Apoética

29 12 2008

Rafael Rabelo

Estou farto do lirismo.

Não somente do lirismo comedido ou regrado
Ou daquele tal lirismo dos loucos e bêbados

Estou farto do lirismo em si.

Abaixo os poetas que só falam de si

Quero poemas livres de seus donos

Quero versos ora livres, ora regrados
Quero rimas toscas e sem sentido
E outras com um milhão de significados

Quero poemas que tenham uma face por leitor

Não quero lirismos. Estou farto deles.

Estou farto de falar de mim, dos meus.
De ter aqueles travessões subentendidos
de falas por mim ditadas e escondidas

Quero falar do mundo.

Quero falar das coisas do mundo
E de suas faces e rugas

Quero falar da hematopoése dos poemas

Não quero mais saber de mim.

- Não quero mais saber do lirismo. De nenhum lirismo.

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Eu gosto desse poema.

Surgiu  baseado na idéia do Daniel R. Cavalcante, com o Anti-Poética, que por sua vez utilizou a estrutura do poema Poética do Manuel Bandeira para fazer uma antitese deste.

Gosto de pensar que juntos, os três poemas conversam entre si, como se discutissem… Claro que o meu poema perto dos outros dois é bem franzino, fraco, eu diria. Mas ainda assim gosto dele. Então aí está ^^

ps. Hematopoese é o processo biológico da produção de sangue. Sim, eu vi isso numa aula de biologia do cursinho.





Uma nova face.

22 12 2008

Aliterações Críticas

Rafael Rabelo

Algo ou alguém alarmado,
Bonito e bom, buscando:
coesão e contextos contestados,
dentro das ditaduras destruídas.

Encimado entre escombros
fulgazes, fins da formalidade
geral, ganhada por gana da gente.

habilmente habitada por hereges,
índios indigentes involuntários
jogados juntos, jungidos, aos jazigos
lamentando a lastima literal lacônica,
mantidos minguados, mortos.

Nisso, nausea-o as namoradas e
os outros outorgados objetivos.

Portando, póstumas posições
Quando, querendo querer
rotula os rotos roedores rígidos
sangrando sem saber soturnos seres
trazendo tamanha tragédia a todos.

Ultimando ultimos ultrajes
vingado e vigorosamente vil
Xangô; xucro e xaveco,
Zonzo, ele zanza e zurzindo

E morre, sem poema ou poesia.

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Eu já fui romantico.
Digo isso porque já não o sou. O Romantismo é uma piada, uma sátira, não existe. O Romantismo é uma mentira.
Muitas coisas me aconteceram… Muitas mesmo.
Acho que já li/ouvi tudo a meu respeito. Já me chamaram de tudo, mas eu gostava de ser chamado de Romantico, me sentia bem, me sentia único já que não se vê mais romanticos reais andando pelas ruas (só estas paródias que se chamam de emo’s) mas hoje percebo, ao me chamar de romantico me chamavam de idiota, de tolo. Sou um sonhador e o serei até o fim da vida (talvez seja a única coisa realmente minha) mas não mais romantico.
Ninguém respeita o romantismo, ninguém quer um romantico, tanto que as poesias romanticas cantavam dores, cemiterios.
Idealizar não é o caminho. Não critico os ideais, os tenho como motivação, mas os idealizados sempre serão inferiores. Não sonho ninguém mais, não mais. As pessoas não querem ser sonhos, nem coisas maravilhosas, e é aí que o romantismo peca em seu egoísmo… Jamais vi a opinião da donzela de faces brancas pela falta de sol. Talvez não tivesse opinião alguma. Talvez fosse cômodo ser uma Deusa, mas se pensasse assim, seria Deusa ainda?
Seria tão perfeita se tivesse a alma maculada por esse pensamento de “quero ser divina e superior”?
Há quem diga que passo por uma fase realista já algum tempo… Eu pessoalmente acho que ela já passou. Diria que estou num lance simbolista, brincando com as palavras e as expressões. Aprendi muito quando estudava pro vestibular esse ano, muita coisa sobre literatura e gramática (algumas coisas sobre gramática não aprendi) mas uma coisa é certa: Não queimarei mais carne a toa.





