Trovador por Amor.
Rafael Rabelo
Sou cavaleiro de mil távolas redondas,
Senhor na Frankia, em Birmânia.
em Gales tenho feudos enormes
Sou rei Dinamarquês e grande viking
Tenho além do mar terras por conquistar
Já batalhei mais de cem batalhas
enfrentei dezenas de paredes de escudos
a quais não sobreviveram um homem
Além de mim, Cavaleiro, senhor e Rei
de távolas, de feudos e Dinamarquês
Cacei pagãos em terras do Norte gelado
fui ao deserto tomar Jerusalém e voltei
Desvendei terras das Índias desconhecidas
E lutei com os mouros nas Árabias Sauditas
Lutei mais guerras que Alexandre e Carlos Magno
E mesmo assim me prostro diante de ti
Que em nenhum lugar vi tanta beleza unida
Nenhum pôr-do-sol oriental ou ocidental
Ou diamante espólio de Rei turco ou índiano
Tinha tamanho esplendor de me fazer tremer
Meu rosto sério se esfarela a um olhar
e a espada pesa, a armadura pesa, tudo pesa
Sou fraco ao estar contigo, minha senhorita
Que duma palavra sua eu desmontaria
como armadura que visto, simples e vazia
Meu braço que cravou espadas em mil peitos
Não pesa mais que seda por ti, senhorita
Meu escudo que suportou cem machados
Contra ti, é inutil e simplesmente inexiste
Meu corpo que resistiu ao mais sortido tipo
de flagelos, doenças e ferimentos
Caí murcho, prostrado e cansado, criança
Ao menor levantar de voz teu, senhorita
E nem coragem tenho, nem força ou destreza
de falar-lhe qualquer coisa que mereça
Que o coração corre, a alma escorre
E eu sou apenas homem ou pássaro
Pedindo carinho, ou abrigo.
Um amor ou um suspiro.

Hoje o dia está chuvoso e limpa o mundo. Caí a chuva como que para castigar e o céu está cinza e rancoroso.
Eu? Eu caminho pela chuva, na rua de sempre, ou antes, as sombras das ruas de sempre…
O dia está triste e eu não. Chove e chove muito e eu estou caminhando encharcado.
Não há nada em mim que não esteja molhado.
O sorriso no rosto está molhado.
O Dançar na chuva está molhado.
Até a canção cantada alta e sem ritmo está molhada.
As pessoas passam correndo e eu caminho sorrindo, com roupas e idéias cheias de chuva e alegria.
A chuva até aumentou, como que para fazer sentir-se-me, mas só me fez rir. O Mundo não me fere hoje.
E os homens procuram abrigo em seus casacos, as mulheres correm para os toldos das casas alheias e a chuva caí, rola pelo chão.
E inunda coisas, almas e sarjetas, sobe nas calçadas e até invade certas moradias.
Eu caminho pois há sol em mim. Estou a ouvir minhas músicas e as canto alto!
E ninguém me ouve, todos correm da chuva e ninguém me nota e isso me alegra.
A paisagem é toda diferente. É a mesma rua, mas tem chuva nela. É o mesmo céu, mas é cinza.
Houve uma certa beleza e um certo gozo em ver o mundo com aquele olhar de “novo”.
Aquela tão diferente rua e a mesma! O Mesmo trajeto, mas diferente!
Eu caminho com leveza na alma, no espírito e na mente, tenho nuvens brancas nos pés e um sol no olhar.
Hoje o dia acaba em chuva e sorrisos sem sentidos.