Rafael Rabelo
Vestida de seu vestido de noite
Negro, com estrelas cintilantes.
O rosto sem máscara é o único.
Todos os outros não têm rosto.
Todos valsam e comemoram, riem
Todos se divertem e se enaltecem
Ela está perdida e todos ignoram
E não ajudam, nem perguntam
Teus cabelos não tem cor, nem teus olhos
Teu corpo não tem formato, mas está lá
Tuas pernas não caminham, flutuam
E não há respiração, só a brisa
É uma grande festa e todos dançam
Caminham, desligados e felizes
Todos usam máscaras, todos maquiados
Bem vestidos e alegantados
E você procura e procura, e não há
Olhares! São todos vazios, distantes
Se te olham, te olham de longe
Se te aproxima, não te vêem mais
A música aumenta, todos se sacodem
As mulheres gritam e os homens rugem
Os homens brincam e as mulheres fisgam
Mas a música continua
Ela sempre continua
. . .
Encostado na mesa distante
Há um garoto.
De barba e óculos no rosto
Está bem seguro, é forte.
Está alheio à festa e as pessoas
Espera alguém, paciente
Conversam com ele, e ele ignora
Ele pensa demais e não as vê
Não há feições em sua face
Não há vida em sua vida
Não há sentido em sua direção
Só um certo vazio…
Por vezes, ele caminha sozinho
Com uma rosa na mão e um livro
Na outra
Metade sim, metade não. Em vão.
A noite não tem Lua. O céu não tem anjo
Não há rosas, não mais.
Tudo está seco por que ele secou.
Ele sabe que caminho irá fazer.
Comeu algo, bebeu algo
Visitou os quartos pela nona vez
E com passos lentos, descia a escada
Quando encontrou um olhar
. . .
A moça, já desesperada e sozinha
Viu-se aos prantos e desolada
Essas pessoas que não conhecia!
Essas pessoas que não a conheciam!
O garoto sorriu. Não tinha isso em mente.
Não tinha nada em mente, só cores.
Branco. Negro. Vermelho. Azul. Prata.
Dourado. Ele correu como nunca tinha corrido antes.
A moça olhava pros lados, pra baixo
Girava em meio às pessoas que dançavam
Gritava em meio às pessoas que cantavam
Sua dor era melodia e rimava.
Abriu caminho entre desconhecidos
Tinha um sorriso no rosto, que ardia
O coração pulava e saltava, cambalhotas
Via uma direção, uma vida, uma face
Meio zonza, caiu e não conseguia respirar
Todos ainda dançavam e valsavam
Como se ela simplesmente não tivesse caido!
E seu vestido de noite rasgado…
Parou, ofegante, em meio à dança
E a viu, caida, vestida de negro com a noite.
Hesitou. Teve medo? Ele? Sim.
Ficou feliz por que teve medo.
Ele segurou a mão dela, que com espanto
Olhou em seu rosto e não viu máscara
Só olhos, sorriso e barba
E óculos, talvez os óculos…
E não dançaram. Caminharam pelos salões
Enquanto a festa prosseguia,
eles viam o céu, de noite e de dia.
Conversavam e liam, choravam e riam
Não dançavam, nem cantavam
Não eram como os outros
Que nem sequer tinham rostos
Não faziam parte da ignorancia
Como não eram vistos, fizeram amor aqui e ali
Recitaram poemas à todo pulmão
Brigaram e reataram em meio ao público
Que nem sequer parou a comemoração
E quando a festa acabou e todos foram embora
Deixando pra trás somente a ruína de um mundo
Eles ficaram ali, conversando ainda, deitados na grama
Esperando ficarem sozinhos juntos pela primeira vez.
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.
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Bom, pra quem não reparou, o poema varia da visão de uma garota e um garoto. Então, se leu e não entendeu, leia de novo
Esse poema escrevi agora. E bem, creio que vão entender o que ele significa.
Afinal, a vida é uma grande festa.
Alguns fazem parte dela, outros não.


Muito foda!
É desta festa que ninguem pode nem deve abrir mão!!!!!!!
Ah, essa moça… o espelho de cada uma de nós
=)
alguns sabem viver o melhor que há,outros não.
gostei. ^^