Mulheres

30 08 2009

Andei por aqui e por ali e me deparei com um pensamento que sempre tive, claro, mas nunca o encarei.
Minha fascinação pelo feminino.
Ah! Aposto que algumas mentes pensarão que sou homossexual e eu digo: Não sou.
Se fosse, falaria. Eu não vejo problemas em ser e assumir que é.
Mas não vejo beleza no masculino… Não vejo graça nos homens em geral, eles não me atraem como as mulheres me atraem. Fico fascinado pelo jeito como elas podem mudar o clima do ambiente ambiente apenas com a sua presença. Sua doçura e gentileza são uma luz no mundo negro e chuvoso.
Sempre admirei as mulheres, por muitos motivos. Vide o exemplo da minha mãe, mesmo cheia de problemas não desiste e ainda permanece de pé, não diria inabalável (essa á uma palavra masculina demais pra situação) mas serena. Eu teria me desesperado. Eu me desesperei. “Como ela pode ficar tão calma!?”
Hahaha… Eh…
Sou apaixonado pelas mulheres, e quem me conhece sabe que isso é verdade.
E vi um poema hoje que me deu vontade de escrever um poema sobre isso.
E assim o fiz.

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Mulher

Rafael Rabelo

A mulher caminha, distante
E eu, figura infante
admiro o jeito que caminha
Suave, belo e com rima

Ela sorri e eu delíro
Um sorriso que merece
De todo o mundo, os lírios
Que sorriso será esse!?

Ah, Mulher, não faça isso!
Assim, ajeitando o cabelo
E olhando pro céu, eu morro
E se me esboça um riso…

Se ela suspira, não resisto
É brisa, é perfume, é baton
Na idéia que tenho, persisto
Preciso pinta-la, escreve-la

Se ela ri, se ela chora
Se briga, se me ignora
Ela é bela
porque é ela

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Eu sei que as mocinhas não gostam disso. Moças não gostam de ser idealizadas. E eu nem demonstro isso mais pras mulheres que eu conheço. Mas eu sou assim, na minha alma, romantico e idealizador por natureza.
Mas me expressei mal, claro que gostam de ser elogiadas e divinificadas, mas não ficam com quem faz isso. Não.
Os caras de bombons e rosas na mão ficam sozinhos.
(Por isso nem faço mais essas coisas)





Rito das Horas iguais ao Minutos

22 08 2009

Rafael Rabelo

Dizem que se você olhar para o relógio e as horas forem iguais aos minutos, a pessoa que você ama estará pensando em você.
Eu me considero uma pessoa muito racional. Eu penso antes de agir, penso antes de acreditar. As vezes penso demais.
Porém, quando eu olho para o relógio e vejo que as horas são iguais aos minutos, eu penso: será que ela está pensando em mim?
Não há nenhuma lógica nisso. Ela talvez nem se lembre que eu exista… Mas ainda assim, é o primeiro pensamento que me ocorre.
“Será que ela está pensando em mim?”
Tornou-se um ritual. As vezes, quando falta um ou dois minutos para as horas serem iguais aos minutos, eu espero.
Fico ali, que nem bobo, olhando para o relógio esperando os minutos mudarem. E quando isso acontece, fico imagindo se ela estará pensando em mim.
Mas é como se eu não pudesse não pensar isso.
Talvez pela esperança… “Será que ela está pensando em mim?”
É algo que eu não posso controlar. Não que eu fique esperando esse momento a cada cinquenta e nove minutos, longe disso.
As vezes nem me lembro que o tempo existe. Mas quando estou aqui, em frente ao computador e vejo a hora e as horas são iguais aos minutos eu instantaneamente paro o que estiver fazendo.
E penso nela.
E penso se ela estará pensando em mim.
E penso que isso é besteira, mas que seria legal se estivesse. E então os minutos mudam rápido e aquele instante acaba. E eu volto a fazer o que estava fazendo.
É um ritual que eu faço sem nem perceber, talvez por ter um coração cheio de baixa-estima.
Talvez eu queira simplesmente acreditar que, um dia, ela estará pensando em mim.
Você pode achar que eu sou um idiota, mas quando as horas forem iguais aos minutos e você olhar para o relógio, você pensará em quem gosta.
É isso o que isso é. Um rito, um simbolo. Não há nenhuma lógica nisso, há toda lógica nisso. Porque se a pessoa que você gosta conhecer esse rito e gostar de você, ela pensará em você.
Pensará: “Será que ele está pensando em mim?” e você estará pensando nela: “Será que ela está pensando em mim?”, porque as horas são iguais aos minutos nesse instante.
É isso o que isso é, um rito, um simbolo.

