O Canto

26 10 2009

Rafael Rabelo

O Canto das Pessoas,
estava no Canto d’Alma.
E sua forma, de alguma forma
Lembrava o Canto das Coisas,

O Canto da parede
Acolhe, nos faz compania.
E o mundo mudo,
insulta, torna a vida sombria.

O Canto de louvor ao Canto,
e seu acolher que encanta.
Engole a Terra em um abraço
E eu o engulo na garganta

O Canto é sempre um amigo
e Haviam outros Cantos
Uns anjos que nos recolhem,
E enchem os ouvidos.

Dentro de nós há um Canto
Que grita, n’alma.
Nele nos ouvimos e sentimos
Vemos nossas sombras projetadas.

O Canto enche os corações
preenche a alma e acompanha
Torna uma dor menos Solitária
enquanto eu, sozinho, a Canto

;) (65)

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As vezes, quando eu acho que esgotei os poemas que eu tinha, me surpreendo. Sempre encontro um poema perdido nas minhas coisas. E o pior, fico surpreso com quão bons eles são!
Acho que escrevi melhor antes, do que agora.
Era mais inspirado, eu acho.

Eu lembrei desse poema, foi baseado no primeiro livro que eu li a sério.
As Batalhas do Castelo.
Mto bom o livro, me surpreendi MESMO com o final.
Quem quiser, que leia o livro, talvez entenda melhor a poesia…





A Dançarina do Ventre

3 08 2009

A Dançarina do Ventre

Rafael Rabelo

De repente, um movimento
Emergido da dançarina.
As mãos desenhando no vento
como serpentes em grega arena.

E o corpo todo cria vida
cada passe, uma magia.
O ventre liso ondeia,
e os olhos firmes de sombra
os observadores enfeitiça.

A música é meramente decorativa.
Teu corpo é o instrumento,
a melodia vinha do movimento
de seu brinquedo que era o vento
Do tilintar suave de sua fantasia.

Não mais somente uma mulher
e sim uma orquestra de mãos,
braços,
ventre,
cintura e pernas.
E cada parte dela dançava
em uma coreografia surreal sincronizada.

Os olhos nem ao menos acompanham-na.
Só coração acompanha seu ritmo
e a respiração de sua vontade estima,
o tilintar da roupa o som predomina.

O corpo em posições impossíveis
em movimentos improváveis,
formando ângulos obtusos incríveis
que delirava as mentes menos críveis.

E como tudo começou, parou.
os movimentos cessaram com a música
e da dançarina e seus movimentos
restaram só versos e sentimentos.

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Em homenagem às lindas dançarinas do ventre, em especial minha amiga Sial, que me chama quando tem eventos onde ela dança.





Sobre a ciência e a arte

22 06 2009

Bom, como alguns devem saber (os que não sabem, saberão agora) venho escrevendo com a lerdeza de uma lesma uns textos falando sobre as artes que mais admiro e aprecio e que nem todos consideram artes.

Por enquanto só publiquei dois desses textos, mas tenho mais alguns que carecem de revisão (hehehe, quando baxa o santo, escrevo como um demônio e os erros acontecem com frequencia).

De qualquer forma, vou postar aqui agora o que seria o preludio do livro que eu escreveria juntando todas As Artes dos textos de que falei.

As Artes

Introdução, sobre a ciência e a arte

Cheguei em um ponto da minha vida extremamente importante. Muitissimo importante. Uma questão simples precisava ser respondida e a maioria dos jovens de 16 ou 18 anos sofrem com a dúvida: que vou fazer da vida?

Algo como com que vou trabalhar, como me sustentar, essas coisas. Típica questão básica de “O que eu vou ser quando eu crescer” mas que toma proporções enormes quando entramos na puberdade.

Principalmente pra mim que me vi dividido entre duas estradas que eu julgava e ainda julgo, opostas. A arte e a ciência.

