Temporada de Noite “?”

4 02 2008

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Amada Noite

Rafael Rabelo

Eu andava perdido por uns cantos
procurava algo e meu sorriso era vidro,
os olhos não eram janelas
e nem os braços eram portos e se eram
estavam fechados, por causa do tempo
fechado também, nebuloso e sombrio.

Chegou a noite escura e me envolveu
acolheu em seu frio e não disse
palavras de amor ou juras
só se mostrou pra mim, se entregou.
Estava ali, me esperando e sussurrando
meu nome, meu signo, minha senha…

E minha alma tão escura quanto a noite
se misturou ao breu e se apaixonou
pela escuridão, e se regozijou
remexendo-se em seu túmulo-mundo
pois amava e era amada!

E eu sorri um sorriso amarelo
os dentes brancos saltavam na escuridão
assustavam e impressionavam pessoas
pois já não se viu eu, não se via a noite
éramos um, ela e eu, nos dominavamos

Sim, um amor correspondido
e a noite era minha, e eu era dela
(É na noite que os rejeitados encontram
abrigo e um abraço e um amor amigo)
nos abraçavamos e riamos de quem nos via
e não nos via, pois eu, a noite éramos um.
.

.

.

“Devemos tolerar-nos mutuamente, porque somos todos fracos, inconseqüentes, sujeitos à mutabilidade, ao erro. Um caniço vergado pelo vento sobre a lama porventura dirá ao
caniço vizinho, vergado em sentido contrário: ‘Rasteja a meu modo, miserável, ou farei
um requerimento para que te arranquem e te queimem’?”

Voltaire.


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