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Heh… E eu tava indo tão bem com a minha vida.
Sabe como eu me sinto? Como um viciado que depois de 2 anos de abstinencia foi obrigado a participar do vício de novo.
Eu estava realmente bem. Definitivamente não precisava voltar a vê-la ou falar com ela. Eu sentia saudades, claro. Mta saudades… Mas não era necessário. Seria melhor se eu não tivesse nem lido o nome dela. Mas faz parte.
Destino, acho. Ou Deus. Se for Deus, agora é oficial, ele não gosta de mim.
Bom, agora vou ficar aqui, no frio e sozinho, na dúvida de se eu quero vê-la de novo ou se volto a me afastar dela, sabendo que qualquer uma das duas coisas será inutil.
(Como estar na duvida entre sal e açucar sendo que o que vc quer é orégano)
E claro, sem a mínima esperança dela aparecer de novo em menos de 1 ano…





O Garoto que amava

15 08 2009

Rafael Rabelo

“Que ninguém diga que ele nunca amou.”

Ele era um garoto doce. Gentil. Conhecia muito de muitas coisas e amava a vida e a beleza das coisas mais do que as pessoas jamais compreenderiam se ele lhes contasse. Ele era simples. Tratava-se apenas de uma parte de mim, ou uma parte de você. Uma parte que se perde em algum momento de nossa infancia mas que não se perdeu nele pois isso era tudo o que ele era. Ele crescia, claro. Garoto era modo de falar, já era quase um homem e era um homem feliz. Tinha um bom emprego, uma boa casa, ótimos amigos e se divertia com frequencia. Porém, é óbvio, sua diversão e seus bons amigos não eram para ele o que seriam para pessoas como nós. Eram mais profundos. Alguns desses amigos nem o conheciam. Nunca nem ouviram falar dele. Outros nem existiam. Algumas coisas que ele fazia pra se divertir eram impossiveis e impraticaveis. Para nós, eu digo.
Porém, apesar de tudo ser ótimo, não era perfeito para ele, já que havia algo que seu espírito simples não podia atrair.
O amor. De todos os sentimentos esse era o que mais lhe intrigava e o fascinava. Ele queria amar. Queria muito.
E um dia aconteceu, quase que naturalmente. Um “oi”, um sorriso, uma pausa. Outro sorriso e tudo aconteceu. Estava ali, ele podia sentir! E percebeu que fora iludido, enganado e feito de bobo. O amor era muito mais, era alheio e exterior, agora ele compreendia. Precisava, claro, que a pessoa também lhe amasse, o que não aconteceu. Não dessa vez. E então ele sofreu, chorou e sentiu o gosto salgado de suas proprias lágrimas amargas. Mas ele continuava simples, continuava suave e gentil. Esperava que alguma garota como ele aparecesse e lhe entregasse o seu coração ao mesmo tempo que ele lhe entregava o dele. A garota veio, claro, mas seus olhos se cruzaram e suas almas, não. Deixaram assim.
Depois de diversas dores, diversos amores mal-resolvidos e essas coisas, ele resolveu que mudaria. Era um fato quase incontestável que era impossível as pessoas gostarem dele como ele era e que talvez se ele mudasse, alguém o amaria. Não deu certo, claro. Não que as pessoas não amassem o “novo” ele que ele havia criado baseado em jornais e revistas, mas era dificil manter aquela imagem. Dificil do tipo impossivel. Enfim, observando os outros percebeu que não ser amado era comum e normal. Alguns diziam que era a regra, “se você ama, então não te amam”.
Ele pensou o seguinte, que se dando às pessoas o que elas queriam, elas não o amavam, bastava que não desse. Bastava que recusasse e pôs em práitca o que havia pensado.
Esperou amar uma garota. E amou mesmo e não pense você que por não ser, como se diz “espontaneo”, não foi verdadeiro, por que ele sabia que era. Tendo amado ela, a conheceu. Ficaram amigos, mas não muito. Sairam juntos algumas vezes e então ele conheceu outra garota (essa sim, uma qualquer) e começou beijá-la de vez enquando. Foi ai que a garota que ele amava realmente olhou para as costas dele e o amou. Amou e amou muito. E se sentiu triste pois ele abraçava outra, beijava outra, acariciava outra, sem saber que era justamente esse o motivo daquele amor.
Ela, num dia frio, depois de irem ao cinema, lhe confessou que o amava. Ele olhou com indiferença disfarçada e fingiu que fingia um sorriso. A abraçou, não muito forte e sem muito ânimo, passou a mão entre seus cabelos e a beijou na testa e depois nos lábios, um beijo seco de noite fria. Ele guardou pra si toda a felicidade e alegria que sentiu e fez isso muito bem.
Com o tempo, começaram a namorar e até moraram juntos. Porém, ele não deixava de sair algumas noites, sem ser claro aonde ia. Se embranhava no escuro das pessoas que não podem se mostrar completamente à quem amam, tudo isso para não pertencer à ela pois se pertencesse, ela o deixaria.
Enquanto isso a mulher que ficava para trás estava feliz por ter conseguido fazer o coração frio daquele homem derreter diante de seu encanto e o amava “como jamais alguém amara outro alguém”.
Que nunca digam que o garoto não amou.