Na minha cabeça as duas são se aceitam, embora uma tenha um pouco da outra em suas essências. Vejam bem, um ciêntista JAMAIS será um artista em seu ramo, na minha modesta opinião. Ciêntistas são práticos (precisam ser) e artistas são melodramáticos. Claro, há um mínimo de arte na ciência e um mínimo de ciência da arte, mas isso só confirma que são opostas e mutuamente exclusivas. Um mínimo e nada mais.

E eu, como sempre na minha vida, me vi dividido entre os dois caminhos que julgo opostos: Ser artista ou ciêntista?

Sempre me julguei pouco prático pra ser um ciêntista, e (por incrivel que pareça) pouco melodramático pra ser um artista.

Para deixar um pouco claro o que considero arte e ciência e o que não é nenhum dos dois, vou falar um pouco sobre minhas definições (que como verão no decorrer do livro, são muitas e bem variadas das definições originais) sobre ciência e arte.

Primeiro que ciência e arte são essenciais da humanidade. O que não for ciência ou arte, não é essencial, trata-se de um fruto da sociedade como ela é hoje e pode a vir deixar de existir um dia, levando consigo qualquer coisa que não seja arte ou ciência.
Ciência é um fruto de si mesma e para ela é necessário um individuo e não mais. E também em toda sociedade existe ao menos uma ciência. Ciência é um meio de obter conhecimento, portanto, há sempre uma em uma sociedade, porém é possivel que um único homem dedicado produza os artigos, crie os métodos e postulados necessários… Também uma coisa curiosa sobre ciência do meu ponto de vista é que também se encaixam as religões. Nossa, como isso será polêmico… Veja bem, eu considero ciência uma maneira de obter conhecimento: Qualquer maneira de obter conhecimento. Um estudo sobre algo ou uma especulação. A psicologia trabalha em cima de especulações observadas, a física quântica trabalha em cima de especulções sobre neutrinos e particulas sub-atômicas. Esculações provadas, verdade, em sua maioria, mas ainda especulações. Dizer que Deus criou o universo e conseguir uma explicações para cada fenomeno, baseado nessa premissa, não seria uma ciência? Fico meio receoso de dizer isso, não sou nada religioso e nem gosto muito de religão, mas não exergo muito a diferença entre acreditar na física e na religião, qualquer que seja ela. Tudo parte de uma premissa que não pode ser provada, a diferença básica é que uma tenta explicar detalhes enquanto outra aceita o que foi convencionado.
Mas não é esse o tema do livro e sugiro que pensem a respeito e imaginem um homem relioso dizendo que Deus faz a maçã cair e depois imaginem um cientista comum falando que a maçã vai cair por causa da Gravidade.

As artes são o tema do livro e por isso vou falar delas. A arte, diferente da ciência que busca o conhecimento ou busca explicar um fato natural, a arte contenta-se em comunicar-se. A arte surge da necessidade humana de se expressar e se comunicar, não existe sociedade sem arte, pois na arte se encontra algo como expressão dos sentimentos inatos no ser humano.
Para isso, as pessoas criam meios e então temos a palavra chave da arte: Criar. A arte é CRIAtividade, é imaginar e fazer, de certa maneira. Pode-se colocar que a arte é subjetiva, depende do observador, enquanto a ciência é objetiva, um fenômeno é explicado sem pensar no observador. Quando se trata de arte, por mais que o autor se esforce em passar uma certa mensagem, cada pessoa, cada ser, vai entender uma coisa diferente, mesmo que seja somente em seu íntimo.

Podemos colocar da seguinte maneira: A ciência busca uma resposta para os fatos naturais ou não naturais. A arte cria maneiras de exteriorizar os sentimentos humanos.

Tem pouco em comum.  Um procura e descobre enquanto o outro cria, sem se importar como.

Definições poéticas ou objetivas, é assim como defino ciência e arte.

