Canela, doce Canela…

26 03 2008

Já provas-te o sabor de Canela?

Reparou no doce que arde na boca

e no coração?

Já pensas-te nas balas? Nas coberturas?

nos confeitos, perfumes, doces?

E nas amizades? Pensas-te?

E nos amores com sabor de Canela?

Sentis-te alguma vez uma amizade

que com tal sabor se mostrou

e  adocicou a vida e fez arde-la?

Como uma ânsia de fugir do mundo,

e levá-la (a amizade) junto?

Arder por não ter perto…

Arder por nada ser tão perfeito…

Resiste o gosto a boca! Enfranta o mund!

Arde por estar viva! Por ter gosto forte!

Arde por ser perfeita na sua imperfeição!

Ahh, Canela… Que representa o amor do mundo,

e sua dor contida e ardida

Faz lacrimejar os olhos,

Queima no coração e na garganta.

Eis o verdadeiro ardor da vida…

Até o mistério do universo

tem seu gosto, doce Canela.

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 Dedicado a Canela. Feliz aniversário, ma cheri. ^^

“Procura um amor por quem valha a pena viver.” – Canela





O Trovador e seu Bosque.

19 03 2008

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O Bosque Da Solidão

Rafael Rabelo

Havia um bosque aqui dentro
dentro de mim solitário
era a sombra da realidade,
um lúgubre lugar literário
Mas tinha um Eu deitado ao centro

Caminhamos por ele as vezes
Todos nós, sem exceção
Mas fiz eu um lar pra mim.
Trilhei tantas ali canções
viajando, passei ali meses

Cruzei tudo, de norte a sul
de leste a oeste caminhei
por todas as pedras e rios passei
subi montanhas do mais simples azul
trilhei tristezas e nadei mágoas

Encontrei restos de civilização
e delas reconstrui o reino
fiz-me rei de mim mesmo
e soberano do Vale do Mundo
Reinei anos o povo de um homem só

As vezes passava outro ser
talvez uma borboleta,
ou uma gatinha maliciosa
todos passageiros do barco vida
Eu não vivia, era O Bosque agora

Menestrel das dores, sorri
cantarolei sozinho pelo bosque
E destraído, inumeras vezes morri
caindo de penhasco ou em buraco
mas logo depois, estava eu ali sentado

Fiz de uma pedra bonita uma casa
e dos meus olhos fiz janelas
pra ver o mundo, pra ver tudo
Olhei a lua e vi que sofria
Fiz a ela compania, fui mar do escarpado

Cada arvore era minha, cada vento
tinha meu sussurro e as minhas cores
Tudo na Solidão, na Tristeza, na Dor
Tinha um poquinho de mim
e eu tinha tudo delas, tudo me doía

Tudo me fazia tudo, deixava feliztriste
E só se manifestavam os sentimentos
na risada em gargalhada chorosa
Por que eu, desesperado, caminhava
Pelo Vale da sombra da Morte, solitário
com o riso dos loucos no rosto e desespero
daqueles que nada tem a perder…
Aquele era o Meu Bosque agora.

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Todos temos um Bosque dentro de nós onde tomamos nossas decisões. É um lugar subjetivo, mas geralmente muito calmo e solitário… Esse Bosque é nosso Espírito. Onde estamos sempre “sozinhos”, onde somos nós mesmos e somos tudo. É nesse lugar que descobrimos quem vence em nós, Alma ou Mente e é lá, ou aqui, ou aí, que nos definimos e moldamo-nos… Pessoas de Espírto fraco nunca tem esse “Bosque” bem definido e são, por definição, confusas. Pode até acontecer de termos a Sombra de alguém dentro desse Bosque. Essa Sombra é “sensação” de outra pessoa Real ou Não Real (Nesse caso uma Lembrança ou Personalidade) que nos instiga e auxilia nos nossos caminhos de nossas escolhas, mas pra mim sempre foi um lugar muito Solitário, talvez uma Lua, um Ruiva, uma Borboleta ou A Dama da Morte, mas sempre Eu… Fiz no Bosque da Solidão o meu castelo da dor e vivo nele por que simplesmente não tenho outro lugar pra viver.





Sonhos, Sonhos e sonhos…

13 03 2008

 

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O Medo de sonhar…

Tenho eu muito medo do sonhar. Temo o dormir tanto que até me impedi de lembrar-me o que sonho, então nunca me lembro do que sonhei quando dormia. Digo isso porque o sonhar-me em mim atingiu um grau tão elevado que em primeiro lugar, no sonho, não sei o que sou.
Porque não sei se sou a criança que corre, os amantes que transam, o gato que é espancado, ou o taco que o espanca, nem se sou o menino que empunha o taco, nem se sou a menina de olhos azuis que faz gritar a boca, que também pode ser eu, um “Pare com isso!”.
E mesmo a frase pode ser eu, mesmo o pensamento pode ser-me. O tempo também, pode ser eu. A morte me é também, assim como o nascer.
Quando sonho, crio um mundo independente de mim que existe como outro mundo que é este, real.
Tenho medo, lhe digo, pois morro sempre nesses sonhos. Nasce também muitos eu’s em muitos lugares deste mundo-eu, mas morrem muitos de mim’s.
E a sensação de nascer sei, mas a de morrer não conheço realmente, apenas a sonho, mas a sonho de maneira que não me parece sonho.
Estou eu morto. E o pior, quem matou-me fui eu. Fui eu a o assassino, Arma do crime, o pensamento assassino e a psicologia assassinada que me matou, ou pior…
Sou eu tudo o que no mundo-eu existe de mal, sou também o bem dele, mas este não o anula nem o desculpa. Tantas pessoas em mim, quando sonho! Tantas vidas a serem vividas em tão poucas meia-horas de devaneios!
E além de tudo nunca é o mesmo mundo. Sempre que sonho é um mundo diferente, outras pesssoas, outros sóis e luas e cometas e céus. Só há um mundo em mim que é fixo, sonhado e controlável, onde reino impossível sobre mim mesmo.
Só neste mundo sou-me sem medo de ser-me tudo o que há em mim.
E que terrivel ver os sonhos das pessoas que eu sonho, que são eu’s meus! Que terror ver sonhos meus ali, como se fossem outros!
Que terrivel ver um outro eu sonhando um mundo-eu-ele, onde esse eu é tudo, desde do gato que apanha, do taco que o fere, do garoto que o bate, da menina que grita, da frase que é gritada ao pensamento que todos pensam.
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Estou no ônibus lotado de gente e estou de pé em frente a um banco para sentar-se duas pessoas, onde se encontram dois jovens, uma garota com olhar tímido e jeito frágil, usando uma blusa de lã com gola role que me causa calores ao repara-la e ao seu lado um jovem rapaz, possivelmente de igual tímidez, mais alto que ela, de cabelos mais escuros, porém não negros e um olhar distante. Está a ouvir música. Reparei que não se conheciam e vinham ambos de colégios diferentes e deveriam ter a mesma idade.
A menina aparentava ser mais jovem, mas tinha um ar de madura que marcava no rosto uma expressão quase que filosófica.
Vi que combinavam perfeitamente numa pintura ou fotografia [...]





