Rafael Rabelo
“Que ninguém diga que ele nunca amou.”
Ele era um garoto doce. Gentil. Conhecia muito de muitas coisas e amava a vida e a beleza das coisas mais do que as pessoas jamais compreenderiam se ele lhes contasse. Ele era simples. Tratava-se apenas de uma parte de mim, ou uma parte de você. Uma parte que se perde em algum momento de nossa infancia mas que não se perdeu nele pois isso era tudo o que ele era. Ele crescia, claro. Garoto era modo de falar, já era quase um homem e era um homem feliz. Tinha um bom emprego, uma boa casa, ótimos amigos e se divertia com frequencia. Porém, é óbvio, sua diversão e seus bons amigos não eram para ele o que seriam para pessoas como nós. Eram mais profundos. Alguns desses amigos nem o conheciam. Nunca nem ouviram falar dele. Outros nem existiam. Algumas coisas que ele fazia pra se divertir eram impossiveis e impraticaveis. Para nós, eu digo.
Porém, apesar de tudo ser ótimo, não era perfeito para ele, já que havia algo que seu espírito simples não podia atrair.
O amor. De todos os sentimentos esse era o que mais lhe intrigava e o fascinava. Ele queria amar. Queria muito.
E um dia aconteceu, quase que naturalmente. Um “oi”, um sorriso, uma pausa. Outro sorriso e tudo aconteceu. Estava ali, ele podia sentir! E percebeu que fora iludido, enganado e feito de bobo. O amor era muito mais, era alheio e exterior, agora ele compreendia. Precisava, claro, que a pessoa também lhe amasse, o que não aconteceu. Não dessa vez. E então ele sofreu, chorou e sentiu o gosto salgado de suas proprias lágrimas amargas. Mas ele continuava simples, continuava suave e gentil. Esperava que alguma garota como ele aparecesse e lhe entregasse o seu coração ao mesmo tempo que ele lhe entregava o dele. A garota veio, claro, mas seus olhos se cruzaram e suas almas, não. Deixaram assim.
Depois de diversas dores, diversos amores mal-resolvidos e essas coisas, ele resolveu que mudaria. Era um fato quase incontestável que era impossível as pessoas gostarem dele como ele era e que talvez se ele mudasse, alguém o amaria. Não deu certo, claro. Não que as pessoas não amassem o “novo” ele que ele havia criado baseado em jornais e revistas, mas era dificil manter aquela imagem. Dificil do tipo impossivel. Enfim, observando os outros percebeu que não ser amado era comum e normal. Alguns diziam que era a regra, “se você ama, então não te amam”.
Ele pensou o seguinte, que se dando às pessoas o que elas queriam, elas não o amavam, bastava que não desse. Bastava que recusasse e pôs em práitca o que havia pensado.
Esperou amar uma garota. E amou mesmo e não pense você que por não ser, como se diz “espontaneo”, não foi verdadeiro, por que ele sabia que era. Tendo amado ela, a conheceu. Ficaram amigos, mas não muito. Sairam juntos algumas vezes e então ele conheceu outra garota (essa sim, uma qualquer) e começou beijá-la de vez enquando. Foi ai que a garota que ele amava realmente olhou para as costas dele e o amou. Amou e amou muito. E se sentiu triste pois ele abraçava outra, beijava outra, acariciava outra, sem saber que era justamente esse o motivo daquele amor.
Ela, num dia frio, depois de irem ao cinema, lhe confessou que o amava. Ele olhou com indiferença disfarçada e fingiu que fingia um sorriso. A abraçou, não muito forte e sem muito ânimo, passou a mão entre seus cabelos e a beijou na testa e depois nos lábios, um beijo seco de noite fria. Ele guardou pra si toda a felicidade e alegria que sentiu e fez isso muito bem.
Com o tempo, começaram a namorar e até moraram juntos. Porém, ele não deixava de sair algumas noites, sem ser claro aonde ia. Se embranhava no escuro das pessoas que não podem se mostrar completamente à quem amam, tudo isso para não pertencer à ela pois se pertencesse, ela o deixaria.
Enquanto isso a mulher que ficava para trás estava feliz por ter conseguido fazer o coração frio daquele homem derreter diante de seu encanto e o amava “como jamais alguém amara outro alguém”.
Que nunca digam que o garoto não amou.

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As vezes, caminhando por trilhas desconhecidas você pode ter a impressão de estar perdido, mas lembre-se de que você é sua casa, à sua frente está seu norte e que enquanto houve chão haverá pra onde ir…


Fodastico do verbo MARAVILHOSO amigo… parabens… estou devolta, espero poder visitar seu site mais vezes, assim como espero por seus comentários INTELIGENTISSIMOS no meu!!! um beijo grande! e parabens novamente…
Olá não possuo site mas passeando pela net me deparei com o seu site me encantei com os textos, palavras belas e quem nunca se sentiu enganado no amor? Parabéns se todos os homens fossem iguais a vc com essa sensibilidade e vontade de amar…Bjks Katia