E a dúvida? E a escolha? Decidi que ficaria com a arte mais objetiva, a prosa (isso de acordo com Fernando Pessoa, como Bernardo Soares no Livro do Desassossego, mas que adotei como verdade) e com uma ciência bem criativa, a computação, que além de ampla, também exige imensa critividade… Digamos que eu escrevo códigos computacionais como escrevo poemas e escrevo poemas como escrevo os códigos.

Arte e ciência tem um minimo de um no outro… O equilíbrio entre eles faz parte da minha busca.

Deveria fazer parte da busca de qualquer um.





O escultor e a mulher de barro.

16 05 2009
Carole Feuerman - By The Sea Sculptures

Carole Feuerman - By The Sea Sculptures

Rafael Rabelo

Ninguém o amava. Era esse o pensamento dele e o motivo dessa estória.
Ele pensou que se de certa forma, construisse alguém, fizesse alguém, então esse alguém o amaria.
Era isso o que ele fazia, afinal de contas. Ele esculpia.

Então, certo de que ninguém o queria, resolver esculpir uma mulher, pensou na mais bela de todas e a usou de molde, e a foi fazendo: primeiro os olhos. Trabalhou bastante neles. Queria-os perfeitos. Mais perfeitos que o resto. Fez o nariz como queria que ele fosse nela, discreto. Depois fez a boca ao seu grado, suave e doce. Trabalhou o rosto inteiro durante duas semanas, foi dificil, mas fez até o detalhe dos cílios e das covinhas das bochechas.
Começou o corpo que fez, deveras, escultural. Sentiu-se depravado ao faze-lo, quase que não terminou por vergonha, pois, é obvio, o fez nu, mas trabalhou duro se convencendo de que não estava errado, por ora era uma escultura como dentre tantas outras que ele fizera… Não, não era. Era mais perfeita.
Com certeza mais perfeita.

Levou ao todo mais duas semanas para terminar o resto do corpo e deu atenção especialmente para as mãos, as quais imaginava o afagando e lhe dando carinho. Ela seria dele e somente dele. Para sempre.
Quando terminou e o barro secou por inteiro, comprou-lhe roupas. Mas o tom completamente marrom uniforme a deixava estranha naquele vestido dourado, com pequenos detalhes perolados, aqueles espalhados como gotinhas. Sim, a deixava bizarra.
Comprou tinta e juro que levou um mês até que tivesse a segurança de ter escolhido a tinta certa, no tom certo e que tivesse aprendido as melhores técnicas de pintura da modernidade. Só então pintou-a. Preferiu ela branquinha, não por racismo, mas que lhe encatava a descrição da branca-de-neve e a queria assim, branca como a neve que nunca vira. Os cabelos? Pensou em morenos, mas deixou-os castanhos, pois os tinha feito ondulados e sempre achara que cabelos ondulados deviam ser castanhos. Nenhum motivo em especial. A boca deixou vermelhinha, pois já era veludosa. Foi minucioso em sua pintura. Um trabalho digno de um gênio, diriam. Agora, vestida, era quase uma pessoa de verdade. Faltavam-lhe brincos. Comprou-os. Anéis? Logo em seguida. Enfim, qualquer pessoa que passasse sem prestar a atenção devida comprimentaria o manequim de barro. O escultor então dormia deitado em seu colo, contava-lhe as dificuldades de sua vida, segredava-lhe tudo. Foi então que ocorreu algo misterioso.

