Os bons e os maus.

30 07 2008

Só pode ser verdadeiramente bom aquele que já foi realmente mal.

Digo isso porque seria então, realmente, uma questão de escolha pessoal, não de vivência ou imposição social. Eis a máxima da bondade, ser bom por que quer, não porque parece o certo.

Na maioria das vezes a sociedade forma as pessoas boas. Ou o mundo forma, como eu digo. O mundo SEMPRE forma as pessoas. Estamos fadados a viver no mundo que conhecemos, ou não. Há uma certa forma de se libertar de si mesmo, mas não vou entrar nesse mérito… Na grande maioria das vezes estamos presos ao que somos, não ao que escolhemos ser. Veja por exemplo uma pessoa má, será ela realmente má? Ou será que a vida a fez do jeito que ela é, e a moldou como a vemos?

Santa ela não é, porém como vi uma vez num filme: Na verdade um simples instrumento da cólera divina.

Poucas pessoas compreendem a influência do mundo que as cerca e fazem uso real de seu livre arbítrio, as chamadas Grandes Pessoas do mundo.

Elas sim, capazes de escolher o que são, são “donas do seu próprio Destino”…

Quero dizer, peguemos novamente nossa pessoa má, construída pelo mundo, que sofreu inúmeras coisas ruins e enfim, criada para o “Mal”. Aprendeu portanto a ver as pessoas sofrerem e se deliciar com isso e a causar dor e sofrimento e a ignorar súplicas com o sorriso no rosto. Má, verdadeiramente má? Não. Este é o único modo de ser que conhece e não tem motivos para mudar pois acredita ser feliz, ou se sente satisfeita assim, mas talvez somente porque foi criada dessa maneira.

Suponhamos que conheça o outro lado… E veja a felicidade, sendo boa por opção. Veja os rostos felizes e conclua que aqueles rostos são mais belos do que os de torturas e aflição.

O que era mal, virou bom.

E eis o Bem puro. Mais Puro que o próprio Bem, uma vez que não nasceu “bem”, mas se purificou e se libertou do mal que a sociedade lhe empregou. Abandonou a infeliz profissão de coléra divina. É agora totalmente responsável por si se percebeu que o que fazia era, na verdade, fruto do que vivera e não do seu pensamento crítico sobre “certo e errado”.

Por outro lado, o inverso (como na maioria das vezes) é também verdadeiro. Alguém que conheceu o bem e a felicidade nele pode optar por causar o mal e será mais desprezivel, parece-me, do que aquele que viveu somente na maldade por infelicidade do destino.

Mais bom portanto, aquele que conheceu o mal e escolheu o bem, do que aquele que viveu sempre em meio a bondade.

>Texto que surgiu unicamente da Vontade poética de escrever “Mais Bom”<





A Primeira Frase.

21 07 2008

A Primeira Frase poética que escrevi (e parte integrante do meu novo poema)… Trasformada em Tanka por Daniel Cavalcante.

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As asas de anjo

que roubei para’lcançá-la

agora eu uso

pra voar para bem longe

e procurar nova amada






Lembrança

19 07 2008

Há dois tipos de pessoas no mundo. As que esquecem. E pessoas que esquecem.
Eu sou do tipo que se lembra. Que se lembra sempre.
Que luta pela lembrança, que todo dia acorda pensando: “Puxa, aconteceu isso e aquilo aquele dia.”
E nada na minha vida me dói mais do que esquecer…
Eu até guardo os canhotos das peças de teatro que assisti, dos filme que vi no cinema.
A lista dos artistas e das musicas quando fui a minha primeira orquestra, ouvir música clássica porque a menina que eu gosto, tocava lá.
E sabe porque eu sou esse tipo de pessoa? Meio romantico, né? Ser assim… Mas sabe porque sou assim?
Porque esquecer, em si, é terrivel. Eu posso imaginar os momentos felizes que tive indo embora e me sinto triste.
E se imagino esquecendo os tristes, também me sinto triste.
Eu acredito em segundas chances. Em terceiras. Em Quartas. Em quantas forem necessárias.
As vezes um tempo é necessário, mas esquecer jamais.
É ser fraco, deixar a sua dor superar você mesmo. Não critíco quem faz isso. Eu mesmo já fiz, fui uma dessas pessoas.
Que simplesmente esquece
Mas sabe o que fiz quando percebi o que estava acontecendo?
Me agarrei a cada fiozinho de coisa esquecida, mínima memória minha e lutei para resgatá-la.
Porque no fim, as memorias são as únicas coisas que nos restam.
Esquecem é deixar de ser e existir.

Eu estou parado e você também
E somos dois estranhos, parece
Temos nossa uma história vazia
Que tentamos inutilmente esquecer
As vezes podemos, ou não, talvez.

