Ao Poeta.

27 06 2008

O Poeta

Rafael Rabelo

Jamais se mata um poeta.
Dá-lhe a liberdade da alma
posto que o poeta sabe
o que é morrer e não ter corpo

Não se mata um poeta.
Somente imortaliza-o.
O poeta é incapaz de morrer,
eis um dom, eis a maldição.

Nunca morre um poeta,
ele simplesmente pára de escrever.
Terão outras faces a sua poesia,
haverá quem o siga e quem o odeie.

Jamais finda a vida de um poeta.
Eles são eternos, como seus poemas.
Estão na carne de quem os lê,
na alma, nos olhos, nos genes, no mundo.

Porém, morre o poeta vivo todo dia.
Morre a cada instante e renasce
a cada segundo de sua vida.
De toda a dor do mundo. Morre sempre.

O poeta é um não-ser humano.
É viver quando se morre
e morrer sempre, quando vivo.

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Poema Dedicado especialmente a Carlos Drummond de Andrade a quem muito admiro. Mas que sirva a todos que aspiram ser poetas. A todos aqueles que sentem-se morrer cada dia. Pra aqueles que receberam a visita do Anjo Torto, que nos disse: Vai ser gaúche na vida!

*Não é preciso uma data para se lembrar…*





Amar o amor

22 06 2008

O Maior Romantico

Rafael Rabelo

Amar é sacrificar por amar,
um esquecer de si pra pensar no outro
E ver na outra felicidade, ouro.
vislumbrar não sorriso, mas luar.

Mesmo que na garganta um doce amargar,
Por não possuir, não ter louros do amor.
Mesmo doendo até a alma, amor da dor maestro,
Na dor de amor tem razao em felicitar.

Mas se amor é sacrifício de si,
O Romântico que ama mais que tudo
Que tem amor nele, amar por amor.

Maior Romantico é o que mais sacrifica.
Se precisa, mata então o próprio amor,
deixa o ser amado, de amor ao amor.

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A maior prova de amor pra um romantico é justamente não provar amor algum.

“Te sinto longe e distante
mais que os quilometros que nos separam
te vejo ao longe e não me olha
nos meus pensamentos, se despede
está sempre a despedir-se, sem olhar
Não, nunca olha pra trás.
Seguiu reto e não se virou.”





Frase de fim

15 06 2008

Frase de Fim

Oh, doce sabor de fel,
palavra doce que antecede
desgraça e augúrio,
me traz dor, me fere.
Faz-me esquecer a vida!

Oh, doce voz de veludo,
de cetim vermelho bordô,
de marfim e de coroas ,
de rosas brancas e suaves,
doce sabor de fim amor.

Voz de delírio, de insônia,
traz pra mim a doce esperança.
A dor da irrelevância de mim
sou teu amigo, doce voz.
Amigo morto teu, morto por ti.

Tuas frases leves me derrubam,
teu clamor por outros me sangram
e te não-ter me dói e arde.
Mesmo sendo tu, doce voz suave.

São todas vocês doces vozes
de esperança e bonança
numa ópera na minha vida vã
com meus discursos vãos
e minha morte vã e sem méritos!

Dirão: “uma frase o matou!”
e uma palavra e estou ao chão!
Estirado sobre pés de salto alto
que estão a me fazer carícias
e de me bater cheio de malícias

Cede a ternura que finda!
Finda por seu começo, por seu fim
previsível, monótono e clichê!
Esta frase bentamaldiçoada
“Amo-te como amigo”.

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Ah, a maldição e benção de entender as coisas que ninguém entende.





Amanhã…

4 06 2008

Um certo amanhã

vai ser um dia frio
com um céu acinzentado
e um vento que vai cortar meu rosto
e mesmo o sol vai me queimar a pele
e mesmo o vento vai me congelar a alma
até as cores vão me ferir os olhos
e as sombras vão saltar
das paredes pra me torturar
e me fazer lembrar
e cada gesto e cada olhar
vai me trazer de volta
Aquele gesto, aquele olhar
e por mais que o dia seja lindo
vai ser triste, vai me ferir.

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He… Ela sempre quis mesmo um post aqui… Pra você, mon rose.

É, acho que ela não faz idéia. Droga, “não fazia”. Preciso por as coisas no pretérito. Eu sei disso, sei como fazer, já fiz dezenas de vezes. Pura e simplesmente questão de por no passado. Preterizar o que aconteceu e dizer que já passou. Forçar a me acostumar com a solidão de novo… Realmente, ela nunca me abandona, a solidão. Se disfarça, se mistifica em mulher, esses seres malvados que me ferem o coração. Se um dia eu me tornar um insensivel (e vão saber disso pela descontinuidade do blog), saibam que a culpa foi delas. Porque simplesmente perdi a conta de quantas vezes pedi uma mão e levei um tapa. Perdi a conta de quantas vezes rodei a cidade pra realizar desejos mesquinhos (e ainda com um sorriso no rosto), de quantas rosas e doces e poemas e histórias e depoimentos e sacrificios.

Mas amo. E como é bom amar. E tenho dó de quem não sabe.

Por mais que te fira, por mais que faça você chorar e gritar e enlouquecer, te faz feliz. Insanamente feliz.