Um dia quando voltava do mercado, a mulher-de-barro não se encontrava no lugar costumeiro e o escultor se desesperou, revistou toda a sala, correu para a rua procurando o maldito ladrão que levara o único bem de sua vida e quando voltou havia uma mulher sentada em seu sofá. Seus cabelos esvoaçavam com o vento que entrava pela porta aberta. Tinha cabelos castanhos e uma boca sedosa que lhe sorriu. E ele desmaiou. Acordou deitado no sofá, cheio de perguntas, achando que fora um sonho ou que finalmente tinha ficado louco, mas querendo acreditar que não. E não era isso.
A viu ali, olhando pra ele. Ela piscou… Assim, como gente! E ele quase desmaiou de novo. Perguntou e perguntou, mas ela não sabia responder… Dissera que ouvia cada palavra que ele dizia quando vinha lhe segredar as coisas do mundo, mas era imóvel, disse-lhe que sentia saudades quando partia, que ficava feliz quando voltava, mas que não conseguia mover um “músculo” sequer. Antes era feita de barro, agora era mulher. Eis um dos grandes mistérios da vida. O escultor, claro, nunca esteve tão feliz! Nunca cantou tanto, nunca bradou tanto, ele seria feliz para a sempre com aquela mulher. A mulher de seus sonhos! Logo vieram as festas, vieram os bailes, enfim o casamento e ele era um artista famoso por dar vida as suas obras. Sem contar que a mulher de barro despertava a inveja de muitas outras mulheres, sua beleza era inegualável. Seu olhar rivalizava com o sorriso de Monaliza de DaVinci, de tão belo.
Logo, o escultor começou a ser assediado por fãs escandalosas, estudantes de artes, atrizes de cinema, todas queriam uma escultura, posar para que ele as imortaliza-se, todas queriam um pedaço dele, dariam tudo por ele. E sua mulher lhe sorria e dizia que estaria tudo bem.

Não demorou muito ele tinha mais amantes que Don Juan e vivia uma vida na esbórnia, bebendo e indo em festas com as mais belas mulheres. Vendia suas esculturas a preço de milhões. Depois, um dia, cansado, voltou para a própria casa, tirando ele mesmo os próprios sapatos e as roupas. Se jogou na própria cama e sentiu um prazer naquilo que ele esquecera, mas faltava-lhe algo. Algo que ele não conseguia identificar.
Procurou sua mulher para que esta lhe ajudasse a identificar o que era essa algo que faltava… Não a encontrou. Ficou um pouco exasperado, depois apreensivo e então preocupado.
Chamou a criada, mas a sua mulher já não vista em casa fazia uns dias.

Notou então que o chão estava sujo e amarronzado. Brigou com a empregada, e quase a demitiu, até que ela murmurou baixinho que era descuido dele deixar uma das estatuas na sala, e justo aquela que era tão parecida com a patroa e tão linda, e que era óbvio que ali ela quebraria… Era óbvio que quebraria.

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Para todos aqueles que não dão valor a quem dá sentido à sua vida.





A Arte de Sonhar (Segundo Fernardo Pessoa e Dummond)

14 02 2009

Primeiro: Eu sei que eu prometi post’s a cada dois dias, mas estava ocupado atualizando umas informações daqui mesmo, que vocês podem ver em “Galerias” e vai haver MUITAS outras atualizações assim que a minha primeira ressaca passar…

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Até lá, contentem-se com isto aqui:

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A Arte de Sonhar (Segundo Fernardo Pessoa e Dummond)

em “As Artes”

Rafael Rabelo

Sou sempre dois ou três nas minhas opiniões, me apoio, me discordo e me ignoro, sou português e brasileiro, sou homem de sonhar e de tentar realizar o sonho, posto que sonho é, por definição, inalcançável, mas não de certo modo, intentável.
Podemos contradizer-nos e alcançar um sonho, sonhando-o ainda. Deixemos de lado o mérito de “Como sonhar”, pensemos no porque sonhar.
-Então, por que sonhas? Digo eu a mim.
-Sonho porque sinto necessidade do sonho, sem ele me sinto vazio e frio. E tu? Porque sonhas?
-Ora, deixa de lado o sofismo, que somos ambos mesma linha do pensamento. (Há aqui uma pausa) Sonho porque quero algo que satisfaça meu orgulho. – Respondo-me.
-Ah tens então um orgulho escondido por detrás do sonho?
-Claro que tem, não sonhamos senão com intuito -ainda que desesperançado- de realizar o sonho, realizar algo grandioso é então, de fato, motivo de orgulho e o orgulho se procura, como sabemos ambos.

