O Lugar Tranquilo
Rafael Rabelo
O dia aqui corre devagar,
o ar daqui tem sabor de flor,
Dor aqui, inexiste viva,
e os olhares não te olham
se te olham, não é com olhos.
Tanta gente, tão pouca gente.
E ninguém, tudo no mesmo lugar.
Vejo-os dormir, mas não vejo
Só nos dois e todo essa gente
E gente nenhuma…
Não estamos aqui, nem agora
Estamos um no outro, fora do tempo
Estamos um no olhar do Outro
Um no sorriso do outro
na alma do outro.
Nossos corpos existem, verdade.
mas os espíritos estão a vagar
juntos pelos labirintos nossos,
e dos corações alheios, vivemos.
E o corpo não é gente, só existe.
E todo mundo que ali adormece
meio que nos observa e entorpece
sentir sono, sentir calor, querer
desejar amor e vê-lo ali
A sorrir para nós, como eles sorriem
Esquecidos, traídos pelo tempo
abandonados, deixaram-nos todos
Só nós nos lembramos deles
E desse lugar, que tanta gente
Tenta evitar e esquecer.
.
.
.
Só somos nós verdadeiramente quando amamos alguém, por isso julgo que sou viciado em amor, pois toda vez que amo, me conheço.
Amar é perder-se, é procurar o outro dentro de si e se perder, amar é não saber quem se é, e é justamente isto que é conhecer-se.
Só perdidos sabemos quem somos. Não nos definimos mais, não nos rotulamos e perdemos nossos sentimentos próprios diante do amor verdadeiro. Somos todos caniços vergados pelo vento quando amamos, o grosso deixa de o ser e passa a ser gentil.
O glutão pára de comer, se é pela pessoa amada. Transforma o racional em bárbaro e faz o bárbaro pensar.
Somente no amor nos livramos de nós mesmos e, portanto, nos encontramos.



Que lindo! *-*
Tu é foda com as palavras,Rafa!
O lugar final, cheio porém vazio. Morada de muitos mas de ninguém. Cheio de oferendas, cheio de homenagens, mas sem ninguém para recebê-las. Esse é o cemitério, essa é a vida, essa é a morte. Descrições são meus escritos favoritos, como te contei no MSN, e poucas descrições são tão vívidas como essas ^^ Excelente!