Corroído

30 01 2009

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[Fotógrafo: Michael Drager | Agência: Dreamstime.com]

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Corroído

Rafael Rabelo

A coca-cola corroeu meus ossos,
letras miúdas corroeram meus olhos
A televisão corroeu minha mente
as cáries corroeram meus dentes.

Mulheres corroeram meu corpo todo
e o casamento corroeu minha sanidade
a idade corroeu minha infância
o tempo corroeu minha vivacidade

Fones de ouvido corroeram meu ouvido
O nervoso corroeu meu estômago
Pornôs corroeram minha libído
e a doença correu a firmeza das mãos

O amor, por fim, corroeu meu coração.





Desmitificação

28 01 2009

Rafael Rabelo

Que é você?
É orgãos, sangue,
Tecidos, celulas, não mais.

É pessoa
Tão pouca quanto eu
Tem mãos, pés, coração.

Caminha e cai
Respira, urina, defeca
Tem disenteria.

Tem sentimento e pensa
Mas de maneira tão imperfeita
Quanto qualquer outro ser

Tem medo, tem covardia
Se cansa e decepciona
Ama e não é amada

Não é ser divino
ou outra coisa além de humano
simples, modesto, conciso.

É músculos, óssos, pêlos.
Nada além de matéria;
um pensamento, vida e sentimento.

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Post’s a cada Dois Dias \o/

Agradeçam ao Daniel [Divagações Metafísicas].

Não me responsabilizo pelo conteúdo.





O Tempo

26 01 2009

Rafael Rabelo

O Tempo comeu minha alma
correu minha paciênciaapersistenciadamemoria_salvadordali
destruiu toda minha calma.
O Tempo em sua essência

Vagoroso me enlouquece
se rápido, fenece.
O Tempo me come inteiro
e me cospe em pedaços.

No Tempo lento, um tempo
me arrasto
e a ânsia toda me mastiga
as mãos,a cabeça, o estômago.

O tempo destruiu minhas flores
que plantei com todo cuidado.
O tempo relembrou minhas dores
que tinha esquecido ou superado.

O dia é eterno ou não existe.
O tempo roubou de mim
minha noite, minha lua
os poemas, os amores, a poesia.

Esse tempo que não passa
quando quero que passe…
E me corre
quando quero que pare.

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Esse resultado do vestibular que não sai…

Ah! Pessoas! Passei na UEL, até fiz a matricula… Ou Tentei, pelo menos.
Pra quem não sabe, o curso é Ciências da Computação. Fazer o que? Escrever no Brasil não é mto bom pra gente com o meu estilo.

Gosto de ser escritor amador.

“Aquele que ama escrever”





Dueto da Lua e do Mar

24 01 2009

Luar Submerso

Aline Erba

Mar negro e reluzente,
Ora sólido, ora profundo;
Ora manso, ora arisco.
Não sei, não sei se és pintura ou se és rabisco.

Mar, mar querido,
que há em teus abismos?
Se dor ou contentamento,
Não sei, não sei se há júbilo ou tormento.

Mar longínquo, acaso entende?
O brilho meu, que espelho te faz
A beleza à noite traz
E o amor que deveras sente,
a distância não desfaz.

Mar, mar amigo,
Perdoa esse brilho, que em ti borrão se faz.
Se o dia dissipa a neblina e me afasta do teu cais;
Mesmo em face do encanto noturno, a distância é algo mais;
Mais forte que a luz que me mostras onde estais.

Mar imenso e distinto,
Já não sigo meu instinto, de banhar a toda a Terra.
Em outros mares e outras caravelas, outros navios e outras velas;
é onde meu mistério se revela.

Mar, mar sofrido,
da solidão fiel amigo, e pelas sombras, acolhido.
E o frio silêncio do amor submergido,
Faz calar meu canto em teu pranto contido.

Mar doce e sereno,
Que o sentir tornou veneno.
Perdoa se não trago teu alento.
Tu, que sempre tão atento, não faz jus o sofrimento.
Segue o dia, segue o vento;
Segue a luz, segue o tempo;
E cegue a dor;
cegue o tormento.

Mar, mar divino,
que tanto crê no destino,
crê também no impensável infinito,
que surpresas traga a teu auxilio.
E te alegre o exílio,
da âncora que levantas; princípio do retiro.