O Naufrago Racional

10 12 2008

Colocou as mãos na face quente.
Sentiu o sal nos olhos e não soube se estava chorando, mas não estava. Nunca chorava. Indepedentemente do que lhe ocorresse, não chorava. Sempre havia uma solução pra tudo, sempre havia uma saída, uma chance. Era um batalhador daqueles incanssáveis. Não choraria. De repente sentiu as pernas e deu um suspiro longo, sentiu a areia e resolveu se levantar, após deliberar sobre o que seria melhor fazer e que isto era ficar de pé e olhar em volta.
Enquanto estava se levantando imaginou: deve ser uma ilha, com uma pequena floresta, talvez uma montanha, de formação vulcânica… E quase caiu para trás, no mar, quando se deparou com o que via.
Era uma ilha pequena, realmente pequena. Minúscula. Quarenta metros quadrados seria muito.
Ele era um naufrágo numa ilha minúscula.
Pensou na sorte de estar vivo e não reclamou, não era homem de reclamar, era prático. Havia um problema, haveria uma solução e foi assim, com esse lema que chegou a ser um dos grandes nomes de WallStreet em tempo record. Aos vinte e dois já era acionista de uma grande empresa. Aos trinta era dono. Deu palestras para grandes empresários. Era prático. Racional. Haveria uma solução. No dia anterior estava em um cruzeiro de negócios, com vários outros empresários quando que por um defeito na maquinaria do transatlantico foi obrigado a subir no bote e ver aproximadamente seis bilhões de doláres em roupas e contratos afundarem lentamente. Depois veio a tempestade. Clássico, ele pensou. Deus não era criativo.
E agora ele era naufrago.
Viu um paletó preto, que não era o dele, boiando junto a sua perna e o pegou. Talvez fosse útil. O vestiu, por costume.
Não havia nada além de areia de praia e um grande coqueiro ao centro da micro-ilha e ele se deu ao direito de rir. Parecia piada. Mas de repente seu rosto se conterceu de espanto (o que era mais que raro) ao ver…
Vejam bem, era um telefone público.
Ele ficou sem reação.
Quem não ficaria? Ele ainda era humano apesar de não saber.
Ele ficou estarrecido, sem saber o que pensar… Procurando pelo horizonte algo que tivesse sobrado das bagagens e que pudesse usar pra fazer um sinal, ou algo que ele pudesse usar pra sobreviver não atentou que bem embaixo do coqueiro ao centro da ilha havia um telefone público.
Indignado, pensou: “Se não é o cúmulo do avanço das telecomunicações…” e tratou logo de ir em direção ao dito. Ora, ele não foi correndo, claro. Além de extremamente racional e lúcido, era paciente. Sabia que poderia estar alucinando. Muita água do mar, talvez? Provavel. Não que fosse impossivel, mas era estranho, pensamento que logo mudou ao ver que o telefone estava extremamente avariado e já era antigo, talvez nem funcionasse. Era óbvio que fora bem depredado. Talvez não fosse uma alucinação, no fins das contas, mas não deixou de tocar a máquina quando se aproximou. Era real. Bem real.
Tirou-o do gancho e ouviu o sinal de que funcionava. Agora ele era capaz de acreditar em tudo. Colocou-o de volta e pôs-se a analizar o aparelho.
Estava todo rabiscado com nomes e faltava alguns botões. O homem que era racional soltou um belo palavrão ao ver que o telefone funcionava a moedas. Moedas. E ele não tinha moedas. Ele nunca andava com moedas. Não as usava nunca! Procurou com certo desespero nos bolsos da calça, mas nada além de talões de cheques inuteis e outros pedaços de papeis verde-sem-valor molhados. O desespero aumentou quando percebeu que faltavam algumas teclas e uma delas era o 9. A outra era o 8.
Ligações a cobrar não adiantariam. Nem 0800.
As pernas fraquejaram e ele se sentou. Fazia tempo que não se sentia fraco.
De repente lhe ocorreu algo… Será?
Ele procurou no paletó preto que vestia. Não era dele, poderia… E bingo, havia um bolso e nele um pequeno circulo metálico que àquela altura, valia mais que ouro. Era uma moeda de não muito valor, mas ele ficou orgulhoso por ser racional, pois havia concluído que o paletó era do moço que entrara no bote com ele e pela rápida conversa de que lembrava, o moço era pobre. Teria moedas.
Sentiu-se angustiado. O que teria acontecido com o rapaz? Mas quando ele desmaiou, o rapaz ainda estava bem, entou se concentrou no telefone.
E dessa vez, ele ficou bravo e bateu com a cabeça já dolorida no telefone público, que soltou um estalo, quase reclamando, indignado como ele.
Não estava com o celular. Havia perdido antes mesmo de subir no bote. Não haviam muitos telefones em sua cabeça agora… Era inútil decorar telefones se haviam agendas, pagers, computadores e secretárias, era assim que ele pensava. Bom, também não é sempre pode se virar um naufrago e precisar de moedas e um número de telefone.
Haviam alguns números que ele teria decorado por tanto usar, só precisava lembrar deles!
Forçou bem a mente, ele sabia que estavam lá, em algum lugar de seu cérebro!
Lembrou-se de quatro, que tinha certeza que estavam corretos.
O de sua casa, do escritório, o de um colega e o de uma ex-namorada, de quem quase fora noivo.
Era importantíssimo pensar bem pra onde ligar, mesmo que levasse dias já que aquela era a única moeda que tinha. Procurou novamente para confirmar e sim, era a única. Essa, portanto, deveria ser bem investida, e sentado na areia da praia vendo um pôr-do-sol que seria bonito se não fosse terrivel pensou: “Esse investimento tem que render.”
Tentou dormir, mas não conseguiu. Estava frio e ele tinha fome e não havia comida. Nada além de sal, água, madeira e areia. Cocos? Não, não tinha. Cogitou contruir uma jangada, mas com um tronco? E como o derrubaria? Não, o jeito era o telefone.