CaminhanteNoturno

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As vezes, caminhando por trilhas desconhecidas você pode ter a impressão de estar perdido, mas lembre-se de que você é sua casa, à sua frente está seu norte e que enquanto houve chão haverá pra onde ir…





Balanço

9 08 2009

Rafael Rabelo

A rede balança ou o mundo balança? Sou eu que estou me balançando ou estou parado e é o mundo que vai, e volta?
Não sou eu que me movo nunca, é o mundo que se move. Sempre que ando é a Terra que avança sobre a fricção dos meus pés.
Não sou eu que me molho, é a chuva que se atrai a mim.
Penso assim pois não faço parte do mundo, para me balançar nele, sou o observador da vida e não seu conteúdo.
Existo ali como uma pedra, ou árvore e estou vendo o mundo crescer e girar e brincar com todos, que são seus brinquedos.
Estou preso dentro de mim, sozinho, buscando alguma coisa ou alguém para me fazer companhia, mas é em vão, sei.
Jamais irei encontrar outro observador do mundo que já não tenha morrido e deixado talvez um livro.
E se encontrasse, se lhe pudesse tocar o rosto e ver a face daqueles que não sorriem com sinceridade nunca a não ser por ver felicidade no mundo, ou alegria no mundo, mas nunca em si, se pudesse tocar o rosto! Mas não sei se o reconheceria…
Passam-me centenas de rostos por dia diante dos meus olhos e não me reconhecem nunca, passam centenas de rostos e não reconheço nenhum. Por isso me esforço para conhecer bem as pessoas que encontro, quero saber-lhes tudo, absorver cada sentido da vida que há neles e prová-los, para saber se tem o mesmo gosto que reconheço em mim, para saber se é vida ou simulacro de vida.
E não me reconheceriam os outros de mim, se eu não os reconhecesse. Sou somente a idéia que fazem de mim e, portanto, sou pessoa diferente para cada pessoa que me conhece, ou pensa que me conhece.
Mas é só hoje que me reconheço assim. É o balançar da rede. Ele me faz pensar coisas absurdas, como saber quem sou sem amar.

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Mais um texto de uma época distante… Estou acabando com esses textos esquecidos, pra não correr o risco de esquece-los de novo.
Eles ficam comodamente numa pasta no meu computador, todos num arquivo só. Precisam de MUITA revisão.
Bom… Logo logo haverão mais quadros, fotos e muito mais no blog.
Tudo que eu preciso é de um poco de força de vontade…





A Dançarina do Ventre

3 08 2009

A Dançarina do Ventre

Rafael Rabelo

De repente, um movimento
Emergido da dançarina.
As mãos desenhando no vento
como serpentes em grega arena.

E o corpo todo cria vida
cada passe, uma magia.
O ventre liso ondeia,
e os olhos firmes de sombra
os observadores enfeitiça.

A música é meramente decorativa.
Teu corpo é o instrumento,
a melodia vinha do movimento
de seu brinquedo que era o vento
Do tilintar suave de sua fantasia.

Não mais somente uma mulher
e sim uma orquestra de mãos,
braços,
ventre,
cintura e pernas.
E cada parte dela dançava
em uma coreografia surreal sincronizada.

Os olhos nem ao menos acompanham-na.
Só coração acompanha seu ritmo
e a respiração de sua vontade estima,
o tilintar da roupa o som predomina.

O corpo em posições impossíveis
em movimentos improváveis,
formando ângulos obtusos incríveis
que delirava as mentes menos críveis.

E como tudo começou, parou.
os movimentos cessaram com a música
e da dançarina e seus movimentos
restaram só versos e sentimentos.

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Em homenagem às lindas dançarinas do ventre, em especial minha amiga Sial, que me chama quando tem eventos onde ela dança.