa que as façam sofrer, é mais belo e faz mais sentido que ajam assim, embora no fundo ainda achem as moças ingênuas que por amá-las, os cafajestes curvar-se-ão, ignorando toda a lógica e sentido, o que eu admito que se acontecesse, se tal amor surgisse diante de mim ignorando toda a lei natural, eu não ousaria ser um empecilho.
Nenhum verso meu chegará aos pés dessa possibilidade de milagre.
A era dos poetas romanticos acabou, estou portanto, fadado ao esquecimento e à dor. E depois, à insensibilidade, que já sinto querer tomar posse de um coração deserto e árido.
O que me conforta é a possibilidade de que se eu me tornar tal fera insensivel, tal monstro, um dia surja diante de mim uma bela que me salve antes que a última pétala de rosa caia ao chão.

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É mais um texto de amor x paixão, mas tá valendo… Sim sim, eu sei que nem todo mundo vai gostar, mas é bom receber um poco de crítica. E esses dias vi a frase: Quem sabe,  sabe. Quem não sabe, não precisa saber.





Os Lobos da Lama

21 08 2008

Te sentes triste, eu sei
te iludiram como iludem.
Te falaram juras, te largaram.
te abandonaram como aos tolos
no final, estais entre os lobos
da lama que vinha e não sabia

já não tem irmãos, amigos
familia, ou vizinha
já não te sobra pão ou carne
já perdeu o gosto o vinho
e a cor, as palavras.

lhe falta o que roubaram de ti
cativaram-te pra depois descartar
foi-se embora tudo o que achou
ser eterno e imutavel, foram-se laços
ficaram somente os nós.
As fotos e os presentes, pedaços
talvez nem isso…

rejeitaram-te e sê sincero!
rejeitaram-te completamente!
sabes disso, sabes como sabes
o sabor do leite da tua mãe!
arrancaram-te o seio do mundo
que eles mesmo serviram a ti

mas o desespero lhe faz compania
e a dor e a cegueira, suas guias
Trilha o caminho dos loucos!
Faz o teu proprio caminho insano!
Vê na noite tua amante, amada!
Que ela, ela não te abandona!

Vê no escuro teus olhos inchados
sente o amargo na garganta como doce
E diz a ti: É isto que é bom!
Viaja nas estrelas, tuas irmãs
procura nelas o riso ou o choro
do menino que foste, mas perdera

E caminha pelo vale da sombra da morte
sem cajado, sem vara, sem mão
Sem olhos nem paixão, só caminha!
Caminha pois a morte é tua amiga
e cair não te cabe, caminhar é o que te resta.

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Não me reflete hoje esse poema. Já se escondeu esse sentimento de sorrir a dor. Hoje estou a entregar rosas e cantarolar por entre gente calada e cabisbaixa. Estou dançando no escuro. Mesmo com a alfinetada permamente de não saber se sou amado estou feliz por ser ainda, depois de tudo, capaz de amor. Do unico amor que tive e tenho. E que me rendeu título de poeta e muitas outras coisas (já que comecei a escrever como “Trovador” por amar a essa menina, que idolatrava e elevava) e é ela que canto em cada poema, tirando as dedicatórias aos amigos e os sociais, são todos dela. Os bons, os maus. E ela ainda não acredita que eu a amo. Mas ainda hei de acreditar um dia.





Imaginação.

6 08 2008

A imaginação é amaldiçoada
Tudo quanto bem imaginado
traz uma dor amargurada
Ver e ter, mas nada além de sonhado

A todo momento findada
interrompida pela voz do calado
Eterna despedida e chegada
Éter do sonho gritado

A ilusão de ter e possuir chega
E no plano da imaginação fica
Enquanto a posse em si, parte

No sonho a posse volta e galga
A visão que amamos, onírica,
Mesmo que me a vida mate.

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Adoro imaginar as coisas, mas as vezes tê-las como “não reais” que são me dói… Me dói muito.





Frase de fim

15 06 2008

Frase de Fim

Oh, doce sabor de fel,
palavra doce que antecede
desgraça e augúrio,
me traz dor, me fere.
Faz-me esquecer a vida!

Oh, doce voz de veludo,
de cetim vermelho bordô,
de marfim e de coroas ,
de rosas brancas e suaves,
doce sabor de fim amor.

Voz de delírio, de insônia,
traz pra mim a doce esperança.
A dor da irrelevância de mim
sou teu amigo, doce voz.
Amigo morto teu, morto por ti.