Mar negro e reluzente,
Já não te infiltram os raios meus,
e em tua sólida superfície se reflete o adeus.
Um adeus na brisa fria,
na noite que se finda, a te trazer um novo dia.

(12/04/2007)

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Maré Luarenta

Rafael Rabelo

Luar belo e resplandecente,
Ora marcante, ora ausente ;
ora firme, ora suave.
Não sei se és música ou se és poesia.

Lua, lua majestosa
O que há em teu infinito céu?
É certeza, ou é dúvida,
Não sei se é a fé de uma sacerdotisa ou a sagacidade de uma cientista.

Lua distante, por acaso não vê?
Que teu brilho brinca comigo
E a beleza da noite é você quem traz
Vai e inspire o rapaz,
que diversos versos à sua amada faz.

Lua, lua amada,
Perdoa a minha maré, que faz ondas pra te alcançar.
E na terrivel busca por ti, vítimas se fazem por mim;
Talvez se cada gota de mim se elevar aos céus, eu te alcance;
E se eu der tudo de mim e você não me amar, como suspeito que não ama.

Lua misteriosa e linda,
Eu não tenho mais ego, o de ser grande e imponente.
Teu Luar suave, que o mais corajoso dos homens ruboriza
Me diminui, me afaga, como uma criança inocente.

Lua, lua acolhedora,
Companheira da música e da poesia.
Tem em ti um toque de tristeza,
Sei que duvidas, sei que chora escondida.

Lua tocante e poetisa,
Que diz “não poderia te amar”
Mas não diz que de fato não ama.
Tu, que em mim faz nascer o sorrir,
Vem me ver, escuta os sussuros do mar;
Não segue o tempo que sempre erra;
Caminha no horizonte;
Vem comigo ver o sol se pôr…

Lua, lua inspiradora,
Que não abandona seus versos,
Não abandone também seu Mar querido,
e desconfie do tempo, nosso inimigo
Que nos separa e enfrenta o Destino
Que tenta nos unir e vejo ser meu amigo

Luar belo e resplandecente,
acabam os ventos que me elevam,
e em tua superficie etérea posso ver a tristeza.
Um sorriso do mar, “até logo lua querida”,
na espera que se inicia, na dor de um longo dia.

(19/07/2007)

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Para Aline, minha Lua.
Feliz aniversário! Que você seja muito muito muito feliz… E não se esqueça que já fui apaixonado por ti. ^^
“Eu não poderia te amar” foi o seu fora daquela vez.

Agora a explicação ao público: Aline é uma amiga poetisa de mui grande estima minha, por quem já fui apaixonado e pra quem escrevi a maioria dos poemas com tema “Lua”. Ela por sua vez retribuiu me chamando de Mar nesse poema e eu não pude deixar de responder o poema, como é devido.
Nunca ficamos juntos. Nem vamos ficar. Ela namora firme desd’aquela época.

O Destino é irônico, afinal, o Mar e a Lua nunca ficarão juntos.

Mas de certo, não paramos de nos chamar de Lua e Mar.





O Cobrador de Tarifas de Onibus

20 01 2009

Por Rafael Rabelo

Seu Francisco estava todo dia na linha 45723 de Onibus Municipal da cidade, trabalhando como cobrador. Já ia idoso, com mais de 80 anos, mas estava sempre lá, conversava, ria com os passageiros e cobrava a passagem. Quando indagado a respeito de aposentadoria, desconversava. A verdade é que seu Francisco já não trabalhava há tempos na empresa municipal de tranporte público, fora demitido e conseguira se aposentar devido a avançada idade (e mesmo assim com muito custo) que tinha na época.

Fora trocado, claro, por gente mais nova e máquinas com botões que permitiam ao motorista cobrar as passagens, criando assim a figura do “motorista-cobrador” que seu Francisco odiava. Não odiava a gente nova que trabalhava em seu lugar, odiava o cargo porque era rídiculo! Simplesmente porque era necessário ao motorista cobrar as passagens, dar o troco, manobrar, levar e trazer o coletivo da garagem, entregar o dinheiro no fim do dia e tomar cuidado com os bandidos, só lhe faltava também ser o mecânico do coletivo.

Seu Francisco não entendia… Era tanto gasto assim um salário mínimo a mais por onibus? A máquina compensava tanto assim?

