O Castelo Coração
Rafael Rabelo
Dentro de mim há um reino.
Daqueles medievais, rústicos…
e nele há Rei, povo, inimigo.
O inimigo queria morto o Rei
E eram umas amazonas ruivas
Umas mortas andantes feridas
Umas demonios tentadoras!
No Reino nunca havia sol
O terra brilhava, o chão era luz
no céu era sempre noite.
Assim o Rei desejava, queria
Não gostava do Sol, não gostava.
Morava na cidade única
Que com o castelo do Rei se fez
capital e cidade grande.
Cheia de gente, de soldados
de armas armamentos armeiros.
Chovia as vezes, não muito.
Raras vezes caia o céu em chuva
pesada e ritmada, e fazia musica
fazia poesia, fazia tudo
À chuva que destruia.
Ventava e uivava, dos bosques
vinham os gritos inimigos…
E o castelo era lindo, branco,
cinza, azul, variava e misturava,
o humor do rei o mudava em tudo
forma, tecido, estilo, cor,
O Rei imaginava e era dito.
Ah! O Rei, que era tudo e nada
Já tinha feito ao mundo
o maior bem, o maior mal.
Já foi vampiro, herói e general
Ditador, corrupto e generoso
Alto, baixo, gorducho, esqueleto e osso
O Rei era de tudo um poco
Homem, mulher, aldeão, ferreiro
Até fazendeiro de fora do reino
inimigo que espreitava o bosque
Chefe da guarda dos Cavaleiros.
Tinha tudo e não tinha nada
Era tudo e era, afinal, nada
Foi traído por sí mesmo, deposto
Expulso e exilado de sí, viveu com lobos
tinha tiques, tinha tacs, viva sozinho
e cercado, sempre, por sí
As vezes se enfurecia e era
um aldeão traído, ou cúmplice num crime
que ele mesmo cometera por completo.
Pois era vítima, ladrão, guarda…
E era também a coisa roubada.
Vivia suntuoso em castelo de prada
ou em casa de madeira baixa
defendia o reino e atacava-o
Expandia, conquistava, se conhecia
Chamavam o Reino de Coração
E aos inimigos demos o nome de Amores
que nos assolavam, como praga
bem vinda e mal vista.
Pois nunca fomos correspondidos.
Já morreu o Rei um tempo
Vítima de um tal Amor-Ruiva
Dizem que se matou, falou que se morreu
A lança em seu peito era dela…
E o sorriso em seu rosto também…
Ficou morto um tempo
Mas depois voltou, desenterrou do peito
a lança e aclamou o trono, que era então
comandado por quem vos fala.
Bobo da corte, amigo leal
Trovador e bardo real.
Os Amores foram vencidos
por serem a nós, nocivos.
Tivemos paz, tivemos guerra
Mas éramos nós de novo
Eramos o um que sempre tinhamos sido.
E havia tudo em nós
Era eu o Rei, o Reino, o Castelo
Até a noite era Eu, até o chão
Até o ranho que tirava do nariz um menino
O estrume da vaca, o mais bonito diamante
Era até meus Amores-inimigos
Eu sou tudo o que sou,
Desde a lança que me feriu
Até a mulher que a lançou.
.
.
.
As vezes me pego escrevendo tão rápido quanto posso e ainda assim as palavras me fogem, escapam em meio a um tubilhão como se viessem de um mar acima de mim do qual não tenho conhecimento e só se passe a mim através de um buraquinho que se faz funil. E Eu tento ou tenho que agarrar a todas… Tento apanha-las, mas as safadas são rápidas e escorregadias, me escapam da mente e no final resta o resto, que sinto vontade de apagar para começar tudo de novo, mas sei que não sairia melhor do que fiz antes, sairia até pior, que já fiz isto e assim foi. Cabe-me uma única solução possível. Aprender a escrever mais rápido. Ou ainda não escrever. Mas esta ultima não e cabe.
E eu vou pra praia… Pra Santos… Há! Deus sabe que se fosse pro Rio eu estaria animado… Mas vou pra um lugar ficar com minha familia e pessoas desconhecidas, com cheiro de maresia, agua salgada e areia grossa e cinzenta… Isso não é nada poético.
Quero meus amigos.
PS. Sem tempo pra imagens…