Só pode ser verdadeiramente bom aquele que já foi realmente mal.
Digo isso porque seria então, realmente, uma questão de escolha pessoal, não de vivência ou imposição social. Eis a máxima da bondade, ser bom por que quer, não porque parece o certo.
Na maioria das vezes a sociedade forma as pessoas boas. Ou o mundo forma, como eu digo. O mundo SEMPRE forma as pessoas. Estamos fadados a viver no mundo que conhecemos, ou não. Há uma certa forma de se libertar de si mesmo, mas não vou entrar nesse mérito… Na grande maioria das vezes estamos presos ao que somos, não ao que escolhemos ser. Veja por exemplo uma pessoa má, será ela realmente má? Ou será que a vida a fez do jeito que ela é, e a moldou como a vemos?
Santa ela não é, porém como vi uma vez num filme: Na verdade um simples instrumento da cólera divina.
Poucas pessoas compreendem a influência do mundo que as cerca e fazem uso real de seu livre arbítrio, as chamadas Grandes Pessoas do mundo.
Elas sim, capazes de escolher o que são, são “donas do seu próprio Destino”…
Quero dizer, peguemos novamente nossa pessoa má, construída pelo mundo, que sofreu inúmeras coisas ruins e enfim, criada para o “Mal”. Aprendeu portanto a ver as pessoas sofrerem e se deliciar com isso e a causar dor e sofrimento e a ignorar súplicas com o sorriso no rosto. Má, verdadeiramente má? Não. Este é o único modo de ser que conhece e não tem motivos para mudar pois acredita ser feliz, ou se sente satisfeita assim, mas talvez somente porque foi criada dessa maneira.
Suponhamos que conheça o outro lado… E veja a felicidade, sendo boa por opção. Veja os rostos felizes e conclua que aqueles rostos são mais belos do que os de torturas e aflição.
O que era mal, virou bom.
E eis o Bem puro. Mais Puro que o próprio Bem, uma vez que não nasceu “bem”, mas se purificou e se libertou do mal que a sociedade lhe empregou. Abandonou a infeliz profissão de coléra divina. É agora totalmente responsável por si se percebeu que o que fazia era, na verdade, fruto do que vivera e não do seu pensamento crítico sobre “certo e errado”.
Por outro lado, o inverso (como na maioria das vezes) é também verdadeiro. Alguém que conheceu o bem e a felicidade nele pode optar por causar o mal e será mais desprezivel, parece-me, do que aquele que viveu somente na maldade por infelicidade do destino.
Mais bom portanto, aquele que conheceu o mal e escolheu o bem, do que aquele que viveu sempre em meio a bondade.
>Texto que surgiu unicamente da Vontade poética de escrever “Mais Bom”<