Seu Francisco não entendia essas coisas. A gente nova que dirigia, isso seu Francisco entendia perfeitamente, eram mais práticos, e aprenderiam mais facilmente a apertar os botões, teriam reflexos bons pra desviar dos carros loucos dos tempos de hoje e também tinham cabeça boa pra contas rápidas, pra dar trocos certeiros. Mas a máquina… A Máquina ele não entendia.

Mas a resposta era o cartão-tarifa. Era este o trunfo da máquina sobre o cobrador. Não era necessário trabalhar mais com dinheiro, só apresentar o cartãozinho e ela se destravaria para que o passageiro passasse. Seu Francisco ficava triste…

Mas o Estado também fazia coisas boas pro seu Francisco. Lhe dera (como a todo idoso) um passe-livre que lhe permitia ir de onibus todos os dias pra onde quer que ele quisesse nos limites da cidade, quantas vezes quisesse. O que era ótimo! Primeiro seu Francisco vestia o velho uniforme cinza da empresa municipal de transporte público, botava um crachá que já tinha mais de 60 anos de uso e já era mais que amarelado, velho, muito velho, então se dirigia ao ponto final, logo de manhãzinha e esperava o primeiro circular que passava por ali, no ponto final perto de sua casa.

Subia, comprimentava o motorista que já era seu conhecido, se sentava na cadeira de cobrador e desempenhava seu papel, sua função. Ganhava para fazer aquilo, não para ficar em casa. Precisava do som ensurdecedor do transito misturado ao vibrar e chacoalhar do coletivo, aquele balanço que para ele era suave, e aquele ronco do motor mercedez que era como uma melodia moderna e totalmente cheia de significado.

Ele precisava daquilo. Já até se acostumara a apertar os botões, embora fosse inutil, já que a esta altura do desenvolvimento da “catraca eletronica” só o motorista pudesse destrava-la para que o passageiro passasse caso esse trouxesse dinheiro ao invés do cartão.

Logo, pensava seu Francisco, que embora muita gente duvidasse ainda era bem lúcido, não seria necessário também o motorista, este seria substituido por uma máquina que faria o trajeto e guiaria o coletivo solitário… E quando a empresa municipal de transporte público adotasse esse sistema, seria o fim também dos motoristas-cobradores, assim como foi o fim dos cobradores antes deles. E depois seria o fim dos motoristas particulares e já não seria necessário motorista pra nada. Tudo seria guiado pelas máquinas. E quando seu Francisco falava isso pros amigos motoristas-cobradores, eles se riam e riam e diziam que quando isso acontecesse todos fariam como ele, ficariam sentados na poltrona próxima do canto esquerdo, na parte da frente do coletivo e fingindo que dirigiam um onibus que não precisava de motorista. E ah! Claro, também apertariam botões imaginários para que a catraca eletronica fosse liberada quando um passageiro não tivesse o cartão eletronico… E todos se riam mais.

Mas seu Francisco ficava sério e soturno. Pensava. Nesse caso, o que seriam dos taxistas?





Contraste.

17 01 2009

Rafael Rabelo

É na falta que o pouco se mostra
No fundo preto, o ponto branco se destaca
É no mau que a bondade é valorizada

E no sofrimento eterno, um alivio
um pequeno alivio
maior alivio.

E o maior amor é daquele que nunca amou
o melhor pedido de desculpas é do arrogante
E a maior dor é daquele que nunca sentiu dor

O inverso também se vale

O amor de quem ama demais não tem valor
insulto de quem sempre insulta não é insulto
dor, pra quem sempre sofre dor, é nada.

No excesso as coisas se escondem
Que é um, pra quem possui um bilhão?
No mau, a maldade é comum como areia

E pra quem é perfeito
só resta
a morte.

contraste

[O que chama mais atenção? O circulo preto ou o GRANDE RETANGULO BRANCO?]





Simples?

7 01 2009

surreal-2

[infelizmente, desconheço o autor, se souber, email-me]

VII

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.

- Uma Didática da Invenção,
Manoel de Barros in “O Livro das Ignorãças”

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Bom, como começar?
Acho que seria mais conveniente dizer “Como terminar”, ou ainda “Como triturar” esse começo… Por que não faz SENTIDO começar a explicar isso.
Vou explicar como FOI.
Porque começo, começo mesmo, não sei, não têm.
Nem começo nem explicação, óbvio.

