Theodore Gericault – Jangada da Medusa
No meu mundo só existe dor
Só é escuro e sol não brilha
Não é triste, só é sombra
E me machuca, me fere
Meus pensamentos me fazem mal
Minhas atitudes me decepcionam
pois não são as certas, nenhuma!
E não sei nada, e nem disso sei
Me falta força, por mais forte
que eu seja e me faça ser.
Ainda assim me falta, me falta
Sempre falta tudo e não falta nada
Sou tão cego que sou capaz de ver
tão tolo por achar que sei disso!
Tudo no mundo me machuca
Até não ter mundo pra me machucar
Mas eu estou de pé, morto.
Tanta dor me matou, sufocando-me
Até que nenhum sopro de esperança
restasse nos pulmões, inertes.
Mas não morri, não sou corajoso
nem pra isto tenho forças
Nem prum tiro no coração, não
A idéia me enoja, me repugna
Só dor, só dor, só dor
eu canto, e este é o refrão
que não termina, que predomina
invade a minha alma e me domina
Dói tanto e estou de pé
e de repente um sorriso
daqueles bem grandes, debochados
tenho lágrimas para matar a sede
e por mais que cada passo doa
Não paro, não exito e eu grito!
grito que dói, inutilmente
como se da dor extraisse um ínfimo!
E sou forte! As pessoas não ferem!
Seus jogos e sua manha não marcam!
Pois eu já me feri de um todo
Me açoitei, escravo de mim que sou
Se houvesse um poço, estaria no fundo
seria o fundo dele, mergulhado
E é disso que tiro tudo
Desse nada que sou, desse nulo
Eu resisto e enfrento
sem esperannça de vencer
pois essa é graça de ser fraco
Ver na luta, uma vitória.
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A única dor que me fere nesse ponto é a que não sinto. Quando vejo um amigo sofrer, me dói o coração tanto que quase pára de bater. Se acaso vejo uma amiga sofrer então, morro. Choro a dor dos outros quando não posso fazer nada por eles além de dar carinho e atenção. Sinto a fraqueza daqueles que não sabem o que é dor quando vejo um amigo sofrer. Tenho vontade de sair pelas ruas implorando ajuda e misericórdia a quem quer que passe.
Sinto vontade de ser forte pra poder fazer qualquer coisa que seja.