Resulta que todos sonhamos por realizar o sonho, e as vezes nem nos importa o que seja, o importante é realizar, mas há quem saiba sonhar e nisso se vence, não se “engana” se enganando, sonha coisas impossiveis o suficiente pra que o sentimento que vem do sonho seja algo absurdo e não se sinta impelido a realiza-lo.

O sonho. Ele, pra mim, é simplesmente desejar algo imaginário. Simples, não? Mas eis o grande mal e o grande poder da humanidade, tentar tornar o imaginário real.
Simplesmente se sonho uma maçã, não haverá no mundo maçã que possa ser igual e se um dia encontro uma queira, já não é mais sonho e tento agora obter outra coisa.

Verdade que o sonho perde seu sentido quando é realizavel, mas nunca o é, verdadeiramente.
Se sonho um amor, ir atrás desse amor só me fará ignora-lo, caso o encontre e se um dia encontro esse amor do jeito que queria, me parece fosco diante do que sonhei ou ainda perde o brilho quando percebo que o tenho agora, realizado.

Na maçã, se sonhei com ela, me satisfaço e esqueço-me enquanto digiro-a. Eis que pra evitar tal frustação, sonhamos coisas impossiveis, como eu disse, ou coisas bem pequenas, do cotidiano, que posso sonhar a vontade e não terei dor ao vê-la partir em sonho, desfocando-se.

Mas que fazer com o sonho, quando se realiza? Desfruta-lo, me dirão uns. Sonhar outros, me dirão outros ainda. Mas se é para desfrutar o sonho, por que simplesmente não desfrutar o sonhar, ao invés de matar o sonhar, trocá-lo por objetivar e gozar do sonho realizado?

E por que Essa-Divindade-Suprema-Que-Desconheço-O-Nome sonhar vários sonhos, se posso gozar infinitamente uns poucos, vendo-lhes a beleza e a poesia e vivendo-os melhor e não realizando-os, talvez, mas simplesmente sonhando.

E isto é digno de Fernando Pessoa, que diz em seu “Livro do Desassossego” que não devemos tentar realizar o sonho, já que isto é algo intimo e subjetivo o suficiente pra ser impossivel de ser realizado.

Porém, Drummond sonhou uma pedra, Sonhou uma Lua-Satélite, sonhou bundas, seios e sexo e toas essa coisas-comuns. Há como realiza-las, com certeza, mas fez disso objetivo? Por acaso planejou o sexo? Ou sonhou com ele depois de consumado?

Drummond foi um poeta sonhador quando sonhava algo tão fugaz que nem se percebia quando o sonho se realizava.

Sonha teus sonhos e faz dos teus objetivos coisas pra serem objetivadas.

Faz daquele exercício um objetivo, faz daquela mudança de jeito um objetivo, faz largar do vicio um objetivo! Mas não objetiva o amor! Nem a profissão (Naturalmente sonhada), nem a mulher, nem a casa ou país. Isto é a arte de sonhar.

Sonha tua esposa quando olhares pra ela ao luzir da lua, sonha teu emprego de Soberano do Mundo, que é impossivel. Teremos então mais Drummond’s e mais Pessoas no mundo, o que o tornará deveras mais agradável e mais comum a Arte de Sonhar.

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Tá ae Daniel, mais uma “Arte”, rsrsrs

Tou deixando elas pra quando não tiver mais NADA pra publicar…

Bom, talvez eu esteja me mudando pra Londrina nessa segunda-feira, então talvez eu não publique nada nessa semana, nem na próxima… Talvez. Não sei ainda, depende de quando instalarem internet lá e tudo mais.