“Era uma tarde comum, como são todas as tardes comuns. Então o Daniel entrou. Conversa vai, conversa vem ele, me disse pra tentar uma ‘desconstrução’ como ensinava o poema Uma Didática da Invenção, que ele havia me passado um dia antes. Sinceramente, não estava pra poemas no dia, estava mais concentrado na minha amada, mas afinal, brotou algo de minha mente, algo louco, porque ele disse: ‘quero criar uma girafa pra cobradora de ônibus em bauru’ e não isso fazia sentido.”

Chamei de Paródia, mas o nome não significa NADA.

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Paródia

Daniel & Rafael

Caçar as pedras que rolam no ar, esgueirando as borboletas

pra então chegar ao mantes do momento da lótus que cagava melindres de várias cores cacofônicas de vinho dragão

que evapora formando nuvens de variados sons e cegam aqueles que a cheiram, deixando loucos os loucos que sempre foram lúcidos

, os que cospem peixes de verde, mais verdes que o povo do reino da dor. o álcool que flui nas veias pedregosas do seio da mulher terrorista não tem santo

e alimenta bebês mentirosos, que não choram, cantam óperas surreais e fingem que são abóboras ou estrume de cachorro

As esfinges não deixam mais nada como querem, só querem sujar as roupas de Deus com sabão de azul de metileno

Pois os anjos negros como bolas de cristais fazem dançar a Deus e toda sua corja de ratos, dando-lhe chibatadas com finas tiras couro de insetos que já não existem, e nem existiram

para sapatear os céus de cogumelo com surrupiações de estrelas da mais fina areia de ouvido e de balas de preta fulô

E o homem vê o espetaculo dum picadeiro de vidro azul, a platéia é o espetaculo. a morte é a felizarda que sempre perde e sorri sempre e há o silencio, o silencio que nunca cala as cores…

Ah, o que não se cala. Não, só fecha a boca quando vem verão pelo lado molhado da xícara de moinhos asfaltados. O brilho de seu sovaco dissecava as flores de lama

lama limpa, lama lupina, luma-lua, que gira e gira e gira e forma padrões de pores-do-sol entumescidos de cinza e laranjada da fruta seca, que a flor dera.

eu espremi a flor, de tão seca que era, vertia anos e mais anos de pedra-pomes

que se desfaziam antes de chegar ao chão

como se passassem através dos calendários de chocovertigem ameríndia

e virassem ventos do oeste, que sopram calmos em águas rasas, como o sopro das aguas-vivas mortas

e o sopro suave do coração de maria, que mata a todos os frágeis

mas restaura os desgraçadamente fortes

a vaca de teia dupla, a única deusa por aqui, é a verdadeira rainha do funk do patriarca

que só dança hip-hop feito por rockeiros que cultuam deuses de luz

os que preferem beber creme de decepção de antojos. Mas, de todos os maiores males maiores de mais grande e maior grandeza, não tem mal mais mau que a maleza da mala maligna maleita malthus matusalém mallitus

desenterram dentes de destroços dos domos dominados de dotados da dor desvituosa datada de diminutos divisões divididas demais, divinas, doutrinadas do doutor dá dadaísmo

a geleira cada vez mais sorridente, lambe as gotas do disco voador de metil-parabenzeno, feitas unicamente de mentol

A as montanhas de deliciosidade repugnante pulsa com vida não-própria. A loucura está nos olhos de quem a cheiro

e os cigarros lavam a alma envergonhada de tudo que é relíquia de jardim africano.queima, queima, queima o queijo que julga demais

escorre por paredes transversais de feiura tão bela que envergonha os anjos de pudor e vertigem. tola faca cega que não corta, não fura, não brilha, não é mais que um pedaço de pau

um pedaço de carne, uma torre sem coluna. um invólucro de couro que só serve para fazer homem e mulher sofrer

e trazer medo às pedras que caçam borboletas

pedrinhas marteladas aos prantos pela menina de cabelo bonito e cabaça de feltro

e cabelos ruivos de pecado e doçura

o futuro é isso. e ai de quem dizer que meus carros não são infláveis

e que suas botas não são de calor.

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[Salvador Dali]