De repente eu me sinto estranhamente forte.
De repente é como se todas as dores do mundo não pudessem me afetar mais. De repente eu sou o mais insensivel dos homens.
Não sonhei com ela hoje. Não sonhei com nada. Eu sempre sonhava.
Mesmo que eu não lembrasse do sonho direito, mesmo que fosse algo distante, eu sabia que eu tinha sonhado. Não sabia o que, mas sabia que tinha sonhado.
De repente eu só queria deitar, ler, programar, escrever, ouvir música…
Sem sair de casa, sem procurar os amigos, sem fazer esforço…
Voltaram as reticências…Chegaram o sarcasmo, a ironia, o cinismo, a revolta, uma determinação de desespero…
Já não falo mais tudo o que eu penso, já não sinto tanto as dores do mundo…Acho que estou embreagado com a minha própria dor, perdi o paladar.
De repente, aquele fora não foi tanta coisa.
Sou como alguém que foi baleado, passou um tempo internado em estado grave, mas depois, quase curado, que já não se sente a dor, a menospreza.
“Não foi tanto assim, não.”
E nem se importa com outras dores…Nem liga pra uma espetada no dedo, pra um tapa na cara. Tudo vai doer menos e aquela dor maior, você superou. Nenhuma dor menor vai te ferir…
.
.
.
As vezes, o que acontece na nossa vida é necessário pra nos preparar pra um momento verdadeiramente decisivo. Quero dizer que nem toda dor é em vão. Pode ser que ela preceda glórias e virtudes. Pode ser que não.