Segredos Felizes, coisas só nossas…

6 03 2008

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O Lugar Tranquilo

Rafael Rabelo

O dia aqui corre devagar,
o ar daqui tem sabor de flor,
Dor aqui, inexiste viva,
e os olhares não te olham
se te olham, não é com olhos.

Tanta gente, tão pouca gente.
E ninguém, tudo no mesmo lugar.
Vejo-os dormir, mas não vejo
Só nos dois e todo essa gente
E gente nenhuma…

Não estamos aqui, nem agora
Estamos um no outro, fora do tempo
Estamos um no olhar do Outro
Um no sorriso do outro
na alma do outro.

Nossos corpos existem, verdade.
mas os espíritos estão a vagar
juntos pelos labirintos nossos,
e dos corações alheios, vivemos.
E o corpo não é gente, só existe.

E todo mundo que ali adormece
meio que nos observa e entorpece
sentir sono, sentir calor, querer
desejar amor e vê-lo ali
A sorrir para nós, como eles sorriem

Esquecidos, traídos pelo tempo
abandonados, deixaram-nos todos
Só nós nos lembramos deles
E desse lugar, que tanta gente
Tenta evitar e esquecer.
.

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Só somos nós verdadeiramente quando amamos alguém, por isso julgo que sou viciado em amor, pois toda vez que amo, me conheço.
Amar é perder-se, é procurar o outro dentro de si e se perder, amar é não saber quem se é, e é justamente isto que é conhecer-se.
Só perdidos sabemos quem somos. Não nos definimos mais, não nos rotulamos e perdemos nossos sentimentos próprios diante do amor verdadeiro. Somos todos caniços vergados pelo vento quando amamos, o grosso deixa de o ser e passa a ser gentil.
O glutão pára de comer, se é pela pessoa amada. Transforma o racional em bárbaro e faz o bárbaro pensar.
Somente no amor nos livramos de nós mesmos e, portanto, nos encontramos.





Da dor que eu sinto…

2 03 2008

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Theodore Gericault – Jangada da Medusa

No meu mundo só existe dor
Só é escuro e sol não brilha
Não é triste, só é sombra
E me machuca, me fere

Meus pensamentos me fazem mal
Minhas atitudes me decepcionam
pois não são as certas, nenhuma!
E não sei nada, e nem disso sei

Me falta força, por mais forte
que eu seja e me faça ser.
Ainda assim me falta, me falta
Sempre falta tudo e não falta nada

Sou tão cego que sou capaz de ver
tão tolo por achar que sei disso!
Tudo no mundo me machuca
Até não ter mundo pra me machucar

Mas eu estou de pé, morto.
Tanta dor me matou, sufocando-me
Até que nenhum sopro de esperança
restasse nos pulmões, inertes.

Mas não morri, não sou corajoso
nem pra isto tenho forças
Nem prum tiro no coração, não
A idéia me enoja, me repugna

Só dor, só dor, só dor
eu canto, e este é o refrão
que não termina, que predomina
invade a minha alma e me domina

Dói tanto e estou de pé
e de repente um sorriso
daqueles bem grandes, debochados
tenho lágrimas para matar a sede

e por mais que cada passo doa
Não paro, não exito e eu grito!
grito que dói, inutilmente
como se da dor extraisse um ínfimo!

E sou forte! As pessoas não ferem!
Seus jogos e sua manha não marcam!
Pois eu já me feri de um todo
Me açoitei, escravo de mim que sou

Se houvesse um poço, estaria no fundo
seria o fundo dele, mergulhado
E é disso que tiro tudo
Desse nada que sou, desse nulo

Eu resisto e enfrento
sem esperannça de vencer
pois essa é graça de ser fraco
Ver na luta, uma vitória.

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A única dor que me fere nesse ponto é a que não sinto. Quando vejo um amigo sofrer, me dói o coração tanto que quase pára de bater. Se acaso vejo uma amiga sofrer então, morro. Choro a dor dos outros quando não posso fazer nada por eles além de dar carinho e atenção. Sinto a fraqueza daqueles que não sabem o que é dor quando vejo um amigo sofrer. Tenho vontade de sair pelas ruas implorando ajuda e misericórdia a quem quer que passe.
Sinto vontade de ser forte pra poder fazer qualquer coisa que seja.