Você é como um pôr do sol meu
sempre indo embora e saindo
a cada fim de tarde ensolarada
me deixando e me partindo
As vezes quero por isso te esquecer

Mas não esqueço, não consigo
Sem você, minha vida não tem sentido
Fica um buraco nela, um vazio
como se os sonhos tivessem se partido
As vezes como os sonhos se partem

Por mais que eu lhe fale mal
Vire o rosto ou te fira o coração
saiba que não é maldade ou maldição
Só não sei o que fazer quando parte
As vezes você vai embora

E eu quero lembrar de você pra sempre
E eu vou lembrar, eu sei
Então fique, fique comigo, só porque
as vezes eu te agrado e não sei

Não somos perfeitos um pro outro
estamos sempre tentando nos esquecer
mas não podemos, podemos?
as vezes nós queremos…





Como Amas?

17 07 2008

Como Amas?

Rafael Rabelo

Diz-me, como amas?
Amo como a brisa ama o mar.
E como é isto?
Roça-lhe a face a ajudar.
E ajuda, pra quê?
Pro amor dele, ele achar.
E este amor, quem é?
É a suave luz do luar.
E tu, que ganhas?
Um sorrir, antes um amar.
como pode, se a outra ama?
Não pode, posto que é chama.
Então, que me dizes?
Que a lua ama, mas é a mim
que conheces e que sentes.
E da lua lhe falta o sabor
e do luar lhe falta a cor
que em mim, trasfigura verde
azul e rosado borealeado.
E na minha amizade fria
que a chama definha.
O amor por vezes esfria.

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Ama como o amor… Que dele se basta.





O Observador do Mundo

11 07 2008

In to the Wild; 2007

O Observador do mundo

Rafael Rabelo

Desde pequeno, não creio
ser parte do mundo
ou dele um herdeiro.
Vejo-o como coisa distante
filme de infantes, passando na TV.

Nada do que faço, muda-o
Nada do que falo, muda-o
Ele não se cala, ou pára
Segue comigo, sem mim, não importa.
É um filme e não se importa.

Não faço parte do mundo
Sou seu observador atento
só vivo-o, vendo
Nada pode altera-lo e vai seguir
independente de mim.

Ninguém me nota ou faz questão.
Não sentem verdadeiramente minha falta
ou sequer vêem minha dor
e minha paixão.

O mundo vai seguir, nada pode ser feito
E eu trilho o caminho diferente
pisando em falso sem ver ou ouvir
só as músicas no ouvido
e os poemas nos lábios

Sigo solitário o caminho
daquele que nada pode alterar
vendo tudo como numa novela
vendo tudo como num livro de estórias
nada vai poder mudar o mundo.

E estou no meu cantinho escuro
vendo a grande amora azul girar
no espaço, iluminada ou enegrecida
e as pessoas com medo, bom
as vezes elas me escutam.

Nada é um filme de Holliwood
São pequenas histórias reais
das quais eu posso tirar somente a lição
nada de amores, nem namoradas
só paixões irreais que cantam

E o mundo vai seguir, sempre segue
com ou sem poemas.
E eu, vendo-o, aprendo.
Apreensivo, vou aprendendo a não
só ver o mundo.
mas a admira-lo.

O Mundo é como um poente eterno
ou uma eterna brisa soprando
uma borboleta que sai do casulo
sempre muda, mas você nada pode fazer.
Só se pode crescer.

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“A felicidade só é verdadeira quando compartilhada” – In to the Wild; 2007





Pra que servem as mãos?

7 07 2008

Pra que servem as mãos?

Rafael Rabelo

As vezes me pego pensando em ti
Olhando prum céu estrelado e
imagino se está lá, olhando pra ele
ou se a lua é a mesma, se a vê
Ou se a vê diferente e estranha

as vezes me dá uma falta de você
como se faltasse ar, ou um remedio
como se eu tivesse morrendo
do mal incuravel e fosse você a cura
a cura do mal que você me fez.

as vezes me pego olhando pras minhas mãos
e me pergunto o sentido delas
se não te servem, de que servem a mim?
Se não te alcaçam e nem podem, pra que?
Se não te serve meu coração, pra que?

Só sei que não te tenho pra mim nunca
nem nos meus sonhos, nem nas lembranças.
As saudades, elas nunca cessam.

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Só sinto um mundo morto sem você
tudo perdeu a graça e o sentido
sem você, não há lágrimas ou dor
com você, tudo é felicidade e amor
Sem você, nada sinto, nada vejo
Com você, tudo brilha e dói e alegra
sem você sou cinza.
Com você sou tudo, de rei do mundo
a escravo imundo.