Tuas frases leves me derrubam,
teu clamor por outros me sangram
e te não-ter me dói e arde.
Mesmo sendo tu, doce voz suave.

São todas vocês doces vozes
de esperança e bonança
numa ópera na minha vida vã
com meus discursos vãos
e minha morte vã e sem méritos!

Dirão: “uma frase o matou!”
e uma palavra e estou ao chão!
Estirado sobre pés de salto alto
que estão a me fazer carícias
e de me bater cheio de malícias

Cede a ternura que finda!
Finda por seu começo, por seu fim
previsível, monótono e clichê!
Esta frase bentamaldiçoada
“Amo-te como amigo”.

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Ah, a maldição e benção de entender as coisas que ninguém entende.





Amanhã…

4 06 2008

Um certo amanhã

vai ser um dia frio
com um céu acinzentado
e um vento que vai cortar meu rosto
e mesmo o sol vai me queimar a pele
e mesmo o vento vai me congelar a alma
até as cores vão me ferir os olhos
e as sombras vão saltar
das paredes pra me torturar
e me fazer lembrar
e cada gesto e cada olhar
vai me trazer de volta
Aquele gesto, aquele olhar
e por mais que o dia seja lindo
vai ser triste, vai me ferir.

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He… Ela sempre quis mesmo um post aqui… Pra você, mon rose.

É, acho que ela não faz idéia. Droga, “não fazia”. Preciso por as coisas no pretérito. Eu sei disso, sei como fazer, já fiz dezenas de vezes. Pura e simplesmente questão de por no passado. Preterizar o que aconteceu e dizer que já passou. Forçar a me acostumar com a solidão de novo… Realmente, ela nunca me abandona, a solidão. Se disfarça, se mistifica em mulher, esses seres malvados que me ferem o coração. Se um dia eu me tornar um insensivel (e vão saber disso pela descontinuidade do blog), saibam que a culpa foi delas. Porque simplesmente perdi a conta de quantas vezes pedi uma mão e levei um tapa. Perdi a conta de quantas vezes rodei a cidade pra realizar desejos mesquinhos (e ainda com um sorriso no rosto), de quantas rosas e doces e poemas e histórias e depoimentos e sacrificios.

Mas amo. E como é bom amar. E tenho dó de quem não sabe.

Por mais que te fira, por mais que faça você chorar e gritar e enlouquecer, te faz feliz. Insanamente feliz.





Noite!

12 05 2008

Van Gogh - Noite estrelada sobre o Reno

Van Gogh – Noite sobre o reno

A Noite…

Rafael Rabelo

A noite acolhe, de braços abertos
Acolhe a todos, terriveis ou amigos
Todas as cores, perdoa os pecados
guarda as feras que o sol fere
dá abrigo a quem vê no dia uma dor

A noite abraça, aqueles que a amam
são todos comuns em seus ódios
falhas e fraquezas, são todos maus
irmãos de maldade e incompreensão
Foram rejeitados e se vingaram

A noite ama, e é só ternura fria
ela quase sussurra em meu ouvido
palavras amargas e falhas, fracas
Tão todo mundo, tão imperfeita
E por isso mesmo, perfeita

A noite esfria, não acalenta
Mas também não fere os olhos
nem denuncia as vistas os renegados
Que fogem, fogem, pois todos fogem
Aqueles que o calor do sol mata.

A noite embala, em música antiga
certos monstros que são mimos
filhos de deuses pagãos primitivos
canta canções de ninar sempre
Eternamente embalando-os no sono

A noite é mãe, carinhosa e gentil
mãe daqueles que não tem mãe
Daqueles que não tem amigo, ou mão
Faz compania a quem está sozinho
E seu vento roça a face, como beijo

A noite protege amantes escondidos
Encontros secretos e amantes furtivos
Abençoa o amor, mesmo que proíbido!
E no calor dos corpos juntos, os gemidos
Povoando a noite com burburinhos.

Mas é noite, não saí, não vive.
A noite te corrompe ao mau caminho
Te faz amar quem merece amor
Te faz sexo, te faz transar,
Posto que transar de dia é só pra variar!

A noite é linda, tão bela, infinda
Te oblitera e te define, desfocando-te
Somos todos a noite, somos todos escuro
Só nos saberão pelo sorriso branco
E pelas unhas, que esconderemos.
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Eu quero alguém pra proteger. >.<

Sou cavaleiro sem princesa… Onde já se viu isso!?

Mas tá dificil de achar princesas hoje em dia… Elas geralmente preferem os Ogros.