Recomendo aos Leitores Assiduos (tá, exagero, eu sei…), como o Daniel, o Les, a Yv, a Emblemática, a Poetriz, a Taís, a Canela (que eu sei que anda sem tempo, entendo completamente), a Lyani, a M.Luísa Adães e a Oriona (que anda meio sumida, mas eu tb ando então eu entendo) a ler as alterações que eu fizer nas minhas páginas, que prometem ser mto bons e a ler tb uns post’s mais antigos que não tenham lido ainda.

Prometo postar coisas quentes (ui) quando eu voltar!

Abraços!

Au revoir!

“Vou-me embora pra Londrina
Lá sou amigo da Fer
Lá tenho a faculdade que quero
na cidade que escolhelerei.”

- Trecho de um poema infame que não escrevi, parodiando Vou-me embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira





A Arte de Caminhar.

6 10 2008

A Arte da Caminhada
em “As Artes”

Rafael Rabelo

Eu caminho como quem canta, ou antes, como quem compõe canção. Tenho sempre os pés leves ou então ritmados, um rosto sério ou consternado de pensar demais.
Mas no coração um caminho, na vida um rumo, na existencia um destino.
Caminho como quem ama ou se apaixona e tenho na cabeça milhões de estórias e vãs filosofias, e a mente em duas é dividida e é dádiva. Uma atenta ao caminho que sigo e quase como uma máquina me guia por diversas ruas e avenidas. Atenta ao trânsito, ao sinal, as pessoas que caminham e me sorriem, mas a alma… A alma voa longe.
Repara ainda nas coisas, com os sentidos, mas não estou mais entre todos, crio mundos, personagens, estórias fantasiosas, sou rei, conde, cantor ou simplesmente eu num futuro distante ou próximo.
Tenho a certeza de chegar onde quero e o sabor do vento no rosto, e os ouvidos sempre atentos, escutando um sortido sussurar do mundo.
Mas ao mesmo tempo tiro os meus olhos da janela da alma e viajo a interiores jamais imaginados.
Quando caminho, crio.
Caminhar não exige muito além de boa imaginação que se consegue, de uma maneira ou de outra, através da leitura (ainda que alguns nasçam com o dom de ver além) e da escrita.
E além de tudo é bom esporte, exercita os músculos físicos que as vezes ficam até emaranhados em teias de aranhas. Porém é esporte com a melhor vantagem o que o torna tão bom esporte (tão bom quanto arte): não exige esforço.
Não é preciso ter bom condicionamento físico para caminhadas, somente uma boa resistência (talvez também uma boa garrafa d’água e um bem comer antes de partir, mas assim se atravessa o país! Se cruza o continente ou o mundo), não precisa de esforço ou músculos bem constituidos, simplesmente vontade! Constitui simplesmente em pôr um pé na frente do outro, simplistamente falando, e enquanto isso a imaginação voa, extravasa e se liberta, e te liberta junto com ela, então você já não caminha mais, faz o que faço, cria.
Então não é “A arte de criar” ou a “A Arte de imaginar”, simplesmente porque isso já está em nós, todos nós.
Imaginação é uma caracteristica humana inata, e quem me disser que não imagina, que não forma ideias mentais das coisas, mente. Agora esse imaginar superior que se tem enquanto caminha, isto é coisa que pouca gente sabe.
Caminhamos e nos libertamos de nós. Fazemos parte do mundo, pois estamos andando nele, vendo-o passar enquanto passamos. Com nosso próprio andar, fazemos parte da paisagem do mundo, mas ao mesmo tempo estamos distante em nós mesmos.
Estamos tão dentro de nós que tornamo-nos coisa natural, como árvore ou pedra no chão. Seguimos o caminho que temos que seguir e sonhamos o que quisermos.
Somos nós e somos figurantes do nosso próprio espetaculo.

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Procurei MUITO e MUITO esse texto para que eu pudesse mostra-lo a Oriona, já que ela, como eu, adora caminhadas.

Oriona, espero que goste.   ^^

E é de caminhada que atravessamos a vida.

Texto retirado de uma coleção não terminada que se refere as Artes que ninguém vê como artes.