Quando amanheceu ele estava com sede, sono, frio e fome, mas tinha uma moeda e já era alguma coisa.
Por ser racional, começou a deliberar todos os prós e contras dos telefones que tinha. O de sua casa não serveria de nada, já que ninguém morava lá, exceto ele. O do escritório também seria de pouca utilidade, ele deveria levar em consideração que as pessoas o chamariam de louco se ele dissesse que está numa ilha deserta… Com um telefone.
Sem contar que havia todo um stress na empresa, muitos queriam que ele não voltasse, não era inteligente pedir ajuda a quem não lhe queria bem.
Seu amigo não lhe acreditaria até que fosse tarde demais, fora que com uma unica moeda em uma ligação que certamente seria considerada internacional, não teria muito tempo pra se explicar. Havia sua ex-namorada e de repente se lembrou de como ela dissera que ele era racional demais e por isso “não daria certo” e que ele precisava aprender a escutar mais o coração.
Ele nunca entendeu isso, simplesmente não fazia sentido.
Ligar pra ela era arriscado, talvez ela tivesse raiva… E isso o deixou triste.
Estava cansado e agora fazia calor, muito calor, já devia ser meio dia quando ele se sentou embaixo do coqueiro e dormiu.
Acordou já a noite, mais feliz por ter dormido.
Passou a noite inteira pensando e tremendo e quando amanheceu estava esgotado, faminto, comendo minhocas e pequenos peixes que conseguia pegar usando o paletó.

Pouco antes de anoitecer já estava morrendo de sede e sentia o gosto do sal na pele que tratava por desidrata-lo mais ainda. E não chovia.

Se desesperançou, não haveria ninguém que acreditasse que era ele mesmo que ligava de uma ilha deserta, principalmente nessa época de trotes e pegadinhas de TV.
Mas ele ainda tinha a moeda e resolveu gastá-la numa ultima chamada que valesse a pena.
colocou-a e digitou o número bem mais sereno do que poderia imaginar que estaria.
O telefone chamou… Chamou… E pouco antes dele desligar entristecido, uma voz feminina disse “Alô?” e ele teve tempo somente de dizer um “Eu te amo…” rouco antes da ligação cair.
Olhou pro por-do-sol que não pareceu mais tão terrivel. E ele entendeu. E chorou.

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Considerações:

Eu já tinha esse texto há um tempo e queria publica-lo, por isso, tratei de revisa-lo, se caso encontrarem algum erro, me digam ^^

Sim, eu sei que é grande :P

E também sei que tem um final triste… Eu tinha até bolado um final feliz, mas não gostei, preferi esse, mas pros curiosos:

“Depois de um instante, quebrando o silencio das ondas, o telefone toca. O naufrago atende num sobressalto misto de desespero e alegria dizendo:
_ Alô eu sou… Quando a voz feminina o interrompe.
_ Eu sei quem você é. Impossivel não reconhecer sua voz, mesmo depois de tanto tempo. Estava com saudades, você sumiu… Que historia é essa de “eu te amo”? E que raios de numero é esse? Onde você está? Você está bem?
Ele sorriu. Olhou pro por-do-sol.
_ Eu estou ótimo! E você? Mas você não vai acreditar onde eu estou…”

Sim, este foi outro post relampago.

Abraços o/





Vida de Vestibulando

6 12 2008

Bom pessoas, vou fazer mais uma prova esse domingo agora, portanto, desejem-me sorte.

Enquanto fico lá (incriveis dois dias em Londrina, PR) leiam esse blog

http://punyparker.blogspot.com/

É ótimo, merece que cada tirinha seja lida!





Instante de Verdade.

3 12 2008

Rafael Rabelo

Bastou um pequeno instante
de bravo e tolo infante
a olhar pro lado errado
e ter dos olhos herdado
a tão terrivel verdade:
negação tola da equidade

Ah! Porque diabos foste olhar
O mal que todos ignoram

Agora sabe a maldade
E não pode viver em sociedade
que aceita a ignorância
e não vê tal rutilância
dos vermes que comem
os cadaveres esquecidos

Já não pode ficar quieto
Viu. olhou bem fundo
nos olhos da mentira
distinguiu a verdade escondida
e agora faz escândalo
Não quer mais o silêncio
embora fique ao relento

Já não suporta!
grita, faz alvoroço
E as pessoas fingem não lhe ouvir.

Como pôde antes você ser igual
e virar as costas sem ressentir?

Não suporta a loucura

É mais um pária e todos
te chamam de louco ou mendigo
ignoram as lágrimas
as súplicas e a lógica
Estão cegos
Não querem saber.

E tal verdade te consome
te ensandece, de verdade.
E vais perdendo a humanidade
e se entregando ao costume

Perdeu a vida que queria
não tem mais o que sonhava
ter namorada, filhos, amante
Só o pensamento daquela verdade
que em um instante se mostrara.

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Eis um texto que eu tinha faz tempo e que queria publicar e simplesmente não tinha tempo…
Falta umas pontuações e tudo mais… Mas eu tenho licença poética, certo?
Abraços!