Ao Poeta.

27 06 2008

O Poeta

Rafael Rabelo

Jamais se mata um poeta.
Dá-lhe a liberdade da alma
posto que o poeta sabe
o que é morrer e não ter corpo

Não se mata um poeta.
Somente imortaliza-o.
O poeta é incapaz de morrer,
eis um dom, eis a maldição.

Nunca morre um poeta,
ele simplesmente pára de escrever.
Terão outras faces a sua poesia,
haverá quem o siga e quem o odeie.

Jamais finda a vida de um poeta.
Eles são eternos, como seus poemas.
Estão na carne de quem os lê,
na alma, nos olhos, nos genes, no mundo.

Porém, morre o poeta vivo todo dia.
Morre a cada instante e renasce
a cada segundo de sua vida.
De toda a dor do mundo. Morre sempre.

O poeta é um não-ser humano.
É viver quando se morre
e morrer sempre, quando vivo.

.

.

.

Poema Dedicado especialmente a Carlos Drummond de Andrade a quem muito admiro. Mas que sirva a todos que aspiram ser poetas. A todos aqueles que sentem-se morrer cada dia. Pra aqueles que receberam a visita do Anjo Torto, que nos disse: Vai ser gaúche na vida!

*Não é preciso uma data para se lembrar…*


Ações

Informações

2 respostas

1 07 2008
Dani

Realmente…um dom e uma maldição… Também adoro Drummond…Acho uma pena que apesar de tudo o homem tem deixado morrer a poesia…cabe a nós, amantes de tal, não deixar que morra o canto de nossa alma…como viveriamos sem a posia, seriamos como passáros sem voz e sem asas…Viva ao que nos mata todo dia, mas ao mesmo tempo nos dá o direito de viver e o dom de amar apesar das circunstancia. Ao dom de fazer de tudo uma prosa e ver beleza até mesmo na morte….bjus….

5 07 2008
Daniel

Vai ser gaúche na vida! Ainda não sei pra que a fachada! ^^

